Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jul 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...é tarefa de professor, com muita honra, quando se é esclarecido e multi-disciplinar. Mais, sempre que tal se verifique, é um imperativo!

 

Mesmo que se tratem de professores com quem aprendemos muitas outras matérias, não podemos deixar passar em claro os seus erros crassos, pois também os cometem (não poucas vezes), sempre que estão a contrariar aquilo que para outros (neste caso nós) é evidente.

Se Maria João Baptista Neto vai para televisão falar de Monserrate cheia de certezas, falar de pedras da região de Sintra, isso deve-se ao facto de nós termos sido alertados por vários disparates e fantasias que lemos e não aceitámos: como a existência de granitos azuis, pórfiro e granitos porfiróides no palacete de Sintra - Monserrate. E ao ser alertado, foi-se olhar e viram-se os erros, fazendo com que a dita senhora tenha agora «tanta informação».

Para nós é evidente que várias pedras, como acontece com o extraordinário (lindo!) corrimão de pedra, da não menos bonita escada de acesso ao primeiro andar, é evidente que esse é um mármore português:

Mas será de Sintra, ou ainda pode ser de Trigaches, como é mais conhecido? Mas Sintra é hipótese talvez provável por uma questão de proximidade?

Depois, se a profª Maria João Baptista Neto diz que todas as pedras são da região, por nós seria mais seguro se fosse o Professor Luís Aires-Barros a confirmar...

Como também seria muitíssimo interessante que viesse a confirmar uma das maiores dúvidas com que ainda estamos (e nunca uma Maria João Neto pensará nesse assunto): 

A maioria dos tímpanos dos vãos exteriores são pedra, ou são fingidos de pedra? Será que uma douta dra. de História da Arte sabe disto? Por nós só com infos de geólogo nos sentiremos confiantes...*

Quanto aos fustes das colunas da galeria central, e que entram depois, muito semelhantes (em variante cromática) na Sala da Música; sobre essa rocha há quem fale em mármores de côr âmbar. Coisa que desconhecemos, tendo no entanto a honra de ter visto calcários (sedimentares) de Negrais que, não são mármores, e que por acaso muitas vezes são bastante mais coloridos/vivos/bonitos do que o tom «mortiço» (chamam-lhe âmbar?) que está nas colunas da Sala da Música...

Dirão que o efeito é suave, levezinho, blablabla, «quase sublime», de douto doutor em apreciações de "taste"; que liga muitíssimo bem com os dourados aplicados nos estuques? Sim, se o disserem estamos de acordo, mas é  blablabla de contentinhos...

Porém, para que se elucidem, e como sempre fazemos, aconselha-se que consultem bibliografia da Dir. Geral de Geologia e Minas, e outra que está na internet**. Talvez vos seja útil?

MonsAgo-5.jpg

E afinal onde estava a sábia Maria João Neto quando em 2004 se fizeram as opções cromáticas que as fotos registam. Porquê pintar ou alternadamente não pintar pedras fingidas: o que fez a dita douta, para ajudar a esclarecer - com base nos registos históricos - o que deveriam ser os tratamentos materiais e cromáticos dos elementos construtivos.  

MonsAgo-10.jpg

Talvez agora diga: "Mas é uma questão de gosto, não acha lindo?..."  Ao que apetece responder a que "lindo" se refere: Ao que é de ordem afectiva (um "taste"), ou ao que é resultado da lógica, e portanto, não afectivo e mais de ordem intelectual? Em suma, importaria, sim ou não, diferenciar as pedras naturais das artificiais para as tratar em conformidade com a respectiva intenção projectual?

Por fim: o que quereriam os Knowles, inventores de todos estas articulações visuais, o que quereriam se visse no enquadramento dos vãos?  

~~~~~~~~~~~~~~

*O que aliás coloca outra questões, como o facto desses fingidos de pedra em 2004 terem sido tratados/pintados como argamassas, em vez de serem tratados como pedras artificiais. Questões que em restauros bem feitos estão longe de ser despicientes...

**Mesmo sem ser geóloga (mais geómetra) e sem os poderes de Blimunda «Sete-Luas», aconselha-se a que veja as figuras nºs 9 e 10 do documento seguinte. http://mcprojectos.fc.ul.pt/geoverao/Paleomemorial.pdf

Ou que aprendam na prática, com os fornecedores, que alguns sabem muito e também ensinam:
http://urmal.pt/pt/ms/ms/materiais-2715-616-montelavar/ms-90038594-p-5/http://urmal.pt/pt/ms/ms/materiais-2715-616-montelavar/ms-90038594-p-5/

Façam duplo clic nas imagens da Urmal, e podem ver (talvez também aprender?) a identificar o veio/grão das pedras.

Um mundo que é a natureza, e é absolutamente fascinante.


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