Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Dez 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Saberão que esse foi o titulo de um artigo de Ricardo Costa, a glosar um comparatismo iniciado por Vasco Pulido Valente, mas que, afinal, como metáfora nada tem de novo. Porque tem séculos, lembrando a «Machina memorialis» de Mary Carruthers.

 

Um livro que consideramos extraordinário, pois em geral, sendo tão difícil e abstracto conseguir pensar o pensamento (e mais ainda as suas representações escritas/visuais); de facto, foi a isso que no caso deste livro - Machina memorialis - a autora se dedicou em mais de quatro centenas de páginas. Demonstrando assim o processo de fabricação, na Idade Média, e até antes, de inúmeras peças do que hoje se chama Iconografia Cristã.

"On peut aussi désigner du nom de « machines» les constructions mentales, et c’est cette utilisation-là de la métaphore qui m’intéresse essentiellement ici. Dans une de ses lettres, saint Augustin rappelle la maxime de la Première épitre aux Corinthiens (VIII,1) : «Scientia inflat, charitas aedificat», la science enfle; c’est la charité qui édifie». Ce verset est une reprise du trope paulinien selon lequel la pensée s’assimile à la construction d’un bâtiment (constitue, en ce sens, une «édification»). Augustin ajoute ensuite le commentaire suivant: « La science devait être utilisée comme une sorte de machine grâce à laquelle il est possible d’édifier la structure de la charité, laquelle durera toujours, même quand la science sera détruite. ,» Grégoire le Grand, invoquant la même figure, déclare quant à lui que «la machine de l’esprit est l’énergie de l’amour» grâce à laquelle il est permis à notre âme de s’élever dans ce monde-ci. Cette «machine» est la contemplation, qui pousse l’âme humaine à s’élever. Implicite dans cette définition est l’idée, bien sûr, que la «contemplation» est aussi un acte inventif, une «construction»."*

A imagem seguinte está repleta de alegorias (visuais e não só), também de sinais que ao serem empregues, metaforicamente, embora constituam uma cena que podemos ver, apreciar e comentar, vários desses sinais estão presentes pelas suas correspondências (que se tornou comum estabelecer) e como substituição de outras ideias:

A barca pode ser vista como «machina» que representa a Virgem - Mãe de Cristo, Salvador do Mundo (como consta na legenda do livro de onde se retirou a fotografia de um Marfim de Goa**).

MARFIM-CRISTO-SALVADOR.jpg

MARFIM-CRISTO-SALVADOR-2.jpg
*Mary Carruthers, Machina memorialis, Méditation, rhétorique et fabrication des images au Moyen Âge. Éditions Gallimard, ler página 37. Um livro que se aconselha vivamente aos Profs do IHA-FL. Também aos do IADE, se para isso estivessem dispostos: i. e., para compreender o imaginário colectivo - aquilo que é, e as suas raízes ancestrais...

** Ver em Christian Art, por Rowena Loverance, The British Museum Press, London 2007, p. 196.


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