Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
26
Fev 11
publicado por primaluce, às 18:36link do post | comentar

"Uma nova arquitectura" é o que se pode ler na p. 48 de As Catedrais, de Patrick Démouy - editado em 2008, pelas P.E.-A., na colecção Saber - um livrinho de bolso que é um verdadeiro condensado (que aconselhamos). 

Como é habitual, nesta obra e à semelhança do que acontece em quase todas as Histórias da Arte e da Arquitectura, no período da transição do Românico para o Gótico, todos colocam a mesma pergunta: «de onde é que surgiu o o Gótico?»

Aqui, desta vez a fórmula é um pouco diferente, mas vai dar no mesmo. Depois do subtítulo "Uma nova Arquitectura", pode-se ler: "Como definir a arquitectura gótica? A sua etimologia não nos indica nada. A expressão deve-se aos humanistas italianos do Quattrocento que, julgando-a, com toda a razão, totalmente estranha aos processos de construção da Antiguidade, atribuíram-na aos bárbaros que se mantinham ao norte dos Alpes, os Godos. Isso não tem nenhum fundamento;..." (reticências, claro, pois o texto continua, com muitas outras informações, úteis).

Mas ficou o essencial: mais um exemplo de que mesmo em obras recentes*, a pergunta persiste. Ora o que nos aconteceu, foi, exactamente, pegar na Etimologia, e ir perceber o que é que tinha sido característico dos Godos? Foi então, com esta enorme simplicidade (mais do que transparente), que encontrámos o Arianismo, e referências a vários Concílios na Península Ibérica. Desde 380 em Saragoça (ainda os Godos não tinham chegado à Hispânia, era o Priscilianismo que preocupava Roma). Assim como também encontrámos, a atribuição à Iberia, aos chamados Visigodos ou Godos do Ocidente, a definição (ou a ampliação dessa noção) da "dupla procedência do Espírito Santo", ou "Filioque": a qual, com toda a facilidade, se explica muito melhor esquematicamente, a partir de desenhos, do que com palavras.

Definição ou Ideia, a que, desde 587, e definitivamente em 589, no IIIº Concílio de Toledo - já depois de Clóvis (o rei dos Francos) se ter tornado católico - os Visigodos, chefiados por Recaredo, também quiseram aderir. Abandonaram assim o seu Arianismo, convertendo-se ao Catolicismo.

Esta explicação que aqui é feita, de modo tão sucinto quanto possível, está, muito mais ampla, no nosso trabalho sobre Monserrate. Concretamente, antes e depois da p. 38, onde se pode ver a imagem que confirmou os vários organigramas que tínhamos desenhado, na tentativa de nos esclarecermos. 

Desde 2002 não parámos de aprofundar o assunto, e sobre ele temos agora muitas mais dezenas de páginas. Embora, em torno deste tema - o "Filioque" - o qual aliás, ao longo da História (nem sempre com esta designação, mas quase desde o Nascimento de Cristo) suscitou uma infinidade de escritos. Repete-se, sobre este tema é possível escrever milhares de páginas: principalmente, se houvesse a intenção de registar o máximo, de tudo o que se passou (o que não é o caso!)

Para concluir, hoje resta-nos destacar que apesar de todas as pesquisas que entretanto fizemos, e acrescentámos às iniciais, a nossa redacção mais sintética sobre o assunto, estando desde logo correcta (é importante que se diga), é a que escrevemos em 2003-2004. E porque tínhamos «descoberto» a questão a partir de Março de 2002, está editada.

Assim, qualquer livro de História da Arte ou da Arquitectura, que coloque a pergunta, como faz Patrick Démouy - um autor admirável, e em cujos livros se aprende imenso - se o fizer, à partida, deve-se considerar que neste assunto o autor não está totalmente informado; longe disso, não teve a nossa sorte**!

Sobretudo, porque agora, já alguns outros autores, como é o caso de Edward Norman (embora ainda de uma forma muito incompleta), começam também a aperceberem-se do mesmo que detectámos: isto é, da relevância de um grande número de Ideogramas. 

 

Em suma, vamos todos observando como é que esta situação vai evoluindo? Pois para já não podemos fazer mais do que temos feito...

Em boa verdade, vai ver-se o que é, realmente, e de facto - na vertente do que alguns designam a Cultura Visual, e os seus fundamentos (acrescentamos nós) - o que é a Ciência em Portugal?

Vamos vendo...

Manuscrito francês, Diagrama da Trindade Cristã, apresentado na FL.UL em 31.01.2005*** 

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* De um autor premiado - em 2005 recebeu o "grand prix Gobert de l'Académie des Inscriptions et Belles Lettres"- Patrick Démouy é Professor de História Medieval da universidade de Reims-Campagne-Ardenne; escreveu vários livros sobre a génese de uma Catedral, em especial a de Reims: "Santuário da Realeza Sagrada", onde Clóvis foi baptizado; e sobre os seus Bispos.

** Poder-se-á dizer que é uma sorte, a lembrar as faces de uma moeda: Sorte de um lado, Azar do outro! Porque a História está hoje tão definitivamente acabada, qual «bloco para ficar em tosco», que nos perguntamos se alguém a quer entender? Se valerá a pena investigá-la? Nesta área - a Arte são Imagens - as quais, se hoje não «falam» é porque os seus códigos foram perdidos, como deixámos no trabalho sobre Monserrate (ver op. cit., p. 29): "perderam-se as chaves dos símbolos". E embora cada vez mais tenhamos a noção que essas «chaves» são Conhecimento, e Saber (relações, também «articuladas»), vindo da Geometria. "A origem das expressões" - como se pode ler num autor do século XII. Para quem como nós está no Ensino Superior, e vê o que se passa (tudo à volta), mais preocupante do que a perca de Códigos de leitura, é a perca do Saber. E este - a compreensão do passado - pelos «zigzags» da vida, e os seus agentes, que em 2001 nos puseram neste caminho gratificante, numa boa parte, captámo-lo.

***Apresentação (ppt) tese de mestrado: Ideograma original em manuscrito francês do século XIII,  ver reprodução em Edward Norman, The Roman Catholic Church, Thames & Hudson, London 2007, p. 36. 

 Tudo isto já está em Monserrate, uma nova história, no próximo post, e a pensar nos nossos alunos - Teorema de Pitágoras: como ensinar...

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17
Out 10
publicado por primaluce, às 10:26link do post | comentar

...aquilo que mais nos surpreendeu.

Agora, e para completar informações sobre as imagens com argolas entrelaçadas, que estão no écran, prosseguimos: tentando dar em simultâneo, um enquadramento, relativo aos avanços feitos no mestrado dedicado ao Palácio de Monserrate, e aquilo que nos permitiu compreender. 

Neste caso, referimo-nos também ao que muitos podem julgar ser um grande atrevimento.  Porém, desde há mais de 30 anos temos ensinado a desenhar de acordo com regras e convenções. Concretamente as "Normas de Desenho Técnico". Terá sido por isso, que quando nos disseram que era preciso entender "As Origens do Gótico", para entender Monserrate, que passámos a olhar para as Igrejas e Catedrais de um modo diferente? (do que até então fazíamos)...

A perceber que nem tudo era estrutura, longe disso, e que muitas imagens criadas (os excertos arquitectónicos) estavam repletos de configurações que não acabaram na Idade Média, e se continuam a ver em vários edifícios (soltos), e em inúmeros aglomerados urbanos, de datas posteriores?

É também verdade que a nossa profissão orienta o arquitecto (em formação) para a criatividade e originalidade; sobretudo para a compreensão das situações em que está envolvido. Desde cedo, a criatividade é ensinada e implementada. Não é preciso fazê-los, constantemente, mas, basta a hipótese de haver " brainstormings" úteis - e agitadores de algumas concepções, e associações de ideias - para nos apercebermos que criar e imaginar, está muito longe de ser proibido!

Ao contrário de outras profissões, que se colocam permanentemente ao nível da análise. Não propondo hipóteses alternativas, ou admitindo que os factos possam ter acontecido de outro modo. Para muitos, rigidamente, o que alguém desenhou e definiu, assim ficou, para sempre...

E apesar de todos os dias o mundo rodar, tendo havido inúmeros avanços (que são conceptuais), que permitem ver por outras perspectivas e ângulos; ou compreender como vários pressupostos têm estado errados, muitos ao conhecerem a realidade (tal como lhes é apresentada e «ensinada»), não têm relativamente a ela, qualquer dúvida ou qualquer curiosidade. Lembram os alunos que repetem de cor, as ondas sonoras - ainda a reverberarem no espaço, e nos seus ouvidos - embora estejam longe de terem compreendido a essência e o alcance, desses sons que absorveram. 

A seguir, e na tentativa de transmitir os materiais iconográficos que temos recolhido, apresentam-se mais algumas imagens tradutoras daquilo que se veio a tornar uma Ideia essencial do Cristianismo. E, à qual, sucessivamente, os bárbaros que entravam no Império Romano (sobretudo avançando sobre o lado Ocidental), se foram convertendo*. Os primeiros foram os Francos chefiados por Clóvis, e na Iberia, em 589, no IIIº Concílio de Toledo, a maioria dos Visigodos. Chefiados então por Recaredo*

Entrada lateral da Sé Velha de Coimbra

 

Detalhe, pelo qual se percebe que em cada argola, ou círculo, o seu arco passa pelo centro do que lhe está ao lado (e intersecta). 

* Ver em Monserrate, uma nova história - Introdução, e nas pp. 32 a 45. 

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