Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jun 17
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

...há dias a dita Escola tinha uma notícia para dar como se fora um grande feito: écharpes, concebidas por alunas a partir dos padrões de azulejos tradicionais.

 

Claro que apetece perguntar, se não tinham também padrões de grades, padrões de varandas (metálicas ou não), padrões de artefactos tradicionais antigos, como os dos jugos dos bois, ou os moldes estampados nas formas de sal. E porque não também os padrões da ourivesaria, ou os que estão patentes em muitos trabalhos de pedra, os apenas riscados, ou esculpidos com maior profundidade, de frisos e motivos decorativos que abundam built in, ou plasmados, na arquitectura antiga? Pois é tudo o mesmo...

Padrões dos Godos e Visigodos, e em especial os das formas românicas? As daquele estilo arquitectónico do qual se dizia, que os seus autores tinham «horror ao vazio». Sim, esse mesmo, em que os archeólogos, e depois os historiadores da arte, não perceberam que não se tratava de um horror ao vazio; mas, pelo contrário, tratava-se sim de aproveitar todas as superfícies livres para dar louvor a Deus (ou ao divino). O mesmo que faziam nos portais/capas dos livros mais antigos, ou nas iniciais ilustradas de cada capitulo.

Que pena, dizemos nós, que as referidas designers não tivessem podido ir mais além...

Sobretudo que não tivessem sido ensinadas em disciplinas como as de História da Arte, ou nas de Metodologia e de Inovação e Criatividade, que há/existe todo um imenso manancial de formas, sempre diferentes, desde que os homens existem à superficie da terra e as inventaram. Formas que se podem (quase sempre) ir hoje buscar para os mais variados trabalhos, apenas pela animação visual que fazem, e mesmo que desligadas dos seus significados originais.

«Formas diferentes» porque surgiram para darem respostas, em cada época, diferente, numa mesma região geográfica, como é aqui o caso do Ocidente europeu. Mas também diferentes, entre as regiões do mundo, onde religiões diferentes, ou as respectivas antropologias, como se quiser dizer, foram as responsáveis pela criação de cada uma dessas iconografias (constituintes do bolo global que é a criação de toda a iconologia*).

As imagens seguintes vêm de Joaquim de Vasconcellos, são duas págias de um livro - A Arte Românica em Portugal - que se aconselha e está acessível, digitalizado pela BN:

JoaquimVasconcellos-1.jpg

JoaquimVasconcellos-2.jpg

Sobre as legendas - ver nota (**)

*Isto, para quem quiser diferenciar Iconografia de Iconologia, como Erwin Panofsky explicou (e assistimos em provas de mestrado, como «grande tema», prova de imensos conhecimentos!). Só que, bem mais interessante, e como reacção a este par Iconografia-Iconologia, é a criação da palavra ICONOTEOLOGIA, feita pelo Pe. Eugenio Marino, OP, de Florença.

**Os Blogs Sapo alteraram os procedimentos de upload de imagens, de tal modo que nós próprios ainda não conseguimos aceder, para colocar as legendas, nas imagens que carregamos.

Portanto o estilo de blog que criámos em 2010 vai ter que sofrer alterações 


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