Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Dez 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

A esses «desentendimentos» referidos acima temos chamado paradoxos. Sim Paradoxos Científicos!

Pois é o que são, já que se tratam de perplexidades quando realmente se tiram conclusões (retira-as quem sabe ver) daquilo que lhe é dado ao olhar. E note-se que retirar conclusões, fundamentadas, não é atirar com ideias para o ar, mas sim entender, e saber explicar, como as formas geométricas se transformam, geram sinónimos e significados, por exemplo ainda, como se adaptam às superficies e volumes em que são colocadas.

 

Há anos (já há cerca de 12 anos!), no nosso trabalho sobre Monserrate escrevemos o que se segue:

"No capítulo anterior, já se tinha realçado que em S. Lorenzo em Turim, obra da autoria de Guarino Guarini, o tecto concretiza a três dimensões, um Diagrama Medieval, presente na obra Liber de Natura Rerum de Isidoro de Sevilha. Mas também os desenhos deste Arquitecto de Turim (c.1656-59) para a Igreja da Divina Providência, obra que os Teatinos queriam realizar em Lisboa , pelo que nos é dado interpretar, tinham como objectivo fazer uma síntese entre formas clássicas de génese greco-latina, e formas da Idade Média. Mas ainda se atentarmos às portas (e aos vãos em geral) de muitas casas nobres em Portugal, veremos aí, especialmente nas suas bandeiras, entre os vidros, os pinázios de madeira formam arcos de círculo; ou radiais dentro de um semi-círculo, podendo encontrar-se inúmeras variantes. Julga-se que opções como estas, à data da sua construção, seriam ainda entendidas. Actualmente serão para alguns, vagas reminiscências do neogótico;..."

Mas, só a partir de 2014 com a tese de Marta Ribeiro* - orientada por Maria João Neto**, e este ano em 2015, num trabalho que a própria Maria João Baptista Neto resolveu publicar - aproveitando os restos que desinteressadamente desprezámos;

Enfim, praticamente só agora é que a Faculdade de Letras começou a deixar sair - como se fossem, principalmente, informações suas, ou até mérito seu, uma grande série de dados que nós recolhemos, constatações várias que fizemos e conclusões que naturalmente - sem barreiras mentais, já que a isso estamos habituados, thanks God,  nós retirámos.

Sem qualquer dúvida está-se perante uma nova História da Arte, como ainda fomos a tempo de incluir no titulo do nosso trabalho, e assim publicado pela Livros Horizonte.

Uma editora que tem o mérito de saber ver no Horizonte aquilo que está para vir, bem ao contrário do que se passa em várias instituições de Ensino Superior, e como a Faculdade de Letras faz o favor de continuar a ser um paradigma. Professores do Instituto de História da Arte (IHA) para quem Psicologia, Linguística ou Neurociências dizem nada...

Tudo isto vem a propósito da imagem seguinte, que é (nossa opinião) de uma imensa beleza, pela sua história e génese que teve: estão na página texto e fotografia a propósito dos azulejos de uma cozinha de Espanha. Em cujo desenho está iconografia que também noutras zonas ibéricas existe desde o século IV, e que pode ter influenciado alguns trabalhos de Isidoro de Sevilha, e as sistematizações que produziu? Num tempo em que, lembre-se, Deus e a Natureza eram o mesmo; ou a Natureza a melhor expressão de Deus...?

PADRÕES-ISIDOROdeSEVILHA-VENTOS-ES.jpg

(clic para legenda)

Seja como for (?) - num tempo como o actual, em que a religião continua a ser arrogantemente desprezada - na verdade sabemos que há autores, conhecemo-los, que estabelecem relações de correspondência linguística/ significante, entre vários sinais da Iconografia Cristã e os Diagramas de Ventos de Isidoro de Sevilha. Sinais que foram adoptados para aludir a Deus e muito especificamente ao Espírito Santo.

Por fim o que está no titulo do post de hoje, dia do Solstício de Inverno: enquanto houver barreiras cientificas e a imagem não for considerada (na actualidade) como fonte de conhecimentos - a que foi no passado -; até lá os Historiadores de Arte e as instituições que os mesmos dirigem, não são apenas instituições de académicos retrógrados, mas motores anti-desenvolvimento; até fazedores de mentiras...

*http://primaluce.blogs.sapo.pt/que-amoroso-235344
http://primaluce.blogs.sapo.pt/sobre-a-competencia-no-instituto-de-237845
http://primaluce.blogs.sapo.pt/ainda-bem-que-comprovadamente-maria-277680

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