Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Nov 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... não é quem manda!

 

Claro que aqui nos estamos a referir a um contexto de Ciência e Conhecimento, vulgarmente designado Ensino Superior. Ou seja, quem mais faz por estar à altura ou com um intelecto preparado e devidamente «equipado», não é quem está à frente das instituições. Esses são outros, são mandões, são capatazes, são até carrascos - onde, nas suas mentes, não há a mínima sensibilidade; mas, são gente cujas mãos é boa para segurar o chicote! Já que, por exemplo, eles são exímios em escravizar...

Sim é esta a sociedade em que estamos, e como se distinguem os que, intelectualmente, estão equipados, dos outros que têm mentes vazias.

Já se sabia, particularmente sabiamo-lo nós há muito, até que no passado dia 1 de Fev. (2016) alguém o disse com todas as letras, e ainda sustentado com todos os números: as pessoas (os que são dirigidos) não se reveem nas que, supostamente, seriam ou são as direcções. Ora mais claro do que isto, para quem sabe ouvir ou ler - e tem o dito equipamento intelectual - é difícil!

Só que, há os meias-tintas! Há quem seja hábil, o mais que suficiente para assobiar para o lado, e para fingir que não entendeu. Ou que, ainda por cima, consiga levantar uma salva de palmas ao «parabenizar» algum aluno que fez um brilharete. Porque sim, e impõe-o...

Porque, na sua cabeça (e os outros vão atrás), um aluno premiado é o retrato da escola que frequentou ou frequenta. Só que, no estado em que está o ensino, acontece, nem todos os alunos são tão estúpidos, ou tão incapazes, que não consigam ser bastante melhores do que muitos dos seus professores; ou dos que personificam os cargos e as estruturas que as escolas entregam ao «pessoal que têm». Pois qualificado ou não, nas empresas, muitos são como os móveis que foram embutidos nas paredes: fazem crer que são integrantes dessas paredes, ou os fazedores dessas mesmas obras! Puro engano. É, ou eles são como as ogivas, e o que delas escreveu António Castro Villalba*, Professor de Construção na Universitat Politècnica de Catalunya.

Sobre os alunos das escolas, há hoje que notar que alguns podem (e não é o caso de todos...) vir já de casa, do berço, de famílias e de outras instituições, onde foram muito bem equipados, com fantásticos "backgrounds" culturais. E há que notar este facto, sobretudo num tempo em que a cultura e o conhecimento andam tão à deriva. Ou seja, para o bem e para o mal, de tão repartido que está (com o lado muito positivo que isto também tem!), ninguém o possui, totalmente:

Quer na sua qualidade (intrínseca), quer ainda, nas próprias fontes de onde vêm esses conhecimentos e informações. Melhor dizendo, para quem tiver tido um bom ensino básico e secundário, hoje, um computador ou qualquer outra ferramenta que ligue à Internet, pode prover-lhe a máxima informação. É  que se houver lógica e curiosidade a investigar, é só pôr os motores de busca a funcionar e a procurar**, por ordem alfabética!

Claro que há sempre os gaps, dizemos nós, já que os temos (e muitos). E quem não os tem, geralmente é porque conviveu com colegas, conversou de tudo, de trás para a frente, conheceu e descobriu-se, percebendo das suas próprias lacunas, que devia ir preencher. E foi (autodidacta).

E, neste post tão «derivado e à deriva», talvez a melhor conclusão possa ser mesmo esta:

Hoje o Ensino Superior, tem como principal função o preencher de gaps. Criar debate de ideias, e só quando se detectarem as lacunas, aí sim, fornecer o equipamento intelectual, que até pode ser de base (?), para se poder pensar.

E nessa base, talvez lá estejam as matemáticas, as físicas, as línguas,... de maneira a constituírem uma "passadeira, uniforme" que todos pisem e onde todos se entendam. Como foi escrito no século XII, em que este tema do Saber (acumulado) e da leitura - que permite aceder a níveis mais altos do conhecimento - já foi tratado por Hugo de Saint-Victor. Leia-se

"Et Hugues conclui sagement :

il faut faire preuve de Ia plus grande modération : à force de se nourrir, on finirait par s'étouffer. Il y en a qui veulent tout lire. Ne te mesure pas à eux. Que cela te suffise. Qu'est-ce que cela peut te faire d'avoir lu ou non tous les livres? Le nombre des livres est infini, alors ne poursuis pas l'infini (V, 7; p. 201).

Cette opinion peut sembler contradictoire avec le précepte déjà cité : « Apprends tout, tu verras ensuite que rien n'est superflu. » C'est pourquoi Hugues s'explique :

Que personne n'aille croire, à cause de ce que j'ai évoqué plus haut, que je critique le zèle de ceux qui lisent, alors que mon intention est plutôt d'encourager ces lecteurs zélés à accomplir leur projet, et de montrer que ceux qui ont plaisir à apprendre sont dignes d'éloge. Je parlais alors aux gens formés, non à ceux qui sont appelés à 1'être, et qui commencent l'apprentissage constituant Ia base du savoir (V, 8; p. 202).

Bref, selon qu'on est commençant ou avancé, on ne se nourrit pas de la même façon :

ceux qui sont avancés et qui promettent n'ont pas le même dessein que les commençants. A ces derniers on accorde três légitimement ce que les premiers ne sauraient faire sans commettre une faute, tout comme on peut leur demander ce qui n'est pas encore une obligation pour les débutants (V, 10; p. 206)."

Ver Didascalicon, Sagesses Chrétiennes, Cerf, Introdução por Michel Lemoine, Paris 1991, p. 31.

~~~~~~~~~~

*Citámo-lo em Monserrate uma nova história

**Em dicionários e enciclopédias. Aliás, não nos esqueceremos, nunca, como os dois livros que levaríamos para uma ilha deserta nos permitiram escrever o trabalho (invejável) que hoje é fonte de questiúnculas. Aquele cuja aparência enche «o olho da invídia», mas, que o saibamos, ainda não foi olhado de frente: com a imagem a formar-se na fóvea, e a ser directamente transmitida a um cérebro que esteja equipado para o avaliar? É notícia que ainda não tivemos. Porquê? Será como se escreveu neste post, porque as pessoas já nem ler sabem? E, assim sendo, mandam os outros ler?

Só que, e como sempre fizemos para espaços antigos, que, com os nossos clientes, tivessemos contratado restaurá-los e renová-los, assim, para os conhecer bem, o respectivo levantamento arquitectónico era nosso (ou, feito por alguém da nossa equipa, sem margem onde pudessem surgir enganos)

Ou, dito de outras maneiras: serão casos de distopia, de diacronia, de diabolização; i. e., de divisão da personalidade, e de uma «não-reunião», em quem manda (ou de ter em simultâneo) - o Saber e a Capacidade de dirigir?


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