Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
04
Fev 18
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Estamos de acordo, ainda bem que há quem coloque a questão - cientificamente muito útil - que é a da desobediência.

Outros chamam-lhe pensar «fora da caixa». Ver os links 1 e 2 (também no fim deste post)

 

Não me esqueço, e já aqui escrevi várias vezes, sobre a escolinha da FLUL onde aos 50 fui fazer um mestrado para progredir na CD (i.e. na carreira docente - algo que tem estatuto legal*).

Até à publicação do livro (sobre Monserrate) fui vendo, predominantemente, e quase só os aspectos positivos; mas nunca deixaram de estar, e de existirem ao mesmo tempo, vários aspectos negativos.

Com o tempo a progressão passou a estagnação, e a regressão. E hoje até já falamos que afinal vim de lá, dos estudos do Mestrado na FLUL, roubada, e com um imenso atraso de vida! Qual progressão? A da Maria João Baptista Neto?

Mas o foco deste post é a desobediência. O que pode ser uma alegria (?), e ter até aspectos muito positivos. Gratificantes!

Não me esqueço de uma colega, mais nova, que também ela tinha ambições profissionais, normais, mas cuja família, apesar dela ser solteira, ainda pesou mais (do que a minha), limitando-a na sua situação, e nas decisões pessoais que os cursos e outras vertentes das nossas vidas profissionais sempre implicam,  É que mesmo que não haja leis escritas, há todo um peso que funciona como lei, e regras inerentes aos hábitos de vida de família tradicional, a que é preciso desobedecer...

Então, ficou já aqui registada uma 1ª desobediência (a protagonizar).

Depois, e em estudos de mestrado (iniciados em 2001, ainda não «de Bolonha») que não correspondem apenas a uma aprendizagem de nível científico, daquilo que já é sabido, e onde é preciso aplicar o Saber que é conhecido a casos ainda não estudados. Então, nesses estudos pode acontecer que na recolha de elementos, normalmente considerada investigação, surjam novos dados que vêm acrescentar Saber, àquilo que até então era conhecido.

É nessa fase que os novos dados são submetidos às regras e às leis da Ciência existente. Já que a imaginação de quem está a compilar dados, a estudar situações semelhantes, e a conhecer as regras a que normalmente cada caso obedece... É nessa fase que o estudioso começa a desobedecer, quando na sua cabeça, ao admitir (outras hipóteses), começa, curiosíssimo, a questionar e a imaginar que sejam outras as leis de funcionamento, ou as que regem, por exemplo a Vida, o Universo.

Ou até as questões muito mais pequenas, como actualmente sucede - e se estudam nos mini-mestrados e mini-doutoramentos, de Bolonha - para enfim o país apresentar melhores rankings a nível internacional. Acrescentado em 9.02.2018

Ora voltando às ditas desobediências, vê-se que vão funcionando, talvez não de repente (?), mas etapa a etapa. Sendo a segunda desobediência - a de uma mulher da sociedade tradicional portuguesa (pior ainda se tiver emprego, e chefes muito mais novos, mas com imensa ambição, e pressa a mais...) - o facto de ter começado a Imaginar**. 

Depois, se entender que está certa nas hipóteses que vai colocando, tenderá a formular e a propor novas regras: Começando a inventá-las, por vezes cada uma das novas ideias, depois as excepções à regra, também as palavras em que se exprimem, etc., etc. E desta maneira, prodigiosamente, ou de prodígio em prodígio e de sorte em sorte, novas desobediências, do, ou aqui da dita estudiosa, não vão parar de crescer.

Connosco passou-se, na dita escolinha (dos meus 50 - na FLUL), estando um dia toda a gente da aula a pensar nas «Ogivas das Origens do Gótico»; as mesmas que então tanto ocupavam e preocupavam a Maria João Baptista Neto - imagine-se só o que me saiu boca fora, nesse dia, a dado momento: "Mas afinal digam lá o que é uma ogiva, onde começa e onde acaba?"

Foi o disparate completo, momentâneo, um silêncio total. E logo me apeteceu ter um buraco para me enfiar! Vendo o que podia parecer asneira, e muito ilógico, acrescentei: "Mas a ogiva começa no chão, na base da coluna, ou no capitel?"

Para quem não percebe nada de cargas das estruturas - cujos pesos têm que chegar ao solo, e que este deve responder resistindo (e não deixando que o edifício vá descendo, e se vá enterrando) - a nova pergunta que se acrescentou, foi técnica, e foi pertinente. De quem considerando que ao tratar-se de uma peça estrutural, queria saber da correspondência entre essa peça e a designação que lhe é dada. A que elementos visíveis corresponde a palavra Ogiva? O objecto que naquele momento pairava na mente de todos, e que, tão aflitivamente, estava a alimentar uma discussão que parecia imparável***.

Assim, também «meio-aflita», no fim saí da aula a pedir desculpa pelo atrevimento: ou seja, pela desobediência mental. O que tinha sido o ultrapassar de uma linha (a do senso comum, quiçá, para todos os outros já perto da loucura?), como acabara de fazer.

Mas a sra. profª. (a dita e redita Maria João Baptista Neto) respondeu nessa altura com verdadeira sageza: "Não peça desculpa. Porque a sua pergunta, quando a faz, vem mais informada, é feita com mais conhecimento..." 

Então lá fui à vida, mas o assunto durante uns bons anos continuou muito vivo na minha cabeça.

Hoje sei que tudo isto nasce de um imenso disparate, em parte ancorado nas ideias de Viollet-Le-Duc, mas também nas dos historiadores que viram semelhanças a mais (exageradamente), por exemplo com a Biologia e os organismos vivos. E se a Arte, neste caso particular a Arquitectura das Igrejas e das Catedrais, foi vista como um ser (quase vivo) e constituído, organicamente, por partes, no entanto há um ponto em que as analogias terminam.

Claro que as analogias são óptimas para ajudar a pensar e para compreender. Todos os profs. as fazem ao ensinar. Mas o âmago, ou a essência, de alguns objectos é essa: São objectos e não são seres vivos! Porque uma igreja ou catedral, tal como uma cadeira ou o ambão de onde se fazem as leituras da liturgia, são objectos. E como tal, essas enormes edificações, estruturalmente precisaram, como uma cadeira também precisa (sempre), de peças onde se concentram as linhas de força: isto é, peças onde o peso próprio (da cadeira), mais o peso de quem se senta, e a resposta resistente (vinda do pavimento), se vão «localizar».  

Portanto quando perguntei o que é uma Ogiva, estava a reviver, plenamente, e a pensar de acordo com a lógica errada que tinha aprendido, e que todos temos usado; sem ninguém desobedecer ou denunciar, com voz forte, este erro imenso que todos fazemos. Eu estava a querer saber, como se fosse no corpo humano, por exemplo do fémur: "Digam lá desse osso da perna, onde é que começa e onde é que acaba"?

Prova-se aliás como são várias as lógicas que temos que passar a colocar, exactamente ao contrário. Porque a Ogiva ganhou o nome na palavra Auge, vinda do latim, em que o verbo augere significa ir mais alto, ou subir. Chamou-se Augive.  E a ideia de chegar ao Auge está bem explicitada em desenhos (muito) esquemáticos dos tratados De archa de Hugo de S. Victor que já colocámos em Iconoteologia.

Como está a seguir ampliado, em que a Ogiva foi desenhada como se fosse uma escada. Vendo-se que as pequenas figuras humanas estão a subir degraus; mesmo que muito altos e a custo. Numa ascensão feita vista de baixo, com o olhar, que era contemplativa, ou mística (designada augere).

E em que a cada degrau, ou pedra - na «faixa da ogiva» no desenho (ver abaixo) - surge também indicada a correspondência com um livro da Bíblia: concretamente do Antigo Testamento 

fotos.sapo.pt-ogivasHSV-1.02.2018.jpg

(Pelo link acima ampliem, rodem o écrã e leiam: está lá muito. Vindo de um tratado que tem sido considerado apenas de Teologia )

Notem por fim, que Ogivas e Arcos Quebrados (ou Arco Ogival, como erroneamente tem sido designado), são diferentes. Mesmo que nos tenham ensinado de outro modo, ou que as imagens de uns e outros se aproximem (mas é raro serem semelhantes). Portanto insistimos, porque esta é, já há muito tempo, uma regra a que muitos têm desobedecido: notem, definitivamente, que Ogivas e Arcos Quebrados  são realidades, ou objectos, bastante diferentes!

As designadas Ogivas (e repete-se, não estamos a referir os arcos quebrados) foram o equivalente a Ornamentos, tendo uma forma em geral próxima da que é chamada Cruz em Aspa. Têm uma extensão considerável, parecendo nervuras (de pedra) sob a face inferior (dos tramos) das abóbadas...

E muito mais diremos algum dia, próximo, em Iconoteologia.

Lembrando que sobre esta questão - em que há uma imensa avidez de conhecimentos e de informação, como aconteceu na tal «aulinha da FLUL» (algures entre Outubro de 2001 e o fim de 2002?) - já escrevemos várias vezes. Só que o assunto é imenso: dir-se-ía de uma grandeza que é proporcional, ao desinteresse que é também geral. 

Assim, se estiverem interessados, para já ver os links: 3 , 45. e neste último, ler nas notas uma ideia de S. Paulo que influenciou, como nos parece, a História da Arquitectura (antiga). Porque o edificado - como G. Hersey referiu -, "...foi esgotado da sua capacidade significante, em prol da Filologia". 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Enquanto que se saiba, apesar de até agora as mulheres serem comummente «empurradas» por todos, nas mais variadas situações (a começar na família), e postas em segundo ou terceiro lugar. Porque está «sempre à perna», um qualquer homem cuja vontade tem que passar à frente.  E isto se tem estatuto legal (?) é ao contrário. Porque a tradição privilegia o masculino, mas o «estatuto da igualdade de género», legal ou formalmente, estipula isso mesmo: A Igualdade.

**Não é por acaso que um romance (alusivo à imaginação) de uma autora madrilena - de uma cidade e país onde as semelhanças com a sociedade portuguesa não são pequenas - se intitula A Louca da Casa   Apesar de não o termos lido, o título e as sinopses são elucidativas.

***Claro que hoje considero impressionante, é mesmo aflitivo, ver as pessoas a quererem ultrapassar barreiras, que não têm lógica nenhuma (ou são absolutamente ilógicas), mas que estão lá. Continuam, postas há anos ou há séculos, nas mentes de todos, e são como verdadeiros bloqueadores dos raciocínios...

1. https://www.media.mit.edu/posts/disobedience-award/

 2. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/isabel-stilwell/detalhe/premio-da-desobediencia

3. http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/vindo-de-primaluce-43991

4. http://primaluce.blogs.sapo.pt/coragem-portugueses-so-vos-faltam-364467

5. http://primaluce.blogs.sapo.pt/muitos-factos-recentes-229704


02
Fev 18
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Ou demasiado «barroco»?

 

Por nós ficamos nessa, sem dúvida também pitoresco (mas sem ofensa!). Já que andamos a pensar em "ornementum", em latim e como este foi explicado por Mary Carruthers, com base numa frase vinda de S. Paulo.

Ou ainda como exposto por George Hersey, que escreveu The Lost Meaning of Classical Architecture - Speculations on Ornament from Vitruvius to Venturi*.

É Arte? Achamos que sim, sem qualquer dúvida.

Pois há espaço para diferentes leituras (exegeses ou interpretações), na medida em que cada um tem, previamente, na sua mente, uma série de informações que lhe permitem ler (enriquecendo-a) a obra que está a ver**.

Só que as obras de Joana Vasconcelos (e em geral toda a Arte Contemporânea), que no Verão de 2013 estiveram no Palácio da Ajuda, e nos permitiram fazer uma grande série de fotografias dos interiores do edifício real; as suas obras, como dizemos, estão muito longe do antigo ornamento, e como o mesmo «funcionava» (falando) nas obras em que era incluído.

DSCN2867.jpg

E enquanto nesta fotografia, o parquet, por ser da casa do rei é dito realengo - dirão alguns (mas nestes casos nós preferimos, em francês, a palavra "régalien"). 

[O que obriga a um grande parêntesis:

Note-se que o referido pavimento ainda tem vários desenhos, ou vários emblemas, que obedecem às lógicas antigas: isto é «ornamentar falando»; e neste caso, vê-se, está repleto de sinais que são os mesmos da 1ª Arte Cristã, chamada Paleocristã].

Já o carangueijo, com o «seu pijaminha» de crochet - e até ao contrário do que aconteceu nos padrões de algumas rendas antigas - ele não nos parece que se tenha vestido com a conveniência mais própria e a mais adequada, para entrar na casa do rei***?!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 

*The Mit Press, 1988.

**Quase como uma "Obra Aberta", segundo Umberto Eco, e geralmente com prazer. Quando ver é um deleite...

***A conveniência preconizada por Vitrúvio: a mesma que levou a que a Iconografia própria das Vestes Reais, fosse igual à que era normalmente empregue na Arquitectura. Como sucedeu durante muitos séculos.


31
Jan 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Temos que nos divertir com "as sínteses" que reúne; por exemplo as que estão no Catálogo.

Pois apesar das muitas gralhas - entre acordo ortográfico e incríveis erros de ortografia... -, sim, há por lá algumas sínteses (postas) entre aspas*, .

Image0488a.jpg

Claro que é um must - o emprego dessa palavra para falar do Estilo de Arquitectura presente na Casa de Monserrate: O facto de a mesma ser o sintagma (semiológico), perfeito, como Maria João Baptista Neto terá compreendido. É verdade mesmo, sem ironia (nenhuma!)

Pela nossa parte, depois de Maria João B. Neto nos ter orientado - o que ela nos vários escritos dedicados a Monserrate esconde, sem se perceber porquê? Ou seja, se será de uma imensa vergonha: vinda de quem ao mesmo tempo calça os nossos sapatinhos (?), e replica ideias, palavra-a-palavra, como um dia as pronunciámos. Mas sem que, espantosamente, se perceba que se conseguiu libertar dessas mesmas (as nossas então ditas) palavras? Ao mesmo tempo, será receio? Medo de errar, não se atrevendo por isso a pronunciar de modo diferente? Não usando as (suas) próprias palavras, como é normal fazer-se. O que se vê até nos alunos, quando estão a evoluir e a aprender; quando se soltam, e por fim largando o palavreado dos seus mestres, constroem os próprios discursos: Insistimos! Será que as nossas palavras viraram conceitos? E «conceitos congelados», imutáveis, de que usa e abusa, sem dizer de onde vêm?

Onde estão os discursos que, e em Arte cada um tem os seus, a referida sra. passou a formular? É que não esquecemos que o fascínio perante as obras que (um dia) se compreendem, esses discursos são semelhantes ou equivalentes a exegeses. Por isso muito típicas de quem já assimilou, compreendeu e depois cheio de entusiasmo passa então a reportar...

Em resumo (visto metaforicamente): ela bebeu tudo, desde o início da formulação das ideias, e agora devolve exactamente o mesmo: em golfadas (como fazem os lactentes), mas não dizendo de que fonte bebeu! Só que, a água que engoliu tem vindo a melhorar (imenso), está cada vez mais depurada e mais cristalina. Sendo tristíssimo perceber (mas é sobretudo para mim, porque as palavras foram-me roubadas ainda na boca), que se está a congelar para o futuro «a primeira água chegada à bica». Não a que foi mais limpa e mais trabalhada com o tempo!

Mas avançamos, porque depois da orientação que nos deu, i. e., desde Setembro 2004 (nós) continuámos a investigar e a progredir imenso em várias frentes. Tal era (e é) a riqueza dos assuntos com que ficámos.

Claro que, isso teria sido aliás o mais natural, que tivéssemos ficado na FLUL. Mas agora percebe-se porque não pôde acontecer! Sim no IHA da FLUL para fazer o doutoramento**, como chegámos a pensar. Ampliando desse modo, a favor da Cultura (do país e do Estado) o imenso material científico, incrivelmente inovador, que tínhamos começado a produzir.

Acontece que a Associação Amigos de Monserrate, para a qual muitos pagámos quotas (e assim se vê a importância que a designada "sociedade civil" pode ter ao existir), não se limitou a limpar os Jardins e outras grandes áreas da Quinta de Sintra. Muitos - dos que não foram para a praia, ou não foram sociabilizar nos lounges, esplanadas e cafés...  - esses tinham compreendido, desde o início, a importância de valorizar Monserrate, culturalmente***. Não estiveram à espera do Estado para agir, foram os próprios que pagaram para fazer bem feito.

E a bibliografia de um post anterior:

biblio-monserrate001.jpg

veio deste Ciclo de Conferências que a AAM concretizou.

Monserrate-Capa-Conferências.jpg

Num futuro próximo tentaremos mostrar alguns desses artigos. Em especial o excelente contributo  da Professora Maria Laura Bettencourt Pires - William Beckford e Portugal, o qual (terá sido por óbvio esquecimento), não ficou incluído na lista.  

Quem ouviu, leu e sabe, não esquece que foram as deambulações deste inglês (não apenas em Portugal), que o tornaram célebre; sobretudo num artista original que "um outro romantismo" - o de Francis Cook, quis deixar, ainda, plasmado em Monserrate (apesar do jardineiro Oates ter escrito o contrário). Vários sinais que, alguns dentro da Casa, no torreão sobre a Entrada, os Cook (ou os Knowles através do seu «empreiteiro inglês»?) tinham valorizado, e consequentemente preservado.

Mas que (lamentavelmente) a PSML terá achado desinteressantes...

~~~~~~~~~~~~~~~~ 

*Uma redacção que sublinha bem (como a própria faz, e assim mostra...), algo que conseguimos ensinar a Maria João Baptista Neto. Porque de História e pesquisas em documentos antigos, pour cause, a dita («redita» e que sempre será aqui re-visitada) "ela sabe a potes". Mas de sínteses, normalíssimas - como um qualquer arquitecto desde pequenino tem que estar habituado a fazer - aí é uma simples principiante. Por isso refere-as entre aspas: para que se saiba que já aprendeu que uma obra de arte é uma síntese (esquecendo-se de Hegel...quiçá?)

É pena (mas enfim, mais vale tarde do que nunca) porque num Instituto de História da Arte (IHA da Universidade de Lisboa) o que se espera é alguma, para não dizer muita, ou toda, a interdisciplinaridade. Espera-se que os Profs saibam dominar em simultâneo a História e a Arte. Não deixando para um dia, muito mais tarde, e já depois de doutorados, a compreensão da síntese que a Arte é. E neste ponto - revisitando mentalmente a escolinha da FLUL que frequentei depois dos 50 - lembro-me tão bem de ter estado «a pregar a alguns peixes» sobre isso: a Arte como síntese... E em termos de SEMIOLOGIA claro que é essencial um Prof Doutor (de História da Arte) saber o que é um sintagma. Mas vamos aos poucos, devagar-devagarinho, que eles ainda, nem de Geometria têm, alguma - mesmo que pouca - informação...  

**Acontece que há pessoas muito grandes, muito volumosas (é mesmo o sentido de opulento?), que ocupam imenso espaço. Um espaço onde os outros não podem caber! Terá sido a nossa sorte - o facto dos espaços por si só não terem elasticidade, nem crescerem! Já que passámos ao nosso, único e próprio. Com toda a liberdade e sem concessões!

E já agora, tentamos, sem erros: Pois não deve ser conceções  como a palavra consta algumas vezes no referido Catálogo. Empregue indiferentemente, com 2 sentidos:

1. para substituir concepções do verbo conceber;

2. para traduzir concessões do verbo conceder.

***Bem antes do que hoje, por fim (e sem «capelinhas»!), a sociedade passou a compreender

Nada de mal, é quase um Carnaval


28
Jan 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Ou  a descansar (o oposto de ontem) com base num M.D. que alguns vêem (Thanks God!) como um pouco mais:

"Portuguese doctoral thesis on the History of Art, concentrating on English gothic architecture in the nineteenth century, 2004"

Claro que é o nosso estudo dedicado a Monserrate, porque as sociedades (tal como as moedas) são assim: têm sempre duas faces.

E estaremos sempre convencidos que quem escreveu isto o fez, não por engano, mas para agradar. Mais: para desta forma carregar/criticar a FLUL pelo comportamento, ou a atitude tida relativamente à investigação que dedicámos a Monserrate.


27
Jan 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Mesmo ao Sábado, como faria um verdadeiro Amateur


26
Jan 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

RE: SABE-SE LÁ...

Mas bem divertida - a resposta ao pedido de D. Trump - pelo menos isso é, sem dúvida!

Depois, e como Obra de Arte (capaz de falar e informar), há ainda a questão da Quantidade de Informação.


23
Jan 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

 

... este contentamento de Adolf Loos? Como a «realização» da sua vida?

loos-2 001-b.jpg

A sua ideia de que o Ornamento supérfluo foi qualificativo de Belo?

loos-3.jpg

Extraordinário ter achado que um dia a humanidade lhe agradeceria. Ou ainda que tivesse escrito que a ornamentação era igual/equivalente a valor inferior...

Mas por nós também tem havido contentamentos - não vão em trinta anos, são mais contidos e interiores (pessoais). Pois pelo menos ao adquirir uma enorme série de informações sobre os ornamentos, e como os mesmos (formalmente) foram gerados a partir de esquemas de ideias, apesar de serem só nossas essas informações, no entanto elas são agora, e para uso pessoal, ferramentas extremamente úteis:  

E por aqui podem ir ver onde (para nós, há dias e num outro blog) esta questão mais específica começou.


17
Jan 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

No ano Europeu do Património, e quando o país está cheio de turistas que vêm certamente muito mais pelas paisagens e pelos vários patrimónios visuais que lhes vamos dando*, finalmente está-se a perceber (talvez, quem sabe, ainda não é assim tão certo?, pergunta-se com ironia) que a Cultura pode ter algo a ver com Turismo? Que devem existir visões transdisciplinares da Ciência e do Ensino (que devia ser mais) Superior em prol da Economia?

É que ainda não esquecemos, nem há razão para esquecer, "o trabalhinho tão esmerado da FL-UL e da FBA-UL" para o silenciamento dos nossos estudos dedicados ao Património:

Não esquecemos como se vai a uma Universidade para progredir na Carreira Docente, e se sai de lá - à conta de Docentes que nunca a decência deveria deixar que existissem... - com um imenso atraso de vida!

Monserrate permitiu-nos compreender o significado antigo, de raiz religiosa, das formas que estão desenhadas, por exemplo, na grade do portão (fotografia abaixo). Desenhos que no século XIX, de alguns se sabia (ainda) tinham sido como caligrafias apostas nas paredes das obras medievais; porém, que de muitos desses sinais já se tinham perdido os respectivos significados.

P1010089Monserrate.jpg

Será que o ERIHS.PT, a nova »plataforma» dedicada ao património é só para os apoios em estudos laboratoriais, diagnosticando os comportamentos físicos e químicos? Ou pretende ser uma base de informações bastante mais completa? Onde, inclusivamente, os significados das formas antigas devem constar, como nos dicionários de símbolos, mas mais acessível (e prático)? Porque, enfim, é essa afinal a importância (valor básico) do que se considera ser uma Obra de Arte. Saber para que se fez, com que objectivo: para memorializar, ou celebrar, ou contar, mas o quê? E os signos visuais que cada uma dessas composições tem agregados ou sintetizados (sejam flores, animais, números ou «arabescos», são alegorias? Alusões a quê, a que factos, a que ideias...? 

Poderá o ERIHS.PT fazer avançar o conhecimento das obras, em Portugal? Avanços no Saber, e uma consequente maior produção escrita, para exportar, como a maioria dos países europeus faz? Enfim, para ser útil ao desvendar de sinais supostos «enigmas/códigos secretos», de que alguns vivem sedentos, e lhes chamam símbolos? Encontrando-se por isso, por aí, inúmeros autores/romanceadores» que a todos, eles nos dão água, muita água, mas nunca matarão a sede (e toda uma imensa curiosidade, que é fundamentada...).

Porque é exactamente essa sede que lhes garante os imensos lucros vindos dos best-sellers! Já que os designados códigos secretos, são, tão só, sinais (visuais) da cultura cristã**! A que chegou a ser de todos, mas depois de abandonada, também deixou todos incapazes de compreenderem uma infinidade de imagens que ainda agora nos rodeia. Imagens que hoje as leis nacionais, e internacionais - através da UNESCO - determinam como sendo valores concretos: patrimónios materiais, que, legalmente, é obrigatório preservar.

Será que podemos contar, de futuro, com abordagens ao Património de um modo mais condizente com o seu real valor? O valor Cultural, mas também o Científico (que são conhecimentos da área da Antropologia)? Nesta nova Economia que estamos a viver - a que chama turistas e está a aumentar o conhecimento mútuo dos povos?

São agora muitas as notícias sobre a nova plataforma (https://www.dn.pt/lusa/interior/ano-europeu-do-patrimonio-abre-da-melhor-maneira-em-evora---ministro-da-cultura-9037422.html).

Veremos então (?) se os responsáveis percebem que as obras materiais têm atrás de si, ou subjacente, uma imensidão de Patrimónios Imateriais que a laicização das sociedades - para o bom e para o mau (há que o dizer!) -, naturalmente tem criado.  

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Também aquilo a que chamam vintage (e se percebe que para os de fora é um verdadeiro "picturesque", que os fascina)

**Será que os referidos «romanceadores» começam por explicar o que é um Símbolo da Fé? E que foi no contexto do Cristianismo que mais se falou em Símbolos? Que esta palavra - Símbolo, e Símbolo da Fé - é indissociável dos primeiros tempos do Cristianismo, de muitos questionamentos dogmáticos?


15
Jan 18
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

... que muitas vezes mais parece uma mãe, que compreende (e ajuda a ultrapassar os momentos difíceis, dos seus meninos pequeninos); terá ele a noção, minimamente, de como «toda a gente» sabe sempre muito mais do que todos os técnicos de segurança?

 

E que portanto, ao contrário da Lei da Gravidade - que todos cumprem, a Legislação sobre Segurança, ninguém a cumpre (?):

De que há um país inteiro impreparado? Pois muitos dos responsáveis e decisores até ajudaram a que a lei não se cumprisse...?

Até ajudaram a que se contrariasse o que nas Universidades se ensina, insistentemente! E ensina-se para depois os alunos quando passarem à Sociedade, e aos seus empregos ou aos papéis que um dia se espera desempenhem: sejam eles os de decisores e de responsáveis, ou simplesmente de organizadores/projectistas.

Acontece porém que nessas mesmas Escolas, eles (os alunos) também vêem e sabem, como a legislação é desobedecida, bastando-lhes levantar os olhos, olhar à roda.

Portanto, tragédias, os técnicos de Segurança - enquanto organização corporativa - eles até alertam..., porém também já os vimos a serem «cegamente obedientes» às entidades para quem trabalham.

Esses mesmos, a aceitarem não cumprir a legislação e os preceitos de Segurança! Isto é, a serem dependentes das boas graças das suas entidades patronais, dos seus ordenados no fim do mês garantidos, ou dos honorários dos projectos. Em resumo, não ensinando nem contrariando os interesses alheios, não sendo independentes!

Enfim, como se «assinando termos de responsabilidade», logo, mas imediatamente logo depois, também eles os esquecessem!


14
Jan 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

..., com disponibilidade(s) para fazerem investigação, não se conhecem muitos.

 

Porém o livro cuja capa está a seguir é um exemplo; também o de um Atelier cujo nome vem do século XVIII.

Só que este Robert Adam é nosso contemporâneo, e o trabalho escrito e desenhado cuja capa está a seguir (opinião nossa) é fantástico!

ADAM-ARCHITECTURE 002.jpg

Obra que se aconselha, para quem quiser conhecer a investigação, em modo sintético, feita num atelier de arquitectos, provavelmente para facilitar o trabalho das suas equipas de projecto.

E note-se que não estamos a publicitar, mas a dar a conhecer um exemplo* pela necessidade que é frequente os arquitectos terem quando precisam de projectar para contextos e obras antigas (muito datadas).

Evitando-se assim o vazio e todo o desconhecimento que parece estar a acontecer (aqui em Portugal) frente ao Mosteiro da Batalha: é que, contraditoriamente, e para o protegerem de agressões/vibrações acústicas - é esse o pretexto! -, agride-se com toda a violência, visualmente...

~~~~~~~~~~~~~~~~

*“The Directors are active members and founders of many national and international architectural and urban design organisations,…(https://www.adamarchitecture.com/about/).

E porque o Natal ainda está perto, há uma Galeria (muito clássica, é verdade), que se pode visitar

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