Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Nov 13
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Post dedicado a MJN no último dia de um mês em que lhe pareceu adequado tratar "As Artes Decorativas nos Interiores de Monserrate"!

 

Porque além das Origens do Gótico - tema que era seu e tudo fazia para os seus alunos o investigarem - também nos pôs a nós a escrever e a pensar na "Quilha da Arca de Noé".

Parece a maior maluquice, mas não é! Maluquice aqui, se existe, é o funcionamento da Universidade em Portugal? Pergunta-se face ao que se vê: o anómalo - e a anomia - que parece habitar a mente desses intervenientes?

Voltando à Arca de Noé, é preciso que se saiba que no passado, pelo menos há 2.000 anos (antes e depois disso...),  se misturaram estórias, quiçá verdadeiras histórias (?), com lendas. Ou ainda, a combinação dos elementos da "realidade natural" - inscritos nos estilos clássicos: por exemplo os Elementos da Natureza e da Biologia, que tinham sido estudados, concretamente por Aristóteles, e que foram depois fundidos com outros elementos, alguns ficcionados. E ainda fundidos com desenhos e iconografia que hoje se julgam totalmente abstractos, mas que resultaram de idealizações, analogias, alegorias e metáforas, ou outras correspondências, de «carácter platónico»: que tinham o objectivo de criar/fazer conhecimento como sucede com os tropos.

Todas essas sínteses de ideias, feitas concreção, como Hersey explica tão claramente, foram passando à Construção, que assim se transformou em Arquitectura: depois das obras dos romanos, ficaram plasmadas na arquitectura Paleocristã, e mais tarde transitaram para os Estilos Medievais. Estilos que, gradualmente, se tornaram platónicos, e repletos de metáforas: verificando-se cada vez mais - em tempos que foram de um imenso misticismo cristão - terem estado, de um modo quase inverosímil, que hoje é inacreditável, completamente desligados do real (que tinha sido "aristotélico"...).

A Quilha da Arca de Noé - que poderá parecer «a grande loucura»... - foi uma metáfora riquíssima (e interessantíssima, pelo que agora permite ajuizar sobre o passado), que ficou inscrita, propositadamente, na igreja românico-gótica

MJN é Maria João Neto, falou-nos nisso enquanto orientadora e nós repetimo-lo: por parecer que um dia teria feito algum sentido, tal como as designações Nave, Pronaus, etc.

Fez e ainda faz*! Embora diferente do que pensámos...

E hoje - que a nossa «ex-orientadora» se mudou para as Artes Decorativas de Monserrate (abandonando os temas em que nos fez trabalhar...) - nós sabemos como a Quilha da Arca de Noé «estruturou» a igreja românico-gótica. Não apenas fisicamente, na edificação - mas também na Instituição Universal com sede em Roma - como inseriu nela todo o passado, e todo o Saber antigo!

O seu tema - As Origens do Gótico - que em 2001 era tão importante investigar, o qual impingiu (embora eu vá agradecendo que o tenha feito) a vários orientandos**, talvez porque já se descobriu, agora deixou de a interessar...?

Mas, há que questionar: deixou de a interessar a si, pessoalmente? Ou à Universidade de Lisboa, à Faculdade de Letras, e ao Instituto de História da Arte? É assim que a Universidade de Lisboa funciona? Ao sabor e bel-prazer dos Professores? Não há Programas nem Objectivos pré-definidos? É apenas o «diletantismo» que faz avançar o Conhecimento***

Perguntas sem resposta desde 2005-2006, que dão sentido ao post de ontem, a vários anteriores, e a todos os que estão para ser escritos!

O que, neste tempo seco, nos lembra uma frase óptima: um retrato perfeito do Ensino Superior preconizado para o Instituto de História da Arte, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa:

Olhe..., vá ali ver se chove!?

~~~~~~~~~~~~

*Ver em Monserrate uma nova história, Livros Horizonte, Lisboa 2008, p. 41. Onde consta, claramente, A Quilha da Arca de Noé (são várias alegorias) que a Idade Média prodigalizou.

**Acontece que os orientandos, nas Escolas a que pertencem, não estão livres ou sequer têm condições de prosseguir as descobertas feitas. Independentemente das mesmas serem como verdadeiras chaves, que ninguém deitaria fora, pois permitem compreender o passado, como nem sempre é possível! Neste caso, independentemente da máxima utilidade que teriam para expandir a criatividade. Algo «inútil» como é sabido (!) - chaves de códigos e de ideias, que por isso se deitam fora!

***Embora questionemos, sabemos a parte de prazer e de gosto que faz avançar a Ciência. Porém não se aceita que esse gosto seja inconsequente! Que se perca o gosto pela Ciência e pela Investigação exactamente depois de ter obtido respostas!

Não será este comportamento destrutivo da Universidade, mais uma razão - a acrescer ao abate de Barcos, ou aos subsídios para não fazer Agricultura... - para a Crise que vivemos?

Esconderem-se os Talentos que deviam render?

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