Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jun 16
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

... pois são muitas as interdisciplinaridades que se «atravessam» (ou atravessavam) na Arquitectura. Num tempo em que a formação de um arquitecto não era o «afunilamento temático» a que se assiste na actualidade, em função de parâmetros e rankings.

Mas sim a preocupação de dar ensinamentos amplos, como ferramentas e uma preparação consistente, necessária a um profissional, para o futuro.

 

Com a Arquitectura e com o Ordenamento do Território Urbano é muito o que se cruza, como alguns de nós temos a sorte de o saber. Por isso, é verdade, são sempre várias as leis que importam*.

Ou seja, não apenas as que fazem/desenham o território, mas as que, inteligentemente, tratam do ordenamento do território em função das pessoas. Seja qual for a escala..., e isso é ECONOMIA.

Claro que não vamos entrar em mais uma área disciplinar, ou «defini-la», mas lembrar como na nossa formação tivemos que saber disto.

Porque, quando desde o fim da década de 60 até meados de 70 frequentámos a ESBAL, também tivemos professores que por essa altura estavam a conhecer e a colaborar em todo o empreendimento que constituiu a construção do Porto de Sines: a sua refinaria, a ampliação da Vila Alentejana e as respectivas acessibilidades.

Resumindo, estava a criar-se um novo pólo, de enorme importância para o futuro (também Económico, Industrial) do país. E isto, idem aspas, mutatis mutandis, é aplicável ainda agora (e cada vez mais) aos Centros históricos das Cidades. Independentemente da área territorial em causa poder ser menor, ou o número de pessoas poder ser muito maior (e também menor - o que aliás depende da densidade da ocupação humana desses centros citadinos?).

Normalmente - na nossa geração - um arquitecto (que se preze, da sua formação e do seu título profissional) entende que um centro histórico não é coisa vazia; cenário para turista ver, depois de expulsos os habitantes.

Esse profissional (detentor de uma visão globalizante) entenderá, como supomos, que se a Arquitectura e o Design devem (querem?) estar de mãos dadas, em paralelo, ou concomitantes com (aquilo que agora parecem ser outras áreas, mas nunca foram) a política e as decisões que vão sendo tomadas para o futuro das polis e o bem comum de toda a sociedade? Para esse profissional isso não será, decerto,  para criar, apenas, «um pinturesco de inglez ver»? Parece-nos, e ainda o dizemos em tom interrogativo?

Parece-nos, e tentamos manter esta (aparente) veleidade: a de querer pensar como aprendemos... já que ainda não vimos surgir nada de melhor...

Parece-nos..., é mais do que desejável, que esses centros se integrem (e participem) em sociedades saudáveis; que por isso têm de ser melhoradas! E se são um todo - as pessoas e o edificado?, - então têm de ser melhoradas para as pessoas terem o melhor: a máxima dignidade e condições de vida adequadas.

Que os cascos urbanos que suportam as vidas dessas pessoas, não sejam apenas «carapaça atractivas» - a existir só visualmente!

A funcionarem como cenários degradados q.b. (ou até quanto mais melhor), e assim a serem meros chamarizes de encher o olho ao turista, porém incapazes de prover as condições de humanidade, essenciais, para a vida que aí decorre.  

Claro que a multidisciplinaridade é aqui mais uma ênfase (sobre um ensino que é cada vez mais podre e reduzido); porque o artigo referido em nota foi o principal impulso, há que o dizer, base deste post.

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*Artigo sobre: Porto é "cidade sem lei", - e as aspas estão já no título do artigo - como diz o Presidente da Rede Anti-Pobreza de Portugal. Ainda bem que estudámos Sociologia num Ensino Superior que já não há, e que ainda fomos a tempo de ser sensibilizados para visões mais inteiras (e não reduzidas) da realidade. A ler em:

http://24.sapo.pt/article/sapo24-blogs-sapo-pt_2016_06_10_280448550_porto-e--cidade-sem-lei---diz-presidente-da-rede-anti-pobreza-de-portugal


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