Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
09
Out 10
publicado por primaluce, às 00:14link do post | comentar

“Prima Luce”  expressão latina que significa o despontar da luz (e não há visão sem luz). 

 

Porque os estudos feitos a propósito do Palácio de Monserrate – obra do século XIX, projecto dos arquitectos ingleses James Thomas Knowles, construído em Sintra, por Francis Cook – trouxeram consigo uma nova história. Estão publicados com o título: Monserrate – Uma Nova História, de Glória Azevedo Coutinho, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

 

Se Laurent Gervereau, autor do Dictionnaire mondial des images, escreveu que uma «Imagem» é uma palavra, agora, e de acordo com o que se encontrou nos estudos dedicados ao Palácio de Monserrate, pode compreender-se o valor, imenso, de muitas Imagens. Estão hoje, praticamente ignoradas, no entanto eram significantes. Há portanto estes «motivos», que não são apenas razões, mas autênticos “motivos decorativos” – como por exemplo Robert Smith explicava aos seus alunos nas aulas – que levam à criação do blog “Prima Luce”. Assim, porque as primeiras luzes deste novo tema estão mais do que consolidadas, os referidos “motivos decorativos”, e alguns dos seus significados, podem e devem começar a reluzir.

 

Segundo escreveu M. Campbell – antigo aluno de Robert Smith – “Ele via os objectos como constelações ou combinação de motivos,…” *. Com as pesquisas realizadas pudemos adquirir exactamente esta noção: a arquitectura antiga elaborava-se como uma reunião de Sinais ou de Ideogramas, que devidamente articulados se aplicavam nas obras. O intuito era o de comunicar uma série de mensagens, em obras que eram grandes monumentos, e, simultaneamente, marcos memoriais. Esta noção da existência de formas significantes, em nossa opinião, deve ser considerada válida quer para as obras mais antigas - clássicas e paleocristãs; quer, em geral, para toda a arquitectura, até ao século XVIII.

 

Depois desta data, e em paralelo com a laicização da sociedade, lentamente foram-se esquecendo esses sinais, e os respectivos significados, a maioria de génese religiosa. Por isso, no século XIX, A.W.N. Pugin (1812-1852) escreveu em An Apology for the Revival of Christian Architecture: “Styles are now adopted instead of generated, and ornament and design adapted to, instead of originated by, the edifices themselves.”

 

Pretende-se usar este blog para ir dando informações que estão ainda pouco divulgadas, mas constam em artigos, ou foram apresentadas publicamente. Caso da Grande Arcaria do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, construída no Vale de Alcântara a partir de 1736, e relativamente à qual fazemos uma interpretação diferente (da que é mais conhecida).  

 

8.10. 2010  Glória Azevedo Coutinho


* Ver em Robert C. Smith, 1912-1975: a investigação na história da arte, Malcom CAMPBELL, Robert Chester Smith e a Universidade da Pennsylvania, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2000.


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