Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Mar 15
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

O Sapo introduziu uma série de alterações aos seus blogs, e com isso danificou, ou cortou o nosso perfil público escrito há cerca de 5 anos. No que se segue mantêm-se os dois parágrafos iniciais, o restante é novo.

 

"Arte, Arquitectura, Design, Ensino, Património, Sintra, Palácio de Monserrate, Baixa-Pombalina, Lisboa, Centro-Histórico do Porto, Viana do Castelo, Vale do Douro e respectiva arquitectura. Influência inglesa e Arquitectura Georgian, Londres e Arquitectura Victoriana.

Glória Azevedo Coutinho é arquitecta e professora no IADE desde 1976. Em 2005, na FL-UL, terminou um mestrado sobre o Palácio de Monserrate."

Esse trabalho que foi defendido sob um prisma historiográfico (muito relevante) e sob o título: A Propósito do Palácio de Monserrate em Sintra - obra inglesa do século XIX – Perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica, foi publicado pela Livros Horizonte com uma designação bastante mais genérica que escolhemos, pela respectiva abrangência: Monserrate uma nova história.

As duas designações por razões óbvias são-nos muito caras, podendo dizer-se que são também complementares: havendo materiais totalmente novos que aqui em Primaluce se têm apresentado, quer na continuidade do trabalho feito antes de 2005; quer avançando como estava previsto fazer no Doutoramento (cujo registo é de 2006) com o seguinte tema: Sinais do Espírito Santo na Arquitectura posterior ao Cisma de 1054 e as suas sobrevivências.

Agora acrescenta-se que um outro objectivo deste post, além de relembrar as intenções de Outubro de 2010, é insistir nos "themas" que constam no primeiro parágrafo:

Porque a  Arquitectura Georgian está em Portugal com uma força que poucos identificam ou menos ainda (re)conhecem... Mas, sobretudo, pela sua enorme beleza que tivemos a sorte de compreender, e cada vez mais admirar.

Esteticamente sofreu influências de David Hume e de vários outros Filósofos seus contemporâneos, em geral ingleses, que, felizmente discutiram o Gosto - usando a palavra "taste". Palavra que talvez traduzíssemos muito mais por sabor? Mas aqui esse vocábulo importa pouco - e, aliás, note-se, não é nada desadequado - na medida em que o Gosto Visual e o Paladar são completamente equivalentes. Mas esse seria um outro thema, para um outro dia (e talvez mais para a Psicologia e as Neurociências?).

O certo é que no século XVIII já alguns concluíram que algumas formas eram bastante mais «simpáticas» do que outras, e assim produziram inúmeras obras que, além da tal beleza, geralmente reconhecida por todos*, são muito tocantes: mais, para nós elas têm a qualidade (ou, aqui o aforismo?) de, de vez em quando nos «piscarem o olho», quando sobressaem e ficam valorizadas na paisagem urbana.

Há dias, saindo do IADE e percorrendo a 24 de Julho, tivemos a sorte de nos podermos deliciar** com as imagens seguintes. Num outro caso, ontem, ao escrever este post e procurando em sites da internet informações sobre a arquitectura georgian, nalgum desses encontrámos aquilo que muitas obras inglesas setecentistas exibem - de uma maneira que é por demais evidente, por exemplo, na imensa mansão que foi de Mallborough, o 1º Duque, chamado John Churchill, antepassado do mais conhecido Winston Churchill.

Referimo-nos a Blenheim Palace em cujos vãos, no design dos rectângulos que os constituem, está, mais do que notória, a aplicação de regras geométricas que conseguiram conferir a esses mesmos vãos uma enorme beleza. A obra foi projectada por John Vanbrugh, arquitecto de nomeada, que também chegou a colaborar com Christopher Wren***.

Os vãos seguintes são só para especialistas, pois embora não tendo rectângulos directamente visíveis, não deixam de ter - talvez cerca de 100 anos depois, como acontece em Monserrate (na casa que ainda hoje se pode ver), ou nas histórias das irmãs Brontë - um cheirinho Georgian, que é mais do que residual.

Ou, - a desafiarmos o olfacto e o paladar - muito mais do que aqueles restos que no fundo do tacho, ainda conferem um cheiro e um sabor que alguns conseguem detectar...

Mas, isto é tudo, e cada vez mais só para alguns, como as fotografias que se seguem: 

DSCN5692.JPG

DSCN5694.JPG

(clic para legenda)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Frequentemente pudemos verificar (Casa Décor) que os alunos de Design Ambiental, para projectos de carácter doméstico, seguiam exemplos que não eram senão casos neo-georgian 

**Sim, verdadeira delícia para os olhos, como um óptimo café, ou um bolo de chocolate...  

***Ver em Monserrate uma nova história, p. 29.

Por fim, ao terminar um post como este de hoje percebemos que nos tenham feito tudo (e tudo o mais que pudesse também teria ainda feito...) para nos complicar a vida. Está-se a ver aquilo que ganhou com isso, sobretudo a Charlotezinha: aquela menina, tão desprotegida que, de mão dada à sua preceptora (nos lembra as histórias das irmãs Brontë, e em vez de preceptora poderia ser tia ou madrinha...); enfim, desprotegida lá foi fazendo todos os «exames» para chegar ao top dos tops de uma carreira tão sui generis. Isto é, muito original pois feita sem nunca sequer ter frequentado uma escola superior! Et pour cause... quando tem que solucionar os problemas (que criou), hiper-imaginativamente lá sai dos parâmetros do Ensino Superior, deixando-nos todos estupefactos,

"et ... bouche bée"...

Vem então a calhar uma história parecida, e sendo uma mulher, ficou-se pela vice-reitoria


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