Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
02
Jan 11
publicado por primaluce, às 09:52link do post | comentar

O título acima, porque não temos que ficar aqui a «apodrecer», lá porque somos mal-governados e mal-dirigidos. Agir, enquanto ainda há capacidade para isso, é urgente.

Ideias precisam-se, e se "Eles" não as têm, o melhor é irmos dando. É que mesmo que não estejamos a vender essas ideias, pelo menos, se as seguirem já serviu para alguma coisa tê-las pensado e produzido. É melhor que sigam as boas ideias, do que sigam péssimas ideias que andam por aí a comprar, sabe-se lá a quem? E que na prática ainda as pagámos..., e vamos pagar mais!

A questão da Cultura e do Património, não é senão uma linha de pensamento antiga: que pretendia vender aos «turistas»*, a esses principalmente, as paisagens e os monumentos. No entanto, se num determinado período - a época áurea da DGEMN, e a da grande produção dos seus óptimos boletins, dedicados aos principais monumentos nacionais - se então se investiu ("tant bien que mal") nos restauros e salvaguarda, depois disso, sobretudo de 1974 em diante, essa política abrandou muito. Tal como várias Direcções Gerais, de toda uma «estrutura antiga», foram postas em causa, passando a fazer-se menos, até que houvesse uma estabilização. E assim houve IPPC, depois IPPAR, pelo meio outras instituições e estamos agora no IGESPAR.

Hoje haverá talvez (?) um funcionamento mais correcto, com a fusão de vários organismos sob a tutela do Ministério da Cultura. E há também, muitos mais profissionais envolvidos, embora nos pareça, que se está longe de responder (sabendo ter, em simultâneo, um grande pragmatismo) a todas as necessidades.

Muitos dirão que falta, principalmente, a respectiva dotação financeira, vinda do Orçamento do Estado. Mas, estamos em crer que também faltam, sobretudo, políticas e profissionais empenhados, verdadeiramente dedicados às causas em que devem trabalhar. Tratando os assuntos, com o pragmatismo que acima colocámos entre parêntesis, e não esquecendo que é essencial - a quem decide - conhecer muito, para chegar a saber escalonar as prioridades.  

  

Se em 2004, escrevemos que era preciso investir no Património, muitíssimo mais do que então já parecia se estar a fazer, e a uma escala mais conveniente (do que acontecia, por exemplo, nos idos anos 80 em que contactámos Monserrate). No entanto, verifica-se que para além da falta de dinheiro, é claro que faltam ideias, opções, planos, lucidez, etc., etc.; por isso, apesar da distância e das diferenças de escala, fazemos agora entrar o exemplo francês: é que em França, atempadamente, i. e., em 2009, e logo como resposta à «Crise»**, antes que o país empobrecesse mais, perceberam que era preciso agir. E, entre outras actividades, viraram-se para o Património, tal como o Economist noticiou em Maio desse ano, chamando a atenção para a lógica, e as principais componentes do French Model.

 

http://www.economist.com/node/13610197?story_id=13610197

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*Ver em Memória, Propaganda e Poder, O Restauro dos Monumentos Nacionais (1929-1960), de M. João B. Neto, FAUP Publicações, Porto 2001, pp. 168 -169.  

**Aí a «Crise» terá sido imediatamente diagnosticada, em toda a dimensão, e, sem mais, terão percebido que antes de empobrecerem, era tempo de fazer investimentos em áreas determinadas. Pois parece preferível, pagar salários para trabalhos de que todos beneficiam; do que ter que pagar subsídios de desemprego, para ajudar alguns a sobreviver, sem que haja depois, dessa subsidiação, qualquer retorno. Pagando mais, deixa de ser desemprego, é trabalho, e há vantagens para todos...  E claro que isto nos parece também a nós, levando a que coloquemos a questão deste modo! Mais, esperando que alguns materiais que hão-de ser necessários, não venham da China, semi-prontos. Como já nos aconteceu em várias obras: haver a necessidade de se aplicarem perfis em gesso moldado, e os mesmos virem da China, em duas modalidades que podíamos escolher: 1ª - em estuque fingido, em poliestireno extrudido (ou expandido?), envolvido de gesso cartonado (ou cartão com gesso); 2ª - em «estuque verdadeiro», i. e., em gesso moldado, à maneira tradicional. Ora tudo isto, vindo do outro lado do mundo, serve para mostrar o lado anedótico a que se chegou, em investimentos e trabalho! 

Claro que haverá muito mais Crise, e para ela contribuiremos todos, se continuarmos a aceitar situações como estas, que são uma total demissão da indústria (ou do fabrico artesanal?), e do trabalho. A França concorre - pois criou, concebeu, fabrica e vende (entre muitos outros produtos) uns comboios chamados TGV. Aqui, para além das empresas destruídas, nem uns míseros "bâtons" de gesso se fabricam?!...  


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