Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Mar 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... é como foi chamada a exposição que está no Palácio da Pena até ao fim de Abril (2017)

 

Não esqueçamos que para lá de alguns desenhos e pinturas o próprio rei consorte foi o «promotor» da obra arquitectónica que se pode ver na Pena. Tudo terá passado pela sua aprovação...

Como noutros casos transformou uma obra antiga, anterior, numa nova casa: Lugar de vilegiatura.

Em Cascais o mesmo tipo de casas, estão a ser chamadas Casas de Veraneio. Como se passar uma temporada, talvez de férias, numa Villa, ou numa estância de Verão, implicasse uma arquitectura própria. Diferente da que se praticava nas cidades (capitais), onde geralmente os veraneantes, aqui os reis (e o Governo), tinham as suas moradas principais.

Não é bem assim; não foi assim!

Mas a designação Casas de Veraneio tem estado em vigor, talvez por conter algum atractivo, ou a querer criar uma «nova categoria de análise e de estudo» (?), deixemo-la estar*. Apesar de poder induzir em erros: concretamente o de se pensar que a iconografia plasmada (built-in) nessas casas de veraneio é a mais própria para as referidas Casas. Ou seja, dependente e muito mais relacionada com os locais, e a paisagem, onde se fazia o veraneio. E, totalmente independente, da condição - real, monárquica, ou aristocrática - dos seus donos. É que é/foi, exactamente ao contrário! (como defendemos)

É verdade que em geral puderam escolher lugares idílicos, mas sobretudo, em muitos casos, foram por exemplo locais onde havia construções anteriores. Como se passou com os pequenos fortes da orla costeira (de Lisboa a Cascais).

Ora o mais importante, como estamos convictos e defendemos, era que com o próprio rei - neste caso para a rainha D. Maria II - migrassem também todos os seus símbolos, e todos os sinais mais adequados. Uma marca régia que, normalmente, se apunha na arquitectura (da domus real), para evidenciar o carácter - i. e., a própria condição real - de quem a possuía.

Se foi o engenheiro de minas alemão - Eschewegue, que numa «mina a céu aberto» (no cume da Pena) em Sintra, susteve as rochas e os enormes pedregulhos para sobre eles poder apoiar e assentar uma ampliação ao (original) convento da Pena; por seu lado, coube a Possidónio da Silva (arquitecto) a definição de toda a iconografia mais adequada para o Palácio**. 

Certamente, como já escrevemos noutras ocasiões, com o apoio e aprovação de D. Fernando II.

Como se terá passado na situação seguinte, imagem de um tecto do Palácio da Pena, que alguns, de imediato dirão ser um tecto de alfarge. Porém, considerando o que temos estudado e adquirido nestas temáticas, acrescentamos que se trata de um típico tecto régio*** (a remeter para/invocar a Arche Noe que é a Igreja).

DSCN8121.JPG

(tecto do Palácio da Pena - legenda)

*Mas que se deixe estar, até que os responsáveis (museólogos, historiadores da arte, curadores), acordem! Até que um dia percebam que poderiam vender ao Turista um pouco mais: sobretudo Saber. Explicações que enquadram e justificam as obras feitas. Como foram feitas, e porque foi assim... O que é uma Iconografia Régia, o que em francês se diria Régalien.

**É verdade que Regina Anacleto refere estes dois autores, mas interroga-se sobre as suas tarefas mais específicas. Não percebendo a Professora de Coimbra que então a profissão exigia (muito claramente, tal e qual como hoje acontece) a complementaridade entre várias áreas do conhecimento, que são razoavelmente distintas. Mais, até já na Idade Média, isto acontecia.: quando se percebe que Hugo de S. Victor preconiza para o edifício da Igreja uma Arca (Barca) de Noé, com os respectivos sinais para a Contemplatio (de que Mary Carruthers escreveu) ; percebe-se também que cabia depois aos construtores (em francês os designados Maçons, organizados em Lojas) garantirem a estabilidade das formas preconizadas pelo "architectore". Como foram designados o que poderiam ser, o equivalente a - «pintores da arquitectura», e surge escrito, numa lápide do Palácio Amarelo de Portalegre (civitates architectore), como já se explicou.

*** Não se pretendem usar outros adjectivos como: realista, regalista, realengo ou real. Talvez "régio" seja a melhor hipótese (?). Por se tratar de uma marca própria do rei: i. e., da sua condição - nascido rei. Independentemenete da governação, ou de poder estar limitado por Carta Constitucional, ou sistema de governo.


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