Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
07
Fev 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Activos desde Outubro de 2010! Como há dias se escreveu.

 

É curiosíssimo o muito que há de gaffe, ou de lapso involuntário (como num lapsus linguae), na designação que foi criada para designar a mentira (já instalada): Tempo de pós-verdade ou “post-truth” no original.

É ainda mais curiosa a expressão “factos alternativos”, que em directo, nas televisões, se viu ser inventada e proferida no momento. Como uma «relações públicas» ao ser confrontada com as mentiras que estava a querer impor, como factos reais, lhe saíram, num lapsus - este bastante notório - as palavras “alternative facts”. Mas Chuck, o jornalista que a confrontava, foi ainda mais rápido, dizendo-lhe de imediato que "alternative facts" são mentiras, falsidades!

Interessante também é ver como o Oxford Dictionary explica a situação:

Porque, como se pode ler abaixo*, usar a verdade e os dados objectivos, é menos emocional, e menos influente** do que manipulando os dados. Ao obrigar a conviver com a mentira, ao apresentar factos alternativos (isto é alterados), facilita-se a que cada um chegue às conclusões que interessam aos dirigentes. Neste caso aos dirigentes do mundo.

Tudo isto, para nós, na nossa escala e realidade se vem a passar há muito: afectando e infectando (querendo alguns que pareçam redundantes ou podres!) o que seriam actividades normais, de uma profissão que obriga a que a verdade seja o bem mais precioso***.   

O que se está a passar do outro lado do Atlântico, e agora publicamente à frente de um grande país, é, não muito diferente do que se tem passado por aqui: os factos alterados que fazem parecer que é Primeiro Ministro, Banqueiro, Doutor (PhD.), Homem Honesto, Agente de Negócios. Gente que, normalmente, a sua honorabilidade seria indiscutível, mas que, como se vê, não passam de grandessíssimos falsários. Gente que se construiu e constrói, ou auto-promove em cada dia, sem que ninguém os trave e denuncie.   

Enfim, embora não se deva viver, conviver ou preparar o futuro na base da mentira, é o que há...

 ~~~~~~~~~~~~~~~~

* "Relating to or denoting circumstances in which objective facts are less influential in shaping public opinion than appeals to emotion and personal belief:

‘in this era of post-truth politics, it's easy to cherry-pick data and come to whatever conclusion you desire’

‘some commentators have observed that we are living in a post-truth age’."

**Será a mentira e o fantasiar dos factos uma questão de retórica? Para lhes dar maior expressividade? Ou para influenciar o que se quer seja tomado como verdade?

*** É que um Prof. não é um mágico ou artista de circo. Por fim, mais uma razão para que as Universidades, privadas ou públicas, se preocuparem com o seu modo de actuação: presente e futuro.


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