Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
09
Mai 15
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

... é engraçadíssimo ver como cada geração se apropria dos mesmos conhecimentos. E será que os consegue apreender, mesmo (?), na sua essência (ou só parcialmente) os saberes e as verdades que são de sempre?

 

Parecem lugares comuns, e acabam por sê-lo se virmos o tempo transversalmente*. Mas na verdade trata-se de cada geração a formar-se e a aprender. E com isso a dizer o que outros já disseram, só que de outra maneira. A bater de outra forma numa tecla que leva pancada de todos; ou, numa tecla que é dedilhada por todas as gerações, embora de modos diferentes...

Enfim, constata-se que o triste é estarem sempre todos a lamuriar as mesmas dificuldades, em vez de olharem para trás, e de notarem que as mesmas são recorrentes; e portanto, tratarem de fazer alguma coisa para mudar as coisas.  

Isto é, darem a volta de modo criativo...

Perguntar/afirmar qual queixume, se "O FUTURO CHEGOU CEDO DEMAIS?", por exemplo, é uma das frases mais extraordinárias (ou engraçadinhas, verdadeira blague) que todas as gerações reutilizam e perguntam, como sendo muito originais. Só que, se brilham para os seus contemporâneos, talvez pouco mais façam do que enjoar os mais velhos. Ou, será que criativamente, podem conseguir surpreendê-los? É o que se pergunta:

Serão "pastiches" ou «recriações» como parecem ser as imagens seguintes**? Uma na capa de um livro, outra num pavimento em obras: mosaicos que ainda se está para saber quantos anos (ou décadas) têm? E finalmente, muito mais atrás, num pavimento romano, que, o mais tardar «pode ser» dos séculos V-VII-VIII? Ainda a terminar, há que questionar:

 É honesto não transmitir aos alunos o máximo possível, que um dia, é mais do que certo, lhes vai ser útil/necessário? E porque imagens do passado existem aos milhares, é honesto não lhes transmitir como a Geometria é a fonte de tudo o que vão precisar saber, quando quiserem criar «novos padrões»? Ou supostamente «criarem» novos designs?

É honesto deixá-los sair das escolas ignorantes e não alertados para o facto, que muitas vezes lhes irá acontecer, de que estão a citar outros, ou monumentos que provavelmente nunca visitaram mas que a fotografia lhes mostra em livros impecs ou na internet? Como ouvimos a Lúcia Rosas, sobre os estudos que fizemos em Monserrate: Concretamente o facto desse palácio ser uma colecção de citações...

Mas vamos mais longe, numa instituição de ensino superior:

É honesto esconder os trabalhos dos colegas, não os apoiar - o que se faz normalmente pela divulgação, os convites para escreverem artigos... - e poucos anos depois esse tema, esses trabalhos, essas obras são usados, cenários e palcos para se exibirem os mesmos que as andam esconder***?

Para se informarem, leiam as (extensas) notas seguintes, com o que nos parecem ser erros graves que um ensino mais ávido de lucro do que de saber tem vindo a criar. Quando cada vez mais se precisa de rigor - o que as novas tecnologias exigem (visto que por exemplo em desenho vão aos milímetros, ou às suas centésimas se se pretender) - não se pode abandonar esse mesmo rigor ou aligeirar no nível da exigência na aprendizagem. Parece-nos? Interrogativamente claro, porque a nossa geração, a que se formou a partir dos anos 50, é cada vez mais posta de lado, pela Ciência actual, contentinha com a sua superficialidade.

Aliás, estamos para ver como se irão resolver alguns dos mais importantes problemas sem Engenharia, essa sim, a verdadeira Ciência que o Design deveria querer complementar ou integrar...?

PavimentoPortalegre.jpg

Pavimento-MosaicoPortalegre.jpg

Pavimentos_Romanos4.jpg

(clic sobre as imagens)

*Como todos estes anos de ensino nos dão a ver...

**Pergunta que nos faz «parabenizar» as mentes brilhantes que acham que não se deve ensinar História ou História da Arte em Escolas de Design. Só a ignorância (assim) os ajuda a progredir; só a a ignorância permite que quem apresenta ideias e imagens com milhares de anos, perante um bando de ignorantes; só esse «truque de mágico», pode permitir a quem foi lá atrás à História buscar algo que os outros desconhecem, faça então um brilharete: uma graçola - que pode não ter graça nenhuma por ser uma péssima recriação, onde se reduziu (e nada se acrescentou) - apenas para deixar os outros "bouche bée". Enfim, falamos dos mesmos que usam a expressão tradição e modernidade, sem que percebam, o que isso verdadeiramente significa, sobretudo ao nível do cérebro: da mente, da habituação a padrões e a imagens.

O que verdadeiramente quer dizer "déjá vu".

***Daqui, para um Rodriguinho (e sem qualquer «cunha»!) queremos dizer-lhe que estamos a abrir novas vias em Conhecimentos nunca antes navegados, nos quais desejamos que um dia se passeie, como criancinha a flutuar com toda a segurança, a remar nos barquinhos do Campo Grande.

Se quer ribombar informação alheia, ajude (porque o que queremos é ensinar, e não andar a rapinar outros...); meta-se num tema que é fabuloso vindo de Dionísio, o Pseudo-Areopagita, que é como quem diz dos confins dos tempos. Perceba como materiais sucessivamente «re-visitados» - por cada nova geração - um dia se tornaram no "Inconsciente Colectivo" de C.G Jung: como e porquê, durante séculos, os vãos ou as edículas falavam (tal e qual como hoje). Assuma-se como professor (ou professores no plural, pois serve para os sujeitinhos de vários posts anteriores) de uma escola de Design. Em vez de aluno, ou plagiador dos trabalhos dos colegas mais velhos, a quem está a dar encontrões! Acha normal que as pessoas que podiam estar a ensinar matérias completamente inovadoras estejam fechadas dos alunos, a fingir que são Tutores? Feitos incapazes de ensinar, para que outros andem a exibir o que esses trabalharam?

Claro que depois de décadas de ensino (e sobretudo de aprendizagem) aconselhamos aos Rodrigos sem cunha e aos Toinos ai que Pena: «gentchi que se cuidem!» Que não se metam nunca em ondas nem mares revoltosos. Que remem sempre e só nos espelhos de água dos jardins públicos. E mesmo assim não sejam aselhas, porque os barquinhos, à mínima, se podem virar! E não se esqueçam dos coletes

É óbvio que Monserrate como o explicamos é Música para os olhos: que a imagética da Arte (durante milhares de anos) quis  traduzir Deus: Harmonia e Ritmo do Universo... Que só recentemente a Arte mudou de objectivo...


mais sobre mim
Maio 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12
14
15

17
19
20
21
23

24
25
26
27
30

31


arquivos
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO