Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jun 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

É verdade, «tem povo» - com governantes e dirigentes incluídos - que pouco entende do que lhe dão como sendo muito bom: Que não vê a regressão que lhe estão a impor!

 

E esta ideia, vinda de um post anterior lembra-nos Rafael Moneo (arquitecto), com quem nos idos anos 80 tivemos uma ou duas aulas, úteis e interessantíssimas, no Instituto Superior Técnico.

Nós que, Thanks God, ao contrário de um certo Reitor da melhor escola de Design (aliás a melhor do mundo, claro!), por acaso passámos em várias universidades e escolas superiores e nunca «fomos de madrinha ou padrinho», de mão dada ou a tiracolo, para fazer, e assim, forçosa e garantidamente, passar nos exames*.

Pois Rafael Moneo, cujas aulas foram muito além de um Programa (minúsculo, reduzido e delimitado) de Metodologia do Design ou da Arquitectura – e como Jorge Gaspar falava de tudo (sem deixar adivinhar a matéria para o exame!!!) –;  esse arquitecto que mostrou também saber de indústria e de ensino, nas referidas aulas não deixou de alertar para os modus faciendi do ensino, no futuro; aquilo que hoje se está a verificar:

Que as universidades passariam a ser «verdadeiras máquinas» para reter as massas estudantis. Entretendo-as, usando-lhes o tempo e as energias (i. e., o dinheiro deles e das famílias) enquanto ao mercado de trabalho iriam chegar só os melhores dos melhores, especialmente treinados para isso. Ou seja, treinados em ambientes muito fechados e muito selectivos, com base na competência.

Vai sendo tempo de compreender o mais essencial do ensino (que é preciso fazer): que, por exemplo também está no «ligar as palavras com o que se pensa», e por isso se pode falar de referentes ou conceitos

Porque não há Arte - muito menos a habilidade posta na materialização visual de ideias - se não houver uma grande compreensão, quiçá o domínio, como especialistas, dos elementos figurativos-base (equivalentes aos referentes, ou ideogramas de que tanto temos escrito).

Pelo que, na aprendizagem artística, ou na do Design, e das Artes Decorativas, também é necessário não esquecer uma ideia-chave de William Morris - que aqui se traduz livremente:

"Não acredito que hoje alguém possa desenhar um ornamento que não seja o desenvolvimento ou a degradação de formas usadas há centenas de anos. E que também estas, muitas vezes, apesar do jeito ou do hábito (manual) com que possam ser desenhadas, essas formas tiveram significados sérios: vindos do culto e de crenças, agora já pouco lembradas ou completamente esquecidas."**

Excerto a ler em:

http://fotos.sapo.pt/g_azevedocoutinho/fotos/?uid=7Ylt49L1pPZfprZouMjR)

CasaNobre-CastºdePaiva.jpg

A imagem acima, como outros casos em que temos trabalhado, mostra como a maioria das composições da arquitectura antiga, são verdadeiros condensados de detalhes e referentes - falantes. Imagens que eram alusivas a valores que, se agora são desconhecidos, como está no excerto que «roubámos» a William Morris, até há pouco tempo eram ainda usados para fazer falar as Casas e as Linhagens de família...***

~~~~~~~~~~~~

*Aliás, tudo isto de que vimos a escrever, só se passa com homens. Pois se forem mulheres sobem a escada degrau-a-degrau, cumprindo cada item e cada etapa, porque… em geral são muito mais honestas, e terão nascido com as pernas curtas!

**Formas de ornamentos que, muitos deles, tiveram como objectivo a representação tão correcta e expressiva; que fosse eficaz na tradução - tão fiel quanto possível -, da Unidade e Trindade do Deus Cristão. Note-se que W. Morris (nas duas primeiras linhas desta tradução) também diz, praticamente, que hoje já nada se inventa e tudo são recombinações e novas associações. Os sintagmas que alguns têm referido.

***Que «o diga» Raul Lino! Expert máximo de uma técnica e de um saber fazer (como uma redacção arquitectónica, a escolher palavras pelos seus significados) que muitos seus colegas, arquitectos do século XX não compreenderam, e por isso os seus trabalhos foram vistos como "português suave". Aliás, sobre este tema, seria interessantíssimo - e aqui fica a ideia - ver a obra (e as posições enquanto projectistas) de Luís Benavente, Nuno Teotónio Pereira e Carlos-Antero Ferreira. 


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