Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jan 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Se o título de hoje lembra a obra de Ruben A. que é O mundo à minha procura, desculpem, mas o assunto é outro. Ainda...

 

Porque mais uma vez está a vir ter connosco, e a dizer:

"Sim, é contigo! Tens que lembrar, ensinar, pois talvez não tenham a formação dos diplomatas e a dos hábeis (habilidosos, artistas) que aprenderam a dominar os contrários e a apaziguá-los! A fazê-los inter-conviver,  como numa grande parede - por exemplo no painel "Começar" de Almada Negreiros, que está no Átrio da Gulbenkian...! Tens que ensinar o que é, e para que serve a Arte..."*

Porque as Artes que ficaram para História como Belas-Artes, e são o oposto das Malas-Artes (de um Pedro Malazartes, que sem habilidade nenhuma era aselha!). Essas Artes vêm da raiz latina - Ars. Enquanto pelo lado grego, a mesma palavra é/era Technê, e originou a actual palavra Técnica ...

Por isso todos se baralham, constantemente, entre Técnica e Arte

E o MURO DE BERLIM - que a população da vila da Batalha está a ver, e cheios de razão, eles vêem o seu mal: Falta de habilidade, muita aselhice: Sem qualquer Arte!

Por ser um muro de betão demasiado técnico, que se ergue despudoradamente, sem qualquer cuidado (ou ARTE?), em frente de um Monumento Nacional (MN), que por acaso também consta na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Claro que só estou ver daqui, a história que a rádio, e a televisão, estão a mostrar, ficando a sorrir, e a pensar.

Porque é imensa a ironia, tanta estupidez, sobretudo quando vinda dos que se consideram, sobejamente sábios!

A lembrar-me de todas as mnemónicas (ou os links?) que a vida nos últimos anos me pôs na cabeça, ou à frente dos olhos: tudo isso à minha disposição, para vir a ser útil em projectos... Porém escondido! Às ordens da FL-UL, do IHA-UL, da FBA-UL... Tudo "well", mas revelador de tão pouco!

Por isso a lembrar-me também da senhora professora que muito me ensinou, mas depois, furiosa, atirou "com a Ciência toda para baixo do tapete". Fazendo-se Comissária de Monserrate. Será lá que se sente bem...?

E o Mosteiro da Batalha que 200-300 anos depois de construído influiu na arquitectura inglesa de 1700 e 1800, não pode influir agora no muro que lhe vão pôr mesmo à frente?

Não digam que não, que é só técnica, pois vão fazer-nos recordar as habilidades de Centeno e de Costa! E claro, as Malazartes da nossa ex-orientadora!

Nesta dialéctica passado futuro, prova-se que um muro barreira acústica pode ser grelhagem de cortiça, de ferro, e um green project! Ou será mais green wall, jardim vertical?

A resposta é que claramente deve ser obra de Arquitectos e obra bem pensada! E se há espaço para fundações de paredes contínuas, maciças e pesadas, melhor ainda para se colocarem grelhagens semi-abertas...**

capa_JamesMurphy 001.jpg

Alguns dirão (?) que ideia tão perversa a da Arquitecta AC! Que interesse tem para os arquitectos (ou engenheiros), saberem usar em obras actuais, e em estruturas leves, a iconografia antiga? Para depois um dia, esses arquitectos poderem «tirar da manga», ou de um dicionário visual, toda uma panóplia de formas iconográficas (antigas) capazes de ajudar a resolver diversos problemas.

E a resolver muitíssimo bem, dizemos nós, porque sabemos e o demonstram as grelhagens absorventes acústicas.

Ou dirão ainda mais: O problema existente na estrada que passa em frente do Mosteiro da Batalha, nada tem a ver com o passado! Que ideia tão parva, poderem os arquitectos vir a saber o que Pier Luigi Nervi sabia!? E o que lhe permitiu ser autor de obras tão interessantes e tão bonitas?

Que ideia tão parva, poder fazer uso da iconografia que em Inglaterra é tão frequente - talvez por ser um país monárquico, e essas formas/imagens continuarem, consciente, ou inconscientemente associadas à realeza? Iconografia que é vocabulário visual antigo, fornecedor de módulos e de métricas que por cá se desconhecem, propositadamente, embora pudessem ser da máxima utilidade para obras contemporâneas... Não fora estarem às ordens de quem pode, e logo manda, não contribuindo para ligar as obras antigas às soluções de hoje!?

Às ordens de quem tem vistas curtas, ou desconhece (e esconde?) como a profissão da Arquitectura se fez sobre a Arqueologia e a História...   

Daqui lembramos - a arquitectos e a historiadores - que se julgam que há uma primazia ou um ascendente da História da Arte sobre a Arquitectura (?) estão bem enganados. Sobretudo da História da Arquitectura.

A complementaridade é essencial, pois alguns métodos de investigação necessitam dos métodos da História; mas quando se toca na que é a mais importante disciplina da arquitectura - que é a Geometria -, aí são os arquitectos que têm que demonstrar aos historiadores como a Geometria é (foi no passado) o equivalente a uma gramática das formas.

Como mostram várias obras contemporâneas  pode fazer sentido dar dignidade às edificações (e não apenas imagens, ou fachadas bonitinhas) com recurso ao vocabulário formal antigo. Não é fazer pastiches, é pôr recursos da História da Arte empenhados em ligar o passado e o presente. Lembrando aqui o "Less is bore" de Robert Venturi

Por isso a pergunta: será tarefa exclusiva dos arquitectos terem investigação nos seus gabinetes, para proverem o vocabulário mais adequado às obras que devem dialogar com os monumentos mais antigos e valiosos? Ficamos todos nas mãos dos Gabinetes de Arquitectura mais ricos?

Ou, uma das maiores utilidades da investigação em História da Arte é dar à sociedade, à Cultura contemporânea, informações e recursos vindos do passado, para serem úteis hoje, já que se projecta para o futuro?

E da biblioteca de Birmingham vem mais:

http://www.libraryofbirmingham.com/article/librarymembership/catalogue

Já que, dos nossos arquivos, poderia vir muitíssimo mais - um imenso Glossário Visual -, se o nosso trabalho tivesse sido devidamente referenciado (e não escondido como tem sido feito): Esconde-se em prol de um passeio de vaidades, que se recusa a devolver ao país o que o país produziu (e portanto lhe pertence).

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*Até porque as hipóteses de ensinar, e as de explicar aos que hão-de vir, estão cada vez mais reduzidas...

**Estamos a dar ideias, como felizmente, demos tantas para Monserrate


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