Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
17
Jan 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

No ano Europeu do Património, e quando o país está cheio de turistas que vêm certamente muito mais pelas paisagens e pelos vários patrimónios visuais que lhes vamos dando*, finalmente está-se a perceber (talvez, quem sabe, ainda não é assim tão certo?, pergunta-se com ironia) que a Cultura pode ter algo a ver com Turismo? Que devem existir visões transdisciplinares da Ciência e do Ensino (que devia ser mais) Superior em prol da Economia?

É que ainda não esquecemos, nem há razão para esquecer, "o trabalhinho tão esmerado da FL-UL e da FBA-UL" para o silenciamento dos nossos estudos dedicados ao Património:

Não esquecemos como se vai a uma Universidade para progredir na Carreira Docente, e se sai de lá - à conta de Docentes que nunca a decência deveria deixar que existissem... - com um imenso atraso de vida!

Monserrate permitiu-nos compreender o significado antigo, de raiz religiosa, das formas que estão desenhadas, por exemplo, na grade do portão (fotografia abaixo). Desenhos que no século XIX, de alguns se sabia (ainda) tinham sido como caligrafias apostas nas paredes das obras medievais; porém, que de muitos desses sinais já se tinham perdido os respectivos significados.

P1010089Monserrate.jpg

Será que o ERIHS.PT, a nova »plataforma» dedicada ao património é só para os apoios em estudos laboratoriais, diagnosticando os comportamentos físicos e químicos? Ou pretende ser uma base de informações bastante mais completa? Onde, inclusivamente, os significados das formas antigas devem constar, como nos dicionários de símbolos, mas mais acessível (e prático)? Porque, enfim, é essa afinal a importância (valor básico) do que se considera ser uma Obra de Arte. Saber para que se fez, com que objectivo: para memorializar, ou celebrar, ou contar, mas o quê? E os signos visuais que cada uma dessas composições tem agregados ou sintetizados (sejam flores, animais, números ou «arabescos», são alegorias? Alusões a quê, a que factos, a que ideias...? 

Poderá o ERIHS.PT fazer avançar o conhecimento das obras, em Portugal? Avanços no Saber, e uma consequente maior produção escrita, para exportar, como a maioria dos países europeus faz? Enfim, para ser útil ao desvendar de sinais supostos «enigmas/códigos secretos», de que alguns vivem sedentos, e lhes chamam símbolos? Encontrando-se por isso, por aí, inúmeros autores/romanceadores» que a todos, eles nos dão água, muita água, mas nunca matarão a sede (e toda uma imensa curiosidade, que é fundamentada...).

Porque é exactamente essa sede que lhes garante os imensos lucros vindos dos best-sellers! Já que os designados códigos secretos, são, tão só, sinais (visuais) da cultura cristã**! A que chegou a ser de todos, mas depois de abandonada, também deixou todos incapazes de compreenderem uma infinidade de imagens que ainda agora nos rodeia. Imagens que hoje as leis nacionais, e internacionais - através da UNESCO - determinam como sendo valores concretos: patrimónios materiais, que, legalmente, é obrigatório preservar.

Será que podemos contar, de futuro, com abordagens ao Património de um modo mais condizente com o seu real valor? O valor Cultural, mas também o Científico (que são conhecimentos da área da Antropologia)? Nesta nova Economia que estamos a viver - a que chama turistas e está a aumentar o conhecimento mútuo dos povos?

São agora muitas as notícias sobre a nova plataforma (https://www.dn.pt/lusa/interior/ano-europeu-do-patrimonio-abre-da-melhor-maneira-em-evora---ministro-da-cultura-9037422.html).

Veremos então (?) se os responsáveis percebem que as obras materiais têm atrás de si, ou subjacente, uma imensidão de Patrimónios Imateriais que a laicização das sociedades - para o bom e para o mau (há que o dizer!) -, naturalmente tem criado.  

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Também aquilo a que chamam vintage (e se percebe que para os de fora é um verdadeiro "picturesque", que os fascina)

**Será que os referidos «romanceadores» começam por explicar o que é um Símbolo da Fé? E que foi no contexto do Cristianismo que mais se falou em Símbolos? Que esta palavra - Símbolo, e Símbolo da Fé - é indissociável dos primeiros tempos do Cristianismo, de muitos questionamentos dogmáticos?


mais sobre mim
Janeiro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
13

16
18
19
20

21
22
24
25

29
30


arquivos
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO