Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
28
Mar 16
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

... há também sempre a hipótese de se fazer um Doutoramento Premium*

Porém escusa todo ou algum de ter ideias tristes porque esse felizmente (e sobretudo orgulhosamente) nunca foi o nosso caso!

 

O que desde já se esclarece: os referidos 'doutoramentos premium' são de pessoas que não «aguentavam» mais as situações em que estavam, mas que, sendo bem quistas (pelo seu servilismo?, ou mais a boa vontade e jeitos justos e oportunos que sempre dão... felizmente), lá obtêm enfim o que outros - substancialmente mais rigorosos, ou de cerviz que não dobra (como Moisés disse do seu povo) - não aceitam**.

Esses não vermiculares e indobráveis, para eles seria uma imensa afronta terem que prescindir das respectivas investigações, porque eram elas, o mais forte e o verdadeiro móbil dos seus estudos. Nunca prémios.

Ou seja, depois de feitas certas descobertas em fases anteriores de um trabalho de investigação (o que nos lembra uma frase extraordinária de Montesquieu), o grau a adquirir perde todo o valor! Porque já não é ele - o Conhecimento - que está em causa. Porque comparado com os meros formalismos mais teatrais e da simbologia visual (a que se chama encher o olho), o dito doutoramento esvaziou-se. Já não é a curiosidade, já não é o conhecimento, é poluição e blablabla visual... É, como por acaso neste momento ouvimos na TV, "...as pessoas já nem são pessoas, perderam toda a essência, tornaram-se sombras em movimento..."

E assim, sobre estas notícias surpreendentes e díspares (de disparate), para quem esteve fora, chegar é acordar para a realidade.

Mas, tais descobertas trazem-nos também a esta outra que hoje se conhece e nos faz lembrar (mais uma vez) Demócrito e a atomicidade: Sobretudo as formas que sempre «se dão», como hipótese primeira (para construir a ideia e as hipóteses de viabilidade de uma teoria) que um dia se vão continuar a tentar confirmar e verificar.

É de Jacqueline Russ este excerto que desde que o conhecemos nos pareceu justíssimo, e onde a expressão "représentation géométrique de la réalité" - que é relevante, um avanço extraodinário para ajudar a mente a pensar -, também nos transporta ao que André Grabar escreveu, referindo-se ao Filioque***:  

"Avec Leucippe, il [Demócrito] crée la notion d'atome et engendre une représentation géométrique de la réalité. Belle avancée du matérialisme antique, qui n'a pas fini de fasciner une longue postérité, désireuse d'expliquer les phénomènes naturels à partir d'autres phénomènes naturels."   

E antes de terminar, aquilo que nos moveu e são os verdadeiros prémios: primeiro do que tudo para os próprios que se esforçaram, que tiveram ideias, colocaram hipóteses, viram os problemas e desconfiaram das soluções!

Por nós - que estamos longe de atingir toda a questão - fica uma enorme curiosidade: a referida ubiquitina já tem uma forma que tenha sido vista num microscópio; ou, estamos perante uma representação conceptual-geométrica da realidade como J. Russ escreveu?

King-Solomon-Russian-icon.jpg

(clic para legenda)

~~~~~~~~~~~~~~

*E vão seis (ou são só 5?): certo é que já se esgotaram os dedos de uma mão... razão da palavra lamaçal? Ou ainda, porque 4 foram meus alunos, a desonesta está-se a ver quem é...?

**Não aceitam para ninguém.

***Não que André Grabar tenha dado este tipo de solução, conceptual, mas andou lá pertíssimo (talvez mais do que todos os outros), o que é absolutamente fascinante. Obviamente que isto não é tema para uma certa escola - de artes visuais ou de concepção geométrica (o que, hélas, cada vez mais já lá vai, e hoje é da EMPRESA!). Menos ainda para doutores premium, mesmo que muitos deles tenham sido meus alunos... Se não passa de amanhã e vai ter futuro (?), se entretanto conseguirem não ser desmascarados (?), que dêem graças por passarem a ser «doutores do euromilhões e da mula russa»; que invoquem milhares de vezes o Espírito Santo, que se lembrem da Sabedoria que o rei Salomão pediu a Deus:

Tudo isso enquanto o MEC defende a autonomia das instituições tão bem sucedidas de E.S.

E enquanto há vida há impulsos...


29
Dez 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Sim, pobres coitados que nós todos somos, quando vamos pondo tudo dentro de uma única Caixinha, sem mais hipóteses...?

 

A arquitectura foi muita «coisa», inclusive "Machina memorialis" como tão bem provou Mary Carruthers.

Émile Mâle também colocou exactamente esta questão, embora de outra maneira bem diferente, referindo-se a uma materialização da Bíblia, que ficou concretizada nas formas arquitectónicas.

Quando agora todos nós escrevemos muito menos - o que desde as nossas 1ªs classes (i. e., desde os 6-8 anos de idade) sempre foi um modo de memorizar; quando agora retiramos da frente (dos olhos) muitas das coisas de que nos devíamos lembrar, e portanto se aplica o "Longe da Vista: longe do Coração!"...

Sim, com estas técnicas nossas contemporâneas de tudo ir desmaterializando - e apetecia meter aqui, agora, a Quilha da Arca de Noé...* - deste modo, é verdade que está tudo dentro de uma única caixinha (arrumadíssimo é verdade), a qual, se nos falhar, também nos leva tudo!

Memórias? Cadê? Psssssss...,

Evaporaram-se!

E o que podem ter a ver as Neurociencias, "avec:

L’évolution de nos bureaux"?

Depois, e como prova de que o ensino (e a memória) sempre precisou de imagens e diferentes «materiais didácticos», o link acima levou-nos a produções de outros autores (que não nossas), ajudando a pensar no que se anda a fazer. Neste mundo novo que andamos a desenhar/criar:

Assim, claro que esta é uma questão de Design..., e da Memória

~~~~~~~~~~~~~~

*Vinha mesmo a propósito este assunto, que é aliás bem divertido:

Já que Maria João Baptista Neto ficou muito zangada por termos aludido a essa machina memorialis (ou metáfora - a dita Quilha) na nossa tese sobre Monserrate, tendo chegado ao ponto de «nos corrigir». Ora quem ler James Murphy e o Restauro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória no Século XIX, da autoria de Maria João Baptista Neto, Editorial Estampa, Lisboa, 1997, lá encontrará, nas pp. 26 e 38, a referência a essa Quilha. E, acontece que a mesma já foi objecto de estudos (só) um pouco mais eruditos do que os de Maria João Baptista Neto. Aqui, não desfazendo, claro! Até porque aprendemos imenso com essa Professora (que fez um transporte de informações, em minha opinião fabuloso, e do qual, agora, estará arrependida?), e apenas o IADE, entre «outros», quer continuar a esconder este facto!


28
Dez 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...claro que muitas vezes já pensámos nisto*:

 

Que o IHA da FLUL nos quer colocar numa situação semelhante à de Jorge Filipe de Almeida e de Maria Manuela Barroso de Albuquerque, porém, acontece que estivemos lá, desde Outubro de 2001 a 31 de Janeiro de 2005.

E só não fizemos aí o doutoramento porque os seus responsáveis nos expulsaram: aliás, como se fossemos estranhos, talvez equivalente ao que lá ouvimos sobre Jorge Filipe de Almeida e de Maria Manuela Barroso de Albuquerque?

Só que não somos. A investigação fantástica que fizemos devemo-la aos mesmos «profs» que depois fizeram questão de nos expulsar.

Porque é assim a Ciência em Portugal!

Acontece que hoje passa tudo pela caixa, e há docs que não se deitam fora: como os gatafunhos, minúsculos, de uma orientadora que corrigiu «as provas» da orientanda (e hoje finge que a desconhece, o que pode dar jeito...)**

ConversasComDoodles

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*Até porque houve PROFs. de outras Faculdades e Universidades que nos alertaram para isto mesmo: a falta de honestidade, ou as guerrinhas ridículas que decidiram empreender

**Pois é, não tratámos como lixo (a arquitectura habituou-nos a isso!) os drafts dos nossos escritos. Sobretudo quando percebemos as enormes desonestidades intelectuais que estavam a avolumar-se e a ganhar forma: poderiam vir a ser necessárias algumas provas. Exemplo é o que Maria João Baptista Neto escreveu (e em especial o que não escreveu e omitiu) ao publicar em 2015 um livro sobre o Palácio de Monserrate. Livro que, obviamente, não vamos comprar...

Já que as Origens do Gótico (e outros temas, como explicitado por E. Gombrich) são um assunto muito  mais rico e intelectualmente desafiante


19
Fev 15
publicado por primaluce, às 00:50link do post | comentar

...dadas cá dentro, porém - na sua essência e no que têm de melhor - vindas de fora!

 

Uma notícia que nos faz pensar em Miguel Real, e no seu livro A Morte de Portugal:  

 

Eis o que pode ser uma nova esperança e boas novidades para portugueses como nós, que se esforçam por dar o seu melhor; mas que a maldade e a mediocridade também muito se «esforçam», só que

-----» é para esconder o trabalho alheio...

Aliás - note-se - nas Universidades Norte-Americanas não se brinca em serviço como é a prática de várias instituições de Lisboa: pois sejam públicas ou privadas aqui ignora-se que o conhecimento pode render (ou valer) milhões...

Os Tratados da Arca de Noé de Hugo de S. Victor que estiveram na origem da Arquitectura Gótica, segundo Grover Zinn (em 2009, ver link acima) iriam ser traduzidos para inglês. Nessa data - em 2009 (mas desde 2006-2008) - estávamos nós a chamar a atenção para esta questão e um tema riquíssimo:

Estávamos nós no auge das dificuldades que sucessivamente nos foram colocando, com cartas e pareceres, a andar com eles de trás para a frente:

do IADE para a FCT e para a FBAUL, ou vice-versa!

E - por tanto disparate junto - será que ainda vamos ver

o IADE a culpar a Fac. de Letras da Universidade

de Lisboa?!


01
Fev 14
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ou do principio até ao fim - nas áreas em que estamos e conhecemos, em nossa opinião - o Ensino Superior precisa ser controlado.

 

Pelas mais variadas razões, incluindo, frequentemente, a falta de qualidade: i. e., a ausência do SUPERIOR - que era suposto ser?

Há dias foi notícia o facto das Bolsas de Estudo** deixarem de ser consideradas despesa (do MEC) e passarem a ser contabilizadas como investimento (no PIB).

Ontem foi apresentado um estudo relativo à importância da CULTURA para  a ECONOMIA. Naturalmente que as nossas actividades profissionais, e em geral o que temos feito ao longo da vida (profissional, ou não-profissional directamente, porque as diversas actividades se integram...) mostram o nosso enorme investimento na CULTURA.

Apesar de actualmente não haver Ministério da Cultura, e de muitos viverem sem projecto de vida - por exemplo quem depende de actividades culturais (que se tornam, forçosamente, «sazonais»***); ou de haver até quem viva da Ciência e da Investigação, cuja desestruturação e carácter aleatório vem a ser notícia, nos últimos dias (ou meses e anos - para quem está atento!). Claro que a ausência desses projectos de vida, de estruturas e de organização que os enquadrem, leva os intervenientes nestas áreas a terem que se comportar, e serem vistos, naturalmente, como autênticos adolescentes...

Em suma, neste cenário genérico - mas exemplificável em vários casos, diferentes - é impossível não ver a desordem que do MEC (e outros departamentos governamentais) passa para a SOCIEDADE, e para aqueles que a constituem!  

Para já não falar, concretamente, nas situações em que cada um possa estar envolvido: nas desestruturações que das empresas e instituições, podem passar depois para a vida de cada um...

Será que ainda há quem repita aquela frase, em muitos casos acrítica e cega (ou repugnante como são algumas praxes feitas aos caloiros?) sobre "Vestir a Camisola da Empresa"?

Contra a estupidificação geral instalada, que haja inteligência e ---»

 ---» Sursum corda! 

  ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*https://www.priberam.pt/dlpo/de%20cabo%20a%20rabo

**Deixa-se um bom exemplo, de informação organizada, sobre BOLSAS DE ESTUDO:

http://www.meintegra.ics.uminho.pt/docs/ficheiros/Bolsas_de_Estudo_e_Investigacao.pdf

Lembre-se ainda que a FCT nos concedeu uma BOLSA (BD), embora só nós a tenhamos considerado como INVESTIMENTO NO CONHECIMENTO E NA CULTURA (neste blog há vários posts dedicados ao assunto).

***Alguns dirão: que emigrem! Se estão em projectos e actividades sazonais, é culpa sua! Enveredaram por caminhos vocacionais (e vidas) que aqueles que chegaram depois não querem manter...

Ouvir e ler:

http://www.canalacademie.com/ida10486-La-France-face-aux-dilemmes-actuels-de-l-enseignement-superieur-dans-le-monde.html?var_recherche=La-France-face-aux-dilemmes-actuels-de-l-enseignement-sup%E9rieur

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/dedicado-a-nuno-crato-ministro-da-62774

 


30
Jan 14
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... são os que desconhecem/desvalorizam o carácter precioso, e raro, das verdadeiras descobertas!

 

Há que saber ir além do preconceito - e também da simples aparência (de vários fenómenos e casos) -, para se poder ver como o melhor que produzimos (e aqui referimo-nos à Ciência na Investigação e Ensino Superior, e mais concretamente às nossas "trouvailles") pode ser devastador para os que estão instalados; i. e., os que actuam e se comportam como «supostas autoridades». 

(clic para legenda)

Depois, porque há muitos tipos de bullying na Sociedade, e não apenas os abusos das praxes académicas - que estão longe de ser as únicas pechas graves, ou criminosas, do Ensino Superior. De acções de bullying que, por regra, são feitas contra os que consideram ser seu dever actuar e rumar na direcção mais correcta... 

Por tudo isto é preciso um maior controle (de todos, por todos) relativamente às instituições das sociedades em que vivemos e nas quais devemos participar. 

Se todos tivessem a formação, e capacidade (útil) para discernir o correcto do incorrecto, o mundo teria mais pessoas a actuarem como Edward Snowden...

E as «supostas autoridades» cuja moralidade é muito baixa, ou até nula (quando devidamente escrutinada é frequente haver grandes surpresas), seriam assim bastante mais controladas.   

Enfim, nem sempre o que parece é...

Interessa a quem, sob a capa da autonomia, a existência de instituições muito pouco transparentes? 

http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=97983

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=137401

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/dedicado-a-nuno-crato-ministro-da-62774

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/52192.html

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*http://fotos.sapo.pt/g_azevedocoutinho/fotos/paleoantropologia/?uid=QBGMs3woQzVZZZkk6ozj


28
Jan 14
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

...grande ironia!

 

Porque sabemos estar nas nossas mãos - com «algum» apoio que tivemos do nosso orientador (que nos permitiu vislumbrar um tema e uma questão muito mais ampla) - talvez a problemática mais rica, que pudesse surgir, em estudos exploratórios, feitos propositadamente, sobre o Conhecimento, a História da Arte e a Cultura.

Grande ironia, porque esperámos que este Governo completasse cerca de 100 dias, para dar notícia deste assunto aos seus responsáveis.

Um assunto que já vinha de trás, e que já fora objecto de démarches junto de anteriores governantes: enfim, problema desses (indivíduos), da FCT e do MEC!

Em ICONOTEOLOGIA vão estar novas informações, muito explícitas, sobre o que temos defendido, com toda a veemência. 

E, claro, tanto quanto possível tentando sempre não cair no ridículo que um imenso paradoxo científico - como este tema é - pode originar.

O «ridículo» de que todos têm medo, como se não houvesse formas óbvias e evidentes, desenhos que sempre falaram, ou foram adoptados como sinais (e símbolos) de diferentes ideias, ou até de acções a desenvover*.

Mas quem está convicto, com a noção do seu dever, não receia!

~~~~~~~~~~

*Caso dos sinais de trânsito que são também uma escrita, a informar a acção

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/dedicado-a-nuno-crato-ministro-da-62774


22
Jan 14
publicado por primaluce, às 00:20link do post | comentar

Fantasias românticas são aqui não apenas as linhas escritas por Guiomar Torresão*, à espera de «um epigramma», mas também o que se veio a tornar - na sua feição actual - o Paço de Guimarães. Escrevemos sobretudo a propósito de outras «fantasias», de tempos idos (mas não há muito) que se têm mantido, vivíssimas, apesar de haver quem não dê por elas...

(clic na imagem para legenda)

No centro da página 10, de um número do Almanach Illustrado - O Occidente de 1889, está o Paço de Guimarães. Gravura que nos lembra Horace Walpole e a sua obra O Castelo de Otranto. Porquê? Talvez um dia se encontre resposta... 

Vêm depois - já o escrevemos - associado a O Castelo de Otranto segue-se Daphne du Maurier e algumas das suas obras que, com frequência, para nós representaram horas de leituras.

E depois das mais conhecidas dessas obras** (ou talvez antes?) recordamos o título The Glass blowers: que foi um dos preferidos, e que mais tarde, sempre que ensinava Vidros, era impossível não o relembrar!

É verdade, queríamos chegar a este ponto, pois para muitos vão hoje, longíssimo, os conhecimentos de Tecnologia de Materiais! Se é que algum dia os tiveram? Matérias que já não se ensinam, por duas razões principais: primeiro porque as desconhecem, sendo incapazes de as transmitir; depois, e porque seria importante fundamentar essas lacunas, dirão (com toda a certeza!) que passaram a ser consideradas inúteis. «Inutilidade» que é discutível, e a merecer, aliás, importantes reflexões e questionamentos...

Razão para também ouvirmos alguns «piropos» - naqueles dias em que insistimos com os alunos, para que nos oiçam e aproveitem a disponibilidade que existe (temos e afirmamos) para ensinar: porque estamos ali, na aula, para isso; e gostamos de cumprir com os nossos deveres.   

Porém, e independentemente de todos os  disparates que por aí vão - de ignorâncias infindáveis, irresponsáveis e repetidas, nos tempos de nonsense em que se vive, vindas de todos os lados, dos mais próximos, aos que dirigem e (des)governam; acontece que no nosso caso tivemos a sorte dessas matérias nos terem ocupado horas e horas de trabalho (ou estudo - feito com o mesmo gosto que dedicámos a alguns romances...):

Milhares de horas com certeza: feitas a conhecer, a visitar fábricas e a ensinar diversas tecnologias e materiais. Nunca ao nível da máxima especialização, pois não tínhamos condições ou preparação para isso; mas ao nível (intermédio/generalista e útil) que um arquitecto ou designer deve dominar, para depois poder saber projectar.   

Pensava-se então que o Design (e não As Artes Decorativas) era/seria a chave de muitos problemas contemporâneos: não só os relacionados com a ocupação das pessoas (na desejada industrialização do país) e dos rendimentos que poderiam auferir; mas também como modo de organização dos processos de trabalho. Ou ainda, modo para o «embelezamento dos cenários e ambientes em que se vivia»***. O que, dito de outra maneira (muito prosaica), poderia corresponder ao «envolver e embrulhar» das formas que habitualmente constituem o cerne dos motores e das máquinas, por invólucros que, ao protegerem esses mecanismos, simultaneamente também os embelezavam... por fora!

Sentidos de composição e de embelezamento que vinham desde Schinkel, e sobretudo do mais conhecido Willim Morris; e que entre nós também Raul Lino por lá passou...  

Pelos anos 70 e 80 do século XX, o Design era muito, ou era tudo? (embora hoje, quando se olha para trás, se fique impressionado com a «carga decorativista» que muitas peças ainda integravam):

O Design seria Honesto - como eram as «Lâmpadas» de John Ruskin: nunca vilão, sempre ao nível de um super-herói!

O Design - como projecto e processo de produção, pensavam alguns, e muitos desses diziam-no:

"seria sempre capaz de redimir e salvar..."    

~~~~~~~~~~~~~~

*Autora cuja existência não conheceríamos se não fosse a toponímia: i. e., se não tivesse dado o nome a uma rua no Alto do Estoril!

**http://www.dumaurier.org/

***O que por sua vez, mentalmente, nos conduz a diversas cenas compostas - ora pintadas (ou até fotografadas) por vários autores - de Josefa d'Óbidos a Cézanne; composições que nunca desligaremos da prática e know how de projecto. O que também nos lembra Alain Besançon e o seu trabalho dedicado ao Iconoclasmo (o que se pode ler na contracapa de L’IMAGE INTERDITE): "Et il entend dans l’explosion de l’art abstrait l’écho des anciens bris d’images..."Finalmente - e talvez dando razão a A. Besançon??? - tudo isto ajudou-nos a entender (e nos últimos dias a reflectir imenso sobre) o «estranhíssimo» trabalho de um aluno Erasmus:

Porque razão usou equipamentos e mobiliário repletos de elementos decorativos? Quando ao seu lado a maioria dos colegas preferiu peças e mobiliário o mais despojadas, e minimalistas, possível?

Que este post evidencie a imensa «inutilidade» das investigações

do nosso doutoramento: É o que se deseja!

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21
Jan 14
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...fez o que é normal!

 

Se muito do investimento em Investigação não mostra resultados para as Empresas, ....se (?), então desvaloriza-se - é normal - a importância das Bolsas e a da Investigação, que seria suposto promoverem e permitirem.

Quem ler isto, e não compreender, procure neste blog, que aqui não faltam explicações para se poder perceber o que Pires de Lima afirmou/questionou?

Não é estranho, é normal:

pôr fim àquilo que não se percebe p'ra que serve...?

E vejam o que aqui se escreveu exactamente há um ano:

http://primaluce.blogs.sapo.pt/90959.html 


19
Nov 13
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar
 

ÉVORA, 5 NOVEMBRO – Auditório do Colégio do Espírito Santo – Universidade de Évora

Das 15H00 às 18H00

Moderador: Francisco Pinto Balsemão, Presidentedo Grupo Impresa

 

Oradores convidados:

Guta Moura Guedes (Diretora da ExperimentaDesign)

• Rui Vieira Nery (Diretor do Programa de Língua e Cultura Portuguesas da Fundação Calouste Gulbenkian)

• António Filipe Pimentel (Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga)

• Cláudio Torres (Arqueólogo, Diretor do Campo Arqueológico de Mértola e vencedor do Prémio Pessoa 1991)

 

Vimos e ouvimos esta conferência em directo. E, perto do fim, F. Pinto Balsemão fez a pergunta que se impunha a Guta Moura Guedes - a única não doutorada da mesa: sobre quando pensava doutorar-se? Ou quando faria a sua entrada, para um doutoramento, numa das instituições de que tem sido parceira, e onde vai buscar material cultural/intelectual tão relevante? Por aí a Directora da ExperimentaDesign foi-se escusando: dizendo - com palavras que (exactamente) não guardámos - que os rituais e cerimoniais da Universidade lhe parecem estranhos...

Estamos absolutamente de acordo, mas o que sempre nos pareceu ainda mais estranho na Universidade portuguesa (talvez só nos maus exemplos?), é o vazio dos gestos e de alguns actos: a pompa do nada!? Intriga o como e porquê de se fecharem sobre si? O pouco ou nada que comunicam e dão à sociedade, especificamente? 

A forma como, frequentemente, - e esta é apenas a opinião, interrogativa de um arquitecto (interdisciplinar) - como alguns professores universitários nos dão a ouvir as maiores ignorâncias (talvez apenas próprias da barbárie do post anterior**?). Mas sempre precedidas do Caro e Caríssimo Colega, ou ainda de piropos e salamaleques basto pomposos? Ou cheios de "Vossas-Excelências-Quase-Reverendíssimas"? Para..., logo depois avançarem uma outra vacuidade, quando não um insulto?

No entanto, o que sempre nos pareceu muito mais estranho dentro da Universidade em geral, - e com o nosso caso isso «emerge» com clareza - é o conceito de autonomia: Que no mínimo - aparentemente não chega a definir objectivos... - surgindo como uma autonomia, sem qualquer, ou a correspondente, responsabilidade?

Como é possível alguém estar mais de uma década à procura das Origens do Gótico sem resultados? E quando aparece quem ajuda a avançar na questão, e, enfim pode dar contributos; quando a própria Orientadora dá/deu o seu melhor, e se empenha/empenhou: depois, face aos resultados (hiper) positivos, a questão é escondida?

E num trabalho que foi conjunto, 8-10 anos depois a Orientadora toma o trabalho da aluna como apenas seu? Como se a aluna tivesse morrido? Ou está a ajudar a «matar» (?) já que a aluna foi fazer o Mestrado para progredir na Carreira Docente, e não para que lhe escondessem o trabalho? 

O trabalho de uma investigação para a qual a Orientadora  contribuiu, insistentemente, com o tema das Origens do Gótico, e nada - ou muito pouco, que nos lembremos...? - sobre Artes Decorativas?

De Schinkel, para dar apenas este exemplo mínimo - e porque sempre trabalhámos em equipas que projectavam e construíam (obras reais de pedra e cal...) - assim, nós habituámo-nos a saber identificar os nossos contributos, em cada tarefa, em cada colaboração. Assim, sobre o referido arquitecto e designer alemão, num dia, antes de 2005, Maria João Neto lembrou esse contributo, evidenciando o que lhe ensinámos...

Tinham sido migalhas: impressões vagas de uma exposição vista no Victoria & Albert Museum (http://yalepress.yale.edu/reviews.asp?isbn=9780300051650), talvez 10 anos antes?

Daqui, publicamente, exortamo-la a que não se limite às Artes Decorativas de Monserrate: e que use da autonomia que caracteriza o Ensino Superior; que, doutoralmente, pois é esse o seu grau - ou como Guta Moura Guedes (alguém de mão-cheia para iniciativas profícuas) - que pegue no tema que tão empolgadamente nos passou. E que, quase se poderia dizer (?) «obrigou» - com o maior prazer! - a que lhe déssemos solução.

Sabe, melhor do que qualquer outro PROFESSOR DOUTOR do Ensino Superior em Portugal, que ampliámos muitíssimo o seu tema: mais do que se poderia esperar.  Não vamos pedir desculpa, nem pediremos... por mais tempo que passe!

Embora, por isso mesmo, haja imenso que fazer, para cabalmente se apresentar a questão: investigação, tradução, iconografia a organizar, e mais ainda livros a publicar - que Portugal pode exportar!

E isto não é para ser a rimar, a lavar roupa ou a sonhar acordado! Nem são as histórias tradicionais (de «meninas estudiosas») dos anos 50-60 em que nascemos: 

Se parecem "Le Pot au Lait de Perrette" e "O Pote de Azeite de Mofina Mendes", é isto agora a Economia de um país da Europa, no século XXI: que, está-se a constatar, não se pode limitar à exportação dos Sabores do Pastel de Nata - se pode produzir, para exportação - os Saberes da História da Arquitectura!

Mais, que pode/deve cumprir os acordos internacionais em matéria de Conhecimento: que certamente existem (?), devendo devolver (parece) os avanços que foram feitos, com investimento vindo também da Europa.

Investimento que, respondendo a F. Pinto Balsemão e ao Expresso: nós temos a certeza, é mais uma boa ideia.

Lembre-se um texto do sábio Caramuel Lobkowitz sobre o Gótico***: que, quando lho li, permitiu (a Maria João Neto) confirmar o que durante meses, várias vezes, vinha dizendo

*Note-se, sobre as expressões em voga, que vão desde «a paixão pelo ensino», à «geração melhor preparada, como nunca antes houve», por nós sabemos "de experiência feita", o recuo instalado no ensino superior, na área que conhecemos. O nível medíocre que, tão silenciosamente alastra - "em mancha de óleo" - a fazer lembrar a construção clandestina depois de 1974; ou a ausência de regras (e de PDMs) actuantes, até meados dos anos 80. Link da notícia: http://www.imprensaregional.com.pt/diariodosul/pagina/seccao/1/noticia/3412

**Ver em: http://primaluce.blogs.sapo.pt/172408.html 

***Ver em Caramuel LOBKOWITZ, Arquitectura Civil Recta y Oblicua, en La Imprenta Olispal, Vegevan, 1678, p. 78, ARTCVLO XII

http://www.evoracity.net/noticias/ultimas-noticias/602-evora-patrimonio-como-ancora-cultural

http://expresso.sapo.pt/e-urgente-gerir-bem-a-cultura=f840429

http://areas.fba.ul.pt/fh/CIEBA.pdf

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/

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