Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jan 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

..., segundo nos parece (?), têm tendência para pôr os arquitectos (e alguma arquitectura) fora de campo: afastados como outsiders, como se fossem intrusos e uns entes verdadeiramente desclassificados que não pudessem ter nada a ver, nunca, com Design e o seu ensino*.

 

No mínimo, há que o dizer, esta atitude é bastante cómica, para não lhe dar outros epítetos. Ainda há dias, ao depararmo-nos com o CV de uma aguarelista conhecida/reputada, que foi estudante na que se diz ser a melhor escola de Design de Portugal (e até a melhor dos arredores, incluindo os mais distantes); Pois essa senhora, com todo o orgulho, no catálogo de uma exposição individual dos seus trabalhos, apresentava-se em breve nota curricular como Arquitecta de Interiores. Acrescentando que ainda depois da formação na referida escola, depois frequentou os ateliers de Lima de Freitas e Manoel Lapa (sic) .
Mas avancemos, voltando ao ponto em que os Designers - idem aspas, se orgulham da sua criatividade**, muito narcisistas, como sempre faz parte deste «filme»;

Voltemos ao ponto em que os referidos profissionais, com essas suas posturas insistem em pôr de lado o que foi, tradicionalmente, um importantíssimo mercado e área de actividade profissional, para grande número de Designers.
E aqui não nos referimos ao que se passa em Portugal, mas também à história da profissão, sobretudo em países e mercados onde é bastante mais requisitada.
Mais, onde por vezes a falta de uma formação escolar especifica, pode ser, na prática, completamente inócua. Isto é, sem qualquer real importância, para as suas competências profissionais, que não existem definidas, legalmente (a não ser como categoria, na lista de profissões que pagam impostos - CAE Código IRS).
Lembre-se que a alguém hábil, e que com o tempo se torna experiente – neste caso estamos a referirmo-nos aos Designers/Artistas que nasceram assim, criativos (e autodidactas)*** – esse alguém não precisa de um qualquer diploma, para exercer uma profissão que o próprio «vai configurando, à sua medida, naquilo que faz, e em que se realiza».
Assim, de tudo isto passemos a um ponto mais concreto:
A auto-construção está aí, de novo, a fazer lembrar o contemporâneo «DIY» (de do it yourself). Auto-construção que entre nós foi, razoavelmente divulgada nos anos 60-70 do século XX:

Ora na versão brasileira do “Faça Você Mesmo” - em geral ligada a publicações do Reader’s Digest que tiveram grande divulgação, e em que cada um, aplicava depois, melhor ou pior nos interiores das suas casas as ideias sugeridas em livros e artigos de revistas;

Ora na versão do SAAL (posterior a 1974) - que desenhou alguns espaços públicos do nosso país. Ou, mais concretamente, que desenhou os «interstícios exteriores», entre edificações auto-construídas, de vários bairros periféricos das áreas metropolitanas, sobretudo Lisboa e Porto, em que as autoridades municipais e vários importantes ateliers e equipas de arquitectura estiveram envolvidos.
Ignorar agora esta tendência actual, ou querer desconhecer o que se está a passar, e a necessidade existente de renovar o parque habitacional - tornando muito mais habitáveis as edificações existentes e degradadas, é igual a uma vontade de enfiar a cabeça na areia. Num tempo em que são precisas soluções realistas e úteis, e não veleidades inúteis - como endeusar a Empresa...
Também num tempo em que já há edificações a mais, e tantos estudantes ávidos por encontrarem (serem ajudados a encontrar dentro de si, e a desenvolver) competências e actividades a que se possam dedicar profissionalmente: vendendo o seu tempo, acrescido das suas próprias «capacidades e habilidades», que devem querer ampliar (?).
Actividades que nem têm que ser, forçosamente, hiper-criativas ou cheias de imaginação e inovações «espectaculares», mas que, sem espalhafato, até com alguma «austeridade ambiental/discrição» consigam conferir aos trabalhos e espaços e ambientes em que venham a intervir, a qualidade, a clareza e a organização de que precisam. E isto, em vez de estarem no desemprego, ou a acumularem sucessivas formações, que de tão generalistas não chegam a ser úteis ou a conferir competências necessárias.
Para nós, hoje como desde há 40 anos, o Architects' Journal (AJ) continua a ensinar, vamo-nos actualizando e aprendendo mais:

http://www.architectsjournal.co.uk/news/shortlist-for-40k-self-build-contest-revealed/8689887.fullarticle

http://www.architectsjournal.co.uk/culture

*Claro que isto demonstra uma imensa ignorância, o não conhecer a História da Arquitectura em Inglaterra, como no século XVIII o Amateur contribuiu para o desenvolvimento de uma profissão, que ganhou personalidade e estatuto, a partir desse país. E, logo de seguida, como autores como Owen Jones, apesar da sua formação, ficaram para História como Designers. Mas claro que isto também emana “vapores e pivetes a tresandar de inveja”, e a lembrar-nos, sem dúvida, um realismo literário, queirosiano, que não é ambição nossa: mas sim o retratar da podridão, algo que se faria (e fará) melhor, um dia, com números e estatísticas eloquentes (que podem vir a lume), em vez de se usarem adjectivos...

** Comparando-se a um Criador que, mesmo que não adorem, sabem que ainda mantém uma inspiradora e altíssima reputação.

***Lembre-se que enquanto um arquitecto tem competência e é necessário para assinar um Termo de Responsabilidade (profissional, de acordo com as normas e boas-práticas da sua profissão), a um Designer é-lhe exigido que não entre em áreas que precisam de licenciamentos oficiais das obras; que essas não interfiram em estruturas e dimensionamentos que estão definidos por lei. Já em tudo o resto os Designers têm toda a liberdade, e espaço para a máxima criatividade.

E nunca esqueceremos um aluno óptimo (do final da licenciatura em Design), de quem os colegas diziam isto mesmo, e que um dia, ingénuo, mas verdadeiro, a propósito de uma exposição e materiais expostos no Museu da Electricidade, de um gabinete norueguês - Snøhetta Arkitektur Landskap -, perguntou: "Professora o que é um contraplacado?"


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