Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
22
Jul 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Porque foram já vários os posts em que escrevemos sobre Ovais e Elipses, podemos ver quem mais os visita*

 

E segundo as Estatísticas Sapo, são do Brasil os seus mais assíduos visitantes. O que vem confirmar o «desinteresse» dos indígenas portugas por questões de Ciência: concretamente a Geometria.

Também como esta não era apenas para conformar as edificações - tendo em vista o seu desenho regular e erecto, mas, por ser a Geometria também uma fonte - ou a origem - «dos dizeres» como Hugo de S. Victor um dia a designou.

Aqui estamos há tempos, e já o prometemos, para escrever um, ou vários posts, sobre este tema que consideramos incrivelmente interessante: i. e. sobre a coincidência (temporal) entre a descoberta da elipse como «forma orbital» dos planetas - demonstrado por Képler -, e o aparecimento desta mesma forma na arquitectura (religiosa). 

Claro que já algum (ou alguns outros autores?) se debruçaram sobre este assunto. Porém, no nosso caso pretendemos fazê-lo com documentação e fotografias nossas, ampliando esta temática interessantíssima.

Assim e para já fica esta imagem, acrescida de uma curta nota explicativa:

Elipse-e-projeccão.jpg

As duas setas querem evidenciar um mero acaso (geométrico):

A projecção do elemento construido que tem um óculo (aparentemente elíptico), dada  a hora solar a que a fotografia  foi feita, apresenta-se quase paralela e ortogonal às paredes do Claustro (da Sé de Portalegre).

Curiosamente, a luz que entra por esse óculo, vai desenhar, inteira, no plano horizontal da bancada corrida (e remate da parede inferior), uma nova elipse. Só que esta, e mais uma vez dada a orientação dos raios solares, esta segunda elipse tem o seu eixo maior na horizontal, ao contrário da elipse vertical inicial. 

Porém, e como mostra a fotografia, parece perfeita!

~~~~~~~~~~

*E esses posts são os seguintes:

http://primaluce.blogs.sapo.pt/uma-elipse-nao-e-uma-oval-mesmo-que-365898

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/41511.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/igreja-barroca-de-planta-eliptica-96341


07
Jul 17
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

... que é também a Religião!

 

E claro que este post de hoje se relaciona com todos os anteriores:

Mostrando como o facto de censurar ou limitar os doutoramentos alheios se pode virar contra os censores.

Playmobil-500anos-teses-Lutero.jpg

 Quem diria, há 500 anos, que iria existir uma Playmobil? Ou que uma fractura na unidade do Cristianismo poderia vir a ser vista como algo que também se tornou enriquecedor?


03
Jul 17
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

...como tantas vezes se escreveu neste blog!

 

Muitos leram os nossos posts e foram temendo pelas nossas informações (e afirmações*).

Na verdade criámo-lo para ir postando aquilo que descobrimos ao estudar Monserrate e que a Universidade (UL e os seus «agentes», quer na FLUL, quer na FBAUL ou ainda na escola onde estamos desde 1976...) terão achado demasiado para alguém que não é historiador da arte.

E assim - como «gentinha» que com as suas posturas se vai fazendo magnânima - decidiram calar-nos e esconder as nossas propostas.

Esconder/silenciar, quem se atreveu a propor novas ideias sobre a génese das formas arquitectónicas; e ainda por cima, com propostas a fazerem uso de noções nascidas no âmbito da comunicação visual!

Porém, há milhares de anos, aconteceu que bem antes da comunicação visual se fazer (como hoje se faz) com base em textos compostos de caracteres alfabéticos - capazes de serem lidos como fonemas -, já essa mesma comunicação se fazia com base em hieróglifos, ou pictogramas. Imagens que, como dizemos, cresceram, «em todas as direcções» e ainda adquiriram tridimensionalidade!

É isto que está na Arquitectura do Ocidente Europeu, concretamente nos estilos Românico e Gótico, que como línguas ideográficas foram razoavelmente eficazes. É o que está também noutros estilos (Renascentistas - Maneirismo, Barroco, ou muito antes, nos estilos muito híbridos - e à procura da sua própria definição, da Antiguidade Tardia...). Estilos que, por exemplo, indo buscar elementos supostos apenas como peças de suporte, transformaram esses elementos essenciais. Transformações que, sabemos, corresponderam a verdadeiras «mudanças linguísticas». Isto é, mudados os contextos cultuais, as novas formas conseguiram substituir, também estruturalmente, as formas antigas: assim, formas pagãs deram origem a correspondentes formas cristãs.

Foi aliás deste modo que surgiu uma arquivolta para substituir uma arquitrave!

Mas estas afirmações são nossas e apenas nossas, que temos visto (e sentido na pele) aquilo que alguns insistem em designar como a máxima vitalidade da Ciência em Portugal

Por isso, cada vez mais, quando nas Estatísticas das visitas aos nossos blogs, o número de visitantes do Brasil (ou de outros países lusófonos), supera o número de visitantes nacionais, claro que isso nos agrada:

Pois se Portugal não quer (e as nossas universidades desprezam) há muito mais mundo que queira!

~~~~~~~~~~~~

*E o corropio de visitas a um certo post sobre Agregados Naturais e Artificiais - metáfora que construímos e cujo principal protagonista, como um barrete, ele enfiou-o na perfeição. Na verdade, o dito (criatura de Deus, pois claro), depois dos maiores desvarios, e das visitas quase quotidianas aos nossos blogs, geralmente mais do que uma vez por dia (como canídeo a marcar o território); enfim, agora lá lhe deram algum sumiço, e a nós descanso!

Pois que vá para outras bandas brandir os seus dotes, e como por aqui se fartou de destruir tudo o que lhe fizesse sombra...    


01
Jul 17
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

Mas, insistindo na afirmação de que esses sinais, ao contrário das letras do alfabeto - cuja leiturabilidade interessou e ocupou a Cristina Pinheiro (ver posts anteriores); esses sinais, repete-se, não serviram para registar sons, mas sim Ideias.

Por isso, temos escrito nos nossos blogs, frequentemente, sobre «arquitecturas falantes». 

 

E agora, num tema que em geral não queremos abandonar - porque os nossos estudos se centram nos significados da arquitectura (que não era muda, pois falava ideograficamente)  -, aqui está mais um post sobre o mesmo assunto:

Recapitulando, no post de 26 de junho passado, insistimos em explicar que uma série de imagens, ou sinais, foram portadores de ideias, sentidos ou significados que acrescentavam (ou adjectivavam - de um modo visual, muito decorativo) às obras onde eram aplicados .

Posteriormente, no post de 29 de Junho, publicámos uma série dessas imagens. O que não nos deu, praticamente, nenhum trabalho, porque vindas, todas juntas, de um livro de Joaquim de Vasconcellos (ao qual podem aceder indo por aqui). Imagens que esse autor se atarefou a reunir, como o próprio escreveu, "desde 1877".

Para quem quiser ler, está nas pp. 21-22 do livro (e não do PDF da Biblioteca Nacional), de que citamos alguns excertos que parecem mais relevantes:

"Já escrevi e demonstrei em outro logar em 1908 (...) que ainda hoje se revelam na admiravel e variadissima decoração dos nossos jugos nas provincias do Norte e nos artefactos ceramicos das mesmas provincias (...) que se baseia no confronto de numerosas illustrações minhas, ineditas e em exemplares das artes domesticas, e das alfaias rusticas, colleccionados desde 1877 e comparados n'um estudo historico, impresso em 1879".

E apesar desta citação ficar por aqui, aconselha-se logo depois a leitura do parágrafo seguinte: onde a iconografia dos jugos (de bois) volta a ser mencionada. Pois para o autor ela lembra-lhe a existência de ornamentos, quase iguais aos que se empregavam na arquitectura.

Tema que em 2016 nos interessou especialmente, porque o MUDE lhe dedicou uma exposição, da qual também escrevemos.

Enfim, é este post mais um registo daquilo que grassa pelo país; tentativa de demonstração que o Conhecimento e a Cultura actuais estão (para estar) em decadência acelerada.

Na contracapa do livro de Joaquim de Vasconcellos, talvez na sua edição mais recente (Edições Dom Quixote) está uma súmula/elogio de Artur Nobre de Gusmão, em que diz que o trabalho de Joaquim de Vasconcellos é ainda válido e merecedor de atenção.

Contracapa-ArteRomanicaPortugal.jpg

Connosco aconteceu-nos ter percebido, ao escrever sobre Monserrate, que as informações de Vergilio Correia sobre a cultura visigótica suplantavam, em muito, as dos autores mais recentes.

Será talvez  o que Pierre Nora admitiu numa entrevista ao Canal Académie(?). Há um afastamento crescente entre Memória e História. Como se a História que foi feita há mais tempo, i. e., escrita mais próximo dos factos que quer relatar, estivesse ainda imbuída do espírito e dos contextos em que esses factos decorreram; e desse modo conseguiu ter uma maior capacidade de os entender e de os relatar.

Porque, estando menos «infectada» pela mentalidade que posteriormente se desenvolveu e ampliou, ainda conseguiu explicar os episódios e os fenómenos ocorridos, pela memória da sua origem e suas causas, e não simplesmente por factos aleatórios, apontados por quem já escreveu e relatou, a uma grande distância temporal.

Também hoje, quando se escreve ou fala da arquitectura antiga - inserida nalgumas das disneylands em que as nossas cidades e suas zonas patrimoniais (ou as mais «musealizadas») se estão a transformar - em geral já ninguém percebe - fala ou escreve -, daquilo que precedeu essas obras, ou o que lhes deu forma:

Portanto, o porquê das formas concretas que as obras patenteiam...?


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