Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
25
Set 12
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

Há dias encontrei a Tese de Doutoramento da Leonor Botelho. Fomos colegas no Mestrado, e apesar das nossas situações profissionais (e de vida!) tão diferentes, o seu trabalho por várias razões, aproximou-se muito do nosso e vice-versa.

De facto foi a Leonor que chegou com ideias muito definidas, no nosso caso era apenas Monserrate que sabíamos querer estudar. Mas o Palácio inglês de Sintra deu-nos muito mais do que podíamos prever ou imaginar, e por isso aconteceu a tal aproximação!

Talvez a Leonor não tenha mudado muito de enquadramento e sempre tenha premeditado fazer estes caminhos? Não foi o nosso caso. O que descobrimos no dia 2 de Março de 2002, e que depois nos fez culminar, em 16 de Março de 2002, com a certeza de termos adquirido informações preciosas; concretamente sobre a importância do Filioque e do Cisma de 1054, relativamente às Origens do Gótico*. Essas informações actuaram sobre nós como verdadeiros motores, gerando uma curiosidade enorme. Sem palavras para se poder descrever! 

E esse foi aliás, depois, o «grande piropo» que Lúcia Rosas (nossa arguente, orientadora da Leonor Botelho) dirigiu ao nosso trabalho e à nossa atitude! Não esquecemos, é o que faz avançar a Ciência e o Conhecimento...

Para quem estiver interessado no tema - Descoberta dos Estilos Medievais - fica aqui: 1º a citação de Leonor Botelho do nosso estudo. E depois o link que permite aceder ao texto que citamos e (a muito mais) pois integralmente dá acesso à tese de doutoramento.

“... Regina Anacleto procurou avaliar o impacto da Arquitectura Neomedieval Portuguesa (1780-1924)470, enquanto reflexo dos mais diversos posicionamentos nacionalistas da época,mas também enquanto embriões de correntes arquitectónicas (e problemáticas) posteriores. Embora já numa vertente mais direccionada para a análise de um 'case study’, o estudo que Glória Azevedo Coutinho consagrou a Monserrate471 introduz-nos especificamente no ambiente vivido em torno da valorização e reedificação do Gótico, fruto do seu melhor conhecimento e da sua redescoberta...”**

http://pt.scribd.com/doc/95842060/20/Da-realidade-portuguesa-a-descoberta-dos-estilos-medievais-antes-de-1870

Pela nossa parte, houvesse tempo, e conseguíssemos obter as condições para isso, gostaríamos de citar e reportar várias informações de Françoise Choay que a Leonor gostaria de ter; muitas mais de Regina Anacleto e dos vários casos que estudou além de Monserrate, onde por vezes viu (e outras vezes passou ao lado) de materiais interessantíssimos e poderosos nas informações que dão (lembrem-se da "arquitectura falante", ou "The language of architecture..." de que Roger Stalley escreveu

E ainda sobre o Palácio de Sintra - Monserrate, enquanto obra Gothic Revival - ou Survival, e, ou, ambas as designações, que parecem ser possíveis? - aquilo que se pode obter (está lá) sobre esses casos. Depois também a obra fascinante de Tristram Hunt, e o que permite captar da arquitectura vitoriana, no seu Buiding Jerusalem, The rise and Fall of the Victorian City, London 2005.

No âmbito daquilo que é a nossa curiosidade sobre o passado (um fascínio que quase nos faz perder o pé!), nessa comparação para nós as nomenclaturas estilísticas, enquanto problemática científica, perdem: são desinteressantes, e pouco ou nada acrescentam a uma temática que é absolutamente fascinante.Porque a podemos trazer para os dias de hoje, e ensinar aos nossos alunos, para quando estão a projectar.

Sem que se apercebam disso, de muitos dos procedimentos que o acto de projectar e criar, exige: hoje, por vezes não muito diferente dos processos que existiram no passado***!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Um tema que Maria João Neto, nossa orientadora já vinha há muito a tratar.

**Ver  Leonor Botelho, op. cit. p. 115.

***Sem que lhes seja dito, ou sequer tenham a noção de que estão bastante perto daquilo que se fez noutros tempos...

  


02
Dez 10
publicado por primaluce, às 09:42link do post | comentar

A imagem seguinte representa o Esquema, ou Ideograma, que segundo defendemos traduziu o Filioque*. Numa versão (pois houve várias), que ficou inscrita nas obras Românicas, quando a questão do Cisma do Oriente (1054) era já cada vez mais premente: havendo a necessidade - da parte da Igreja do Ocidente - de o proclamar. O que aconteceu de uma forma que foi, crescentemente, mais clara, mais forte, e mais afirmativa. De tal modo que um dia culminou, arquitectonicamente, no Estilo a que hoje todos chamamos Gótico 

Seguindo a classificação de Jean François Félibien (que distinguiu dois Góticos**) esta imagem correspondia ao Gótico Antigo. As áreas que tracejámos tinham que ser especialmente trabalhadas – sobretudo desbastadas na pedra, como se vê no exemplo seguinte – de modo a ser legível uma ligação forte entre os Círculos. Repare-se como essa ênfase posta na «escrita» - que qualquer Estilo é - resulta também muitíssimo decorativa.  

Rosácea de Paço de Sousa

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* Desde que editámos este post já houve pedidos de esclarecimentos: ver em Monserrate, uma nova história, op. cit., pp. 27 a 45. Para se ter a noção da complexidade deste tema basta dizer, que, actualmente (nos estudos do doutoramento, em curso) este assunto encontra-se sub-dividido em várias abordagens, ocupando - apenas o cerne da questão - cerca de 40 pp. Sobre o Filioque, aconselhamos uma das melhores síntesesver na Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira, LX 1969, v. 8, cc. 837-838.   

**Embora sem imagens que a ilustrassem, esta questão já ficou explicada em Monserrate, uma nova história, op. cit., pp. 43 e 44. Sendo também referida (o Gótico Antigo e o Gótico Moderno) a propósito do aqueduto de Tomar, chamado - Pegões Altos; ver na p. 72 e na nota 168. 

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