Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
19
Jan 15
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... já deste ano, têm vindo lembrar que a História é uma disciplina e são conhecimentos do passado, de que não se pode prescindir:

Porque são essenciais, lições para o presente.

 

Claro que sabemos, e têmo-lo escrito - que para o caso da História da Arte os mais simples historiadores, «desarmados», ou quiçá (?), talvez apenas preparados para definirem se uma obra é bonita ou feia. Isto é, se as proporções do espaço - e aqui «armados em arquitectos» - resultaram ou não numa "bela espacialidade"? Com estes seus comentários demasiado simplistas, e, esquecidos (ou ignorantes) de que a arquitectura é sempre junção de muita coisa; mais do que apenas a beleza das proporções.

Enfim, progredindo na exposição da nossa ideia, vê-se que os simples historiadores - e concordamos que não esqueceram os contextos temporais em que as obras nasceram (ao menos valha-lhes isso, pois por aí ainda transmitem muitos conhecimentos...); mas, concordem eles ou não (?), estes autores dos dias de hoje esqueceram-se que as obras foram como verdadeiros manifestos. Que foram marcas de um tempo e de acontecimentos que deveriam por isso ser relembrados no futuro, através das próprias obras. 

Ou ainda, que nessas mesmas produções, grandes como as edificações (mas também nas de menores dimensões, ou seja qual for o tipo de obra, mesmo à escala de objectos manuseáveis), neles foram inseridos elementos - alegorias (ou alusões mnemotécnicas) - para que, a outros níveis, esses elementos pudessem lembrar a fé daqueles que em geral frequentam os Templos, e neles meditam ou contemplam (a meditatio e a contemplatio de que escreveu Mary Carruthers*). Elementos que serviam para lembrar a fé, e elevar o espírito de cada um, ao que se «supunham» ser as realidades divinas (das crenças que professavam).

Em suma, os historiadores ensinam-nos muito daquilo que é a sua especialidade, mas, quando chegam à Arte - ou, ao que foi a habilidade de resumir e exprimir ideias nas formas dadas aos materiais. À habilidade de conseguir derrogar/deformar desenhos, para assim os conseguir acomodar em espaços concretos e limitados; isso que foram os ornamentos ou «motivos» - como lhes chamava Robert Smith - postos em espaços planos, de pequenas dimensões, ou numa imensa tridimensionalidade. Esses elementos, que os historiadores memorizam (se outros lhes ensinarem) e que desconhecem, por total impreparação, em muitos casos, essas formas arquitectónicas hoje lembram-nos S. Paulo.

Sim o mesmo da Estrada de Damasco...**! Pois em geral as formas de que estamos a escrever, os historiadores do fim do século XIX, e ainda muitos do início do século XX, tentaram, e em geral conseguiram, responder e explicar. Também é verdade que esses ainda sabiam (muito mais) e eram muito mais completos e transdisciplinares do que os actuais.

Já que - como se lê em vários autores - a Teologia, ou a Matemática e a Geometria, eram conhecimentos (não atomizados) que ainda detinham... 

Mas, os historiadores actuais, serão as circunstâncias (ou muita «presunção e arrogância» relativamente ao que vinha de trás?) que os tornaram desconhecedores: não sabemos, e nem sequer somos historiadores... Apenas vemos e lemos (o que se detecta directo das obras) que eles em geral vêem, demais, mas, teleologicamente. Isto é, para a frente, no caminho que supõem a História dos Objectos Artísticos veio a realizar...Esquecendo-se que as Artes Liberais eram os Conhecimentos de outrora, os que portanto deveriam (pela lógica) ter ficado registados nas obras. E, aliás, de facto ficaram. 

Mas hoje, lendo agora os textos dos historiadores contemporâneos, vê-se, pelo que escrevem, ou pelo que se perguntam e exigem aos autores de há 200 ou 500, o que lhes exigem que tivessem cumprido. Por exemplo, exigem que tivessem sido «progressistas» - «pontas-de-lança» de uma qualquer ideia que posteriormente se tivesse concretizado ou reforçado.

Não lhes admitindo, em geral (aos autores de há séculos atrás), algumas das variedades de opções e de escolhas que fizeram nas soluções que tomaram; e, claro, também nas obras que construíram. 

Em suma, transpõem (sem qualquer direito para o fazerem, como a nós nos parece?) o que eles próprios - os historiadores nossos contemporâneos - consideram terem sido de facto os avanços históricos, nas configurações da arquitectura. 

Depois disto, e de acordo com estas suas perspectivas, chegam a escrever que os autores de há 500 anos retrocederam a soluções e a modelos mais antigos! Que não foram modernos!***

Mas há o direito de ensinar História - da Arte ou da Arquitectura - assim? Claro que assim não admira que um trabalho (e uma postura como a nossa) seja escondido... Pôr em causa metodologias obsoletas, ou as evidências que entram pelos olhos dentro - como esta em que o rei vai nu - é muito complicado  

Por nós, e ainda antes de terminar como se começou, perguntamos se têm esse direito: o de interpretar, como fazem, abusiva e muito erroneamente o passado?  

Sobretudo porque muitos factos recentes mostram a capacidade de falar e explicar o passado a partir de imagens (constantes) e largamente empregues nas obras de Arte e da Arquitectura:

Porém, que haja quem as entenda e valorize! 

~~~~~~~~~~~~

*Mary Carruthers - que historiadores de arte portugueses conhecem e valorizam esta autora, e os seus estudos? E estaremos nós a ficar como J.-A. França: ao dizer que os autores-historiadores não conhecem, não sabem, não viram, não viajaram...? Que por extravasarem competências, têm dito/escrito/produzido muito material erróneo, e indutor, ainda por cima, de muitos mais erros...?

**O S. Paulo da Estrada de Damasco, o que era Saulo, e um evento inesperado deitou por terra. O S. Paulo dito filósofo popular, de quem Mary Carruthers dá informações preciosas em Machina Memorialis (ver op. cit. p. 34): Ainsi, que Paul l’a souligné, et c’est la une affaire non de simple salut, mais de beauté et de bénéfice, d’‘ornementum’ compris au sens classique, c’est à dire comme le lieu ou l’ «utilité» se fond avec la «délectation». Informação preciosa, porque mostra como a edificação (a Edícula) foi um tropo. Fazendo com que na construção se inserissem, e a construção informasse, o carácter, o qualificar ou adjectivar, das pessoas, das entidades e das suas ideias... Como no caso do Arco de Triunfo que nasceu como moldura para alguém. Ou ainda um nicho (encimado pela concha) sinal de que aquele que continha foi baptizado, era cristão.

***Leiam-se alguns comentários sobre a Igreja do Santo Spirito de Brunelleschi que alguns dizem ser um retrocesso na obra do autor. Esquecendo que foi chamado para resolver um problema de design da cúpula do Duomo (de Florença); e esquecendo ainda o Ideograma espantoso que é a planta do Santo Spirito: um desenho que é aliás bastante mais fácil de compreender como obra de Ourivesaria; ou no de uma cruz de suspender (ao peito) do que em Arquitectura!?


mais sobre mim
Janeiro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
13
14
16
17

18
20
21
23

25
27
29
30


arquivos
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO