Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 12
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

... um post há muito escrito e prometido, aqui está ele:

 

Sem sermos especialistas, e para isso existem melhores professores com quem se deve aprender - por exemplo hoje referimos o Professor Luís Aires-Barros**; na nossa situação, de quem atravessa vários temas (que são transversais a diferentes áreas do conhecimento), e de quem durante anos ensinou MATERIAIS para a Construção e transformação de Espaços e Ambientes, agora concretamente sobre Pedras Naturais e Artificiais : vamos referir alguns desses materiais, composição aparência, e até sobre a perfeição das imitações.

Algumas das mais bonitas Rochas empregues nos nossos monumentos são Aglomerados Naturais (nem sempre mármores como são frequentemente designadas), como o Pudim da Arrábida, as Brechas de Mafra, de Negrais, Pêro Pinheiro, etc.

Rochas que estão por exemplo no Convento de Mafra, em altares, repletos de embutidos: com cores cinza, amarelo, rosa, diferentes vermelhos!

Mas, dada a escassez e o preço consequentemente elevado das Rochas Naturais, também se inventaram Rochas Artificiais: dão pelo nome de Agregados Artificiais Pétreos.

Para já ficam duas amostras: uma é um agregado natural: ainda vivo, de areia que ainda se desfaz, por não estar totalmente solidificado: notem-se os oríficios e a malha entre eles (tudo é verdadeiro, e produzido na natureza). E a outra amostra - é quase um Pudim, ou o tipo de agregados onde se encontram pedaços redondos. Mas esta amostra é artificial. Tem andado no mar a rolar, é, para quem sabe e nota as diferenças, um pedaço de cimento e brita. Duro, resistente e completamente artificial***. Aliás também foi para isso que foram inventados os Agregados Artificiais: são materiais quase totalmente controláveis, porque os seus componentes, um a um foram testados e escolhidos.

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* Ver em http://primaluce.blogs.sapo.pt/2012/10/02/ e http://paginas.fe.up.pt/~jcouti/agregpart1.pdf

**Autor de As Rochas dos Monumentos Portugueses, Tipologias e Patologias, IPPAR, Lisboa Abril 2001.  

http://www.igespar.pt/pt/shop/asset/986/

***Neste caso até se percebe que a amostra está suja (como é o sujeito a quem nos referimos nesta alegoria). Porém tal não nos deve admirar, pois ao nível de transformação e recuperação de lixos, os produtos finais também são diferentes tipos de «Agregados». Como se mostra no esquema seguinte:

http://www.ambilei.pt/docs/fluxograma_producao_ambilei.pdf

Finalmente, a síntese pluritemática:

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/vindo-de-primaluce-43991

http://cathedral.lnec.pt/publicacoes/c15.pdf

 


27
Out 12
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... e hoje queremos lembrar o Vítor Simões

 

Conforme se explicou quer quando fizemos Primaluce, quer mais tarde quando criámos o espaço/blog que o complementa a que chamámos Iconoteologia, o objectivo seria sempre o de divulgar as Primeiras Luzes de conhecimentos que segundo supomos se esqueceram e têm estado perdidos durante séculos. Mas que estão visíveis na Iconografia de várias obras antigas, e em monumentos arquitectónicos.

Obras que entendemos serem de valor patrimonial e repositórios (verdadeiros arquivos de informações), como de facto são, e para nós assim têm funcionado, relativamente a inúmeras notícias vindas do passado.

Se há uns fanáticos da metodologia que a reivindicam - em nossa opinião mais do excessivamente, limitando assim toda a liberdade de pensar e de obter informações, que estão por demais evidentes na iconografia das obras antigas. Se esses «exagerados» referem repetidamente a necessidade de delimitar e definir, com todo o rigor, as fontes de informações; a esses lembramos que as nossas fontes são as imagens que vamos apresentando: iconografia que aos poucos fomos associando, e que coincide com o que se vai encontrando escrito, embora muitas vezes por outros nomes, e com outras designações

Informações que muitas vezes surgem apenas  no fim dos artigos; no fim dos dicionários de símbolos e respectivas entradas; em notas de rodapé, etc., etc., etc. Por isso acrescentamos agora: a que em geral não se dá a devida importância, pois aparecem como pequena justificação, final, e quase em tom evasivo.

Facto que já encontrámos em vários autores, e não nos parece tão desprezível, quanto esses mesmos autores fazem crer: i. e., desvalorizando os seus próprios conhecimentos, que no fim de alguns artigos, apesar de não acreditarem integralmente nessa possibilidade, no entanto ainda registaram.  

Os que exigem metodologias científicas (em áreas em que tal nunca sucedeu!), e que, como podemos ver, tão simplesmente desejariam apenas que nos calássemos (talvez como a CITAR da UCP-Porto?); todos esses, de metódico têm nada. Já que nunca passam, ou algum dia passarão um risco: são pessoas que não se atrevem a ter opiniões inovadoras!

Note-se que em geral  também escrevem e falam do que já está feito, sem se envolverem e nunca riscando (ou projectando) nada! São pessoas que exigem aos outros a definição de Categorias e de Nomenclaturas - como se quisessem ter muitas caixinhas para tudo encaixar? Ou «cápsulas» para encapsular a realidade*? Mas quem faz - e está habituado a fazer - não fecha, abre! O seu método é EXPERIMENTAL.

Quando estamos perante a Iconografia antiga (medieval ou de génese anterior - e lembre-se o que George Hersey explica sobre os Tropus, as associações de ideias e o processo de criação de alguns ornamentos), muito de nós recorremos a dicionários de símbolos: mas quem consegue ter presentes todas as informações dos dicionário de símbolos para ler uma obra e para a interpretar? 

Se não tivermos prática e «técnicas» - Arte ou Habilidade (e isto é o que a palavra inicial significou) - não há interpretações nem exegeses das obras que sejam possíveis!

Antes de mudar de assunto, note-se que exportámos algumas das informações dos De archa Noe, para Iconoteologia**,

porque hoje queremos lembrar o Vítor Simões.

Pois se há instituições que mudam e se descaracterizam, alguns ainda temos a memória do que foram. Do entusiasmo, das várias actividades desenvolvidas; e sobretudo da entreajuda essencial que houve, e permitiu fossem possíveis algumas acções (nem sequer institucionais).

Serão hoje designadas «projectos extra-curriculares»? O nome só interessa aos muito «metódicos»? Aos «metodistas e metodologistas» que precisam de designações e nomes muito pomposos para actuarem? Para se integrarem naquilo que se deveria tentar ser e fazer todos os dias:

ser boa pessoa, honesta e disponível. Com vontade de ser útil e colaborante no que é lógico e faz sentido? Ser expontâneo, não ficando à espera de ordens ou solicitações! O Vítor Simões foi nosso aluno, um ou dois anos. Depois, durante anos foi um óptimo colega! Partiu cedo de mais, tinha as qualidades que descrevemos...

Guardo este Cartaz que se ofereceu para imaginar e executar em Abril de 1999, qaundo houve uma conferência sobre o Palácio de Monserrate:

A ideia de haver um Património Nosso, que nos implica numa responsabilidade específica, foi do Vítor - que incluiu a frase de modo a não ser esquecida. Fazendo-nos ver todo o seu entusiasmo por algo que lhe parecia importante!

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*Julgamos tratar-se de um metodologismo obsessivo, que em última análise não tem fim? Porque cada ideia se exprime numa só palavra, que se torna num Átomo. E depois cada átomo (isolado) não forma moléculas, que não se reúnem nem formam matéria. Enfim: o tal metodologismo obsessivo e absoluto conduz ao nada, porque destrói e isola os referentes com que todos pensamos...

**http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/43991.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


24
Out 12
publicado por primaluce, às 20:30link do post | comentar
 ...a junção de várias alegorias, e de um grande número de Ideias (essenciais) que a Igreja queria ser e representar
 

É verdade, referimo-nos ao Tratado que originou a Arquitectura Religiosa da Idade Média; mais concretamente o que se pode designar como Românico-Protogótico.

Uma ideia que é nossa, como desde já se avisa.

Note-se - para todos os que permanentemente precisam de citar uma qualquer fonte que sustente aquilo que afirmam - que no nosso caso, e para esta situação em particular, essa fonte não existe. É uma dedução nossa, resultante de tudo o que lemos e investigámos. 

Sabemos que há quem esteja lá perto (alguns autores), ou quem se refira a uma maquette quando lê certas passagens dos De archa Noe.

Mas que, por desconhecimento ou outras razões que ignoramos, até agora não há (que o saibamos) um estudioso ou um autor que venha dizer que a arquitectura medieval - e concretamente a da Igreja da época Gótica - se fez numa determinada direcção, porque alicerçada nesta ou naquela «Teoria», que a tenha prescrito... *

Sim, é isto que faz um projecto: «prescrever» ou funcionar como um Guião - que define previamente uma obra a executar. E só quem está do lado de fora, das acções e das actividades relacionadas com a execução (para o futuro) das obras de construção, é que não compreende que uma obra possa ser executada a partir de uns (muito) poucos elementos desenhados, definidores dessa mesma obra.

Note-se que só hoje** - i. e., na actualidade mais recente - é que as edificações são objecto de um aturadíssimo e muito minucioso processo de previsão (e até de uma vizualização prévia, bidimensional, os renderings) da realidade que se pretende vir a criar.

Por nós lembramo-nos bem de tempos em que para se licenciarem pequenas obras bastava apresentar uma (só) Planta e a respectiva Memória Descritiva.

Por outro lado, no Verão de 2002 pudemos percorrer todo um arquivo de desenhos e motivos para Estucadores (da Oficina Baganha, no MNSR no Porto), que nos permitiu ter a certeza da persistência de processos de trabalho não muito diferentes dos que se empregaram em tempos medievais. Isto é, os motivos aplicavam-se seguindo regras, como por exemplo colocados em sancas, em faixas no tecto ou nas paredes, e ainda no centro do próprio tecto; sem que fosse necessário, ou que existissem outras medidas relativas (e os desenhos que as indicassem) aos distanciamentos entre os vários elementos definidores do espaço.

Nesses tempos que nós vivemos e recordamos tratavam-se de obras feitas no joelho? Nem tanto, mas comandavam-se muito, e frequentemente, a partir de visitas ao local da obra. Onde, de vez em quando, havia que recolher informações, para as trabalhar em Atelier, e voltando-se à obra mais tarde e com instruções mais precisas. Na época medieval muitos Mestres seriam Residentes no local e no Estaleiro da obra, como supomos.

Os desenhos que se seguem provêm do 2º vol dos De archa Noe, conhecido como De Arca Mystica. São apenas um excerto da imagem e das ideias que estiveram por detrás das ogivas. Cujo objectivo era o de constituírem Faixas de Pedra, muito visíveis (formando desenhos nos tectos, sob as abóbadas) e em que cada uma das pedras  que os constituíam - cada uma por si - era como um patamar ou um degrau numa ascensão (mística) em direcção a Deus. Augere é subir para atingir o céu, o ponto mais alto: o Auge. E sobre esta origem de Ogiva na Etimologia, lembrem-se as imensas confusões, que são HISTÓRICAS, à volta da designação deste elemento que para a maioria é estrutural!

Estamos perante peças que eram muito mais importantes para serem vistas e lidas - claramente para serem contempladas - do que como elementos de suporte***. 

 
 
 
 
 
 
 
(clicar sobre as imagens, para ampliar e ler o que escrevemos sobre elas. Tal como a imagem do passado dia 15 de Out. provém de - Anexos desenhados  in HVGONIS DE SANCTO VICTORE, De ARCHA NOE, LIBELLVS DE FORMATIONE ARCHE, cura et studio Patricii Sicard, Turnhout,Brepols Publishers, 2001.)
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*Há apenas ideias soltas, muitas perguntas sobre as Origens do Gótico, sem que os estudiosos compreendam a multiplicidade de Ideias (ou a Polissemia) que a Igreja Gótica reúne/sintetiza.

**Este hoje, tem a ver como facto de estarmos a pensar no enorme número de peças desenhadas que na actualidade configuram uma obra a realizar. Num próximo post podemos vir a apresentar aqui, fotografias de modelos reduzidos que estiveram na base de edificações do período renascentista. Maquettes que foram feitas com o objectivo de funcionarem como elementos de projecto, e que, provavelmente, substituíam a enorme quantidade de desenhos que actualmente se fazem.

*** Uma longa história de polissemias, que também explica as dificuldades que temos para escrever a tese. Em que não só o tema é dificil, como cada nova informação exige toda uma série de explicações sobre os antecedentes de uma lógica antiga; sobre Geometria, sobre Teologia, sobre Etimologia... etc.

Enfim, tudo o que as instituições FLUL, FBAUL e IADE não quiseram saber nem colaborar para ser possível acabar a referida Tese. Nestas instituições os responsáveis sabem, melhor que ninguém as razões para tudo terem feito para inviabilizar os nossos estudos. 

NOTA FINAL:

Sabemos que um assunto deste nível merece um tratamento à altura, já que se trata de uma enorme novidade para os meios científicos! Mesmo que esses entendam exigir e procurar muitas provas relativas à veracidade das informações que damos. À partida, claro que não nos parece que um blog seja o meio mais adequado para estas apresentações; mas, também nos parece muito menos adequado (talvez inclassificável até?) o Comportamento Científico de quem deveria estar aberto à novidade, com vontade de a divulgar; ao correcto conhecimento do passado, para o aprofundar e para depois dar a conhecer.

Estamos disponíveis para dar os esclarecimentos que nos pedirem sobre o assunto, continuando a insistir na informação de que esta ideia é nossa. E como tal temos materiais para continuar a investigar até ao fim da nossa vida. 

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


22
Out 12
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Às voltas pela Internet e Wikipedia, nem sempre nos perdemos no labirinto que (também) é; nem sempre se desemboca em assuntos desinteressantes. Neste caso encontrámos um comentário vindo da obra de Hugo de S. Victor, repleto de poesia. Mas o que mais nos interessa é que também nós, nesse passo-a-passo que no séc. XII descreveu, como método de aprendizagem, também nós apreendemos (e aprendemos) toda a riqueza que foi beber ao mundo natural - tal como Aristóteles - e que depois conceptualizou à maneira de Platão.

É fascinante!

Alguns escritos de Hugo, especialmente Didascalicon - que está traduzido integralmente* - não pode ser mais simples, tocante e saboroso. Numa ingenuidade que ainda hoje ensina! Por isso se recomenda a quem por aí anda, curtindo a Crise, pobre e sem fito...**.

Crise que nos tem lançado para uma espécie de precipício em que só falta os políticos (os Actuais e todos os Ex, claramente reponsáveis por este novo «PREC») virem anunciar-nos, como num Boletim Metereológico: "O país acabou! Amanhã não há! Saiam daqui, desandem de vez..." 

Mas voltamos ao comentário com que nos identificamos, citado várias vezes por Edward Said - ele próprio (e a família) dignos de serem conhecidos; leia-se no artigo da Wikipedia, como é introduzido Hugo de S. Victor e uma das suas obras, em particular:  

 

"...One of Hugh's ideals that did not take root in there, however, was his embrace of science and philosophy as tools for approaching God.

He was also a major influence on the critic Edward Said, who cited this passage from Hugh of St Victor in numerous published works:

It is therefore, a source of great virtue for the practiced mind to learn, bit by bit, first to change about in visible and transitory things, so that afterwards it may be able to leave them behind altogether. The person who finds his homeland sweet is a tender beginner; he to whom every soil is as his native one is already strong; but he is perfect to whom the entire world is as a foreign place. The tender soul has fixed his love on one spot in the world; the strong person has extended his love to all places; the perfect man has extinguished his."***

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*Ver Hugues de Saint-Victor, L'Art de Lire, Didascalicon, Cerf, Paris, 1991.

**... que não desvalorizar o trabalho alheio... Há muito mais do que a Crise, e do que a mediocridade que a gerou. Façam da Crise oportunitade de crescimento, e, estando parados, aproveitem para pensar, reflectir e sobretudo aprender. O Ensino Superior, informações e novos Conhecimentos (a explorar), estão longe de se esgotar no marasmo das nossas instituições: onde nada muda, ou se inova (como J.-A. França, repete sobre os séculos anteriores...). O país precisa de evoluir, e o que é que lhe dá a Universidade?    

*** Citação que vem de: http://en.wikipedia.org/wiki/De_arca_Noe_mystica

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/

http://endofarchitecture.com/about/


19
Out 12
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Há quem saiba que estes processos mentais co-existem.

São modos de pensar: talvez mais abstractos quando a mente (ou o pensamento) pensa sem suporte visual, mas que pode ainda, em alternativa, ser táctil, olfativo, auditivo, etc.   

Ou, muitos de nós materializamos o Pensamento (e talvez consigamos pensar de modo mais «apurado»?), com a ajuda de esquemas, desenhos, maquettes (i. e., modelos tridimensionais) etc., etc.

Enfim, nem sempre se usam todas estas reflexões, e normalmente ensina-se a desenhar tout court.

Mas quem ensina a desenhar, sabe para que serve o desenho. 

Há dias referimos várias instituições*, onde, pelo que se percebe, algumas pessoas olham para o passado sem terem a noção que um dia esse passado foi presente**:

Que houve um tempo em que as obras se fizeram, talvez menos como necessidade funcional, e mais como necessidade de algo falante: de Manifestos de Fé, e de Obras Memoriais...

Mas hoje o assunto é o desenho como utensílio para ajudar a «construir o pensamento» (ou "machina memorialis"?) 

Divirtam-se (a ver) primeiro com Adam Architecture e depois com Francis Ching

http://www.adamarchitecture.com/audio-video.htm?12

http://www.flickr.com/photos/emporiobegara/6752522631/in/photostream/

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*http://primaluce.blogs.sapo.pt/119941.html

**Já nos deparámos com Profs. (de História da Arte) que se esquecem que as obras foram/são sínteses...

Já nos deparámos com muitas pessoas que se esquecem que os Estilos foram classificados a partir dos sécs. XVIII-XIX; e que quando os autores produziram as obras não estavam (pré-) determinados por nomenclaturas estilísticas que apenas surgiram 4, 5 ou 10 séculos depois!  

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


17
Out 12
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...de que vários autores fazem uso, interessantíssimo, e do qual podemos receber inúmeras informações (óptimas); dessa Arte, que é também atribuída a Hugo de S. Victor, note-se que, porém, quase no fim desse processo - que é dito Mnemotécnico e aplicado à Arquitectura - aí nós distanciamo-nos.

Porque os vários autores não têm percebido o importante papel da Geometria, assim como o modo em que a Arquitectura - desde tempos imemoriais - forneceu vocábulos à linguagem corrente; em suma como foi uma fonte filológica (o que já foi referido neste blog).   

A generalidade dos estudiosos nesta área não compreende que a Geometria constituiu uma língua, ela que está nas formas arquitectónicas, que hoje muitos supõem seriam, só mnemotécnicas.  

O assunto é extremamente complexo, fazendo com que muitos dos que nos rodeiam (ver post anterior) tirem partido dessa mesma complexidade, e imensa transversalidade, que não entendem, atribuindo-nos os maiores dislates e faltas de senso...

Sabemos/julgamos - tanto quanto é possível julgar em causa própria - que não é assim, sendo, segura e exactamente, ao contrário!

Para quem se quiser informar, chegando depois a perceber a entrada (ou a chegar ao limiar de...) na Cultura Visual contemporânea, para esses ficam links e informações que podem começar a explorar: a aprender em áreas cuja temática, entre nós, praticamente ninguém tem tratado e divulgado. Em França por exemplo foi ampliada por Daniel Arasse em programas televisivos.

Como humilde introdução - para a questão da Cultura Visual (e não para A Arte da Memória de que F. Yates escreveu...) existe o nosso Monserrate... que pode ajudar: pois inclui o registo de como há dez anos entrámos nestas matérias, ao fazer Diagramas relativos a ideias que não conseguíamos compreender.

Dez anos é o tempo que levamos de avanço, mas também de cansaço em relação ao ambiente medíocre e muito bera, que nos rodeia.

Felizmente há honrosas excepções**, mas apenas as pessoas boas e correctas, e não as instituições de Ensino Superior, onde essa mesma mediocridade em geral é pululante.

(clic para ampliação)

Sabemos aliás que, neste estado o país precisa prioritariamente de Ensino, Justiça e Tribunais que funcionem, do que de impostos (e o seu valor mal-baratado).

 Impostos assim tapam lacunas e pagam dívidas, mas não têm a capacidade de dar Educação, Formação e Conhecimentos - elevar o nível (e isto é Organização e a Economia) - de que o país mais carece!

http://en.wikipedia.org/wiki/Art_of_memoryhttp://en.wikipedia.org/wiki/Method_of_loci; http://fr.wikipedia.org/wiki/Daniel_Arasse

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/

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*Existe na Biblioteca do IADE - Frances A. Yates, The Art of Memory, Penguin Books, Harmondsworth, 1978.  

**A quem é impossível não estar gratíssima!


15
Out 12
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

O Instituto de História da Arte da Fac. de Letras, a Fac. de Belas-Artes, ambas da Univ. de Lisboa; o IADE onde estamos desde 1976, ou a Escola das Artes da UCP no Porto - para onde admitimos mudar-nos para acabar o doutoramento (seguindo conselho de quem tem querido ajudar). Todas estas instituições, aquilo que tratam, essencialmente, é de CULTURA VISUAL.

Mais ou menos focadas no passado, e no presente, o que nenhuma destas instituições pode negar ou ignorar, é que a CULTURA VISUAL de hoje tem as suas raízes no passado.

Quer pelas imagens que permanentemente surgem diante dos olhos, quer pelas «imagens interiores» que as palavras, escritas e ouvidas, a memória, o tacto, o gosto, etc. (até o som e a música...), nos levam a produzir, «internamente».

O processo de criação de imagens mentais, nalguns casos é mais do que automático - involuntário. Depende de cada um de nós, se somos mais ou menos imaginativos.

É isto que significa a palavra IMAGINAÇÃO.

Acontece que as obras do passado, e mesmo nas de hoje, a Arquitectura por exemplo, é, concretamente, a materialização de muitas dessas imagens interiores. Por isso, na actualidade, alguns, ávidos de distinções, de classificações e de criação de categorias metodológicas muito específicas, chegam a chamar-lhe CULTURA MATERIAL.   

Voltemos ao título, pois queiram ou não, segundo nos parece, as referidas instituições (e muitas mais), sob pena de serem consideradas retardadas - num contexto internacional e global - essas instituições terão que mudar e evoluir?

Porque têm existido imensas mudanças, evoluções e novas perspectivas, que nos deveriam levar a querer participar desses movimentos. Para se poder ensinar mais e melhor; e também porque, como professores e criativos, não há Crise que trave a vontade de conhecer. 

Sobretudo - e é o nosso caso - quando percebemos através da extensíssima bibliografia que passou a existir, e está hoje acessível em várias bases (da Internet aos Livros e Revistas), que o que falta, para se poderem compreender os Estilos Artísticos e Arquitectónicos, é ligar tudo isso: toda essa informação que está produzida, pronta e disponível. 

Há que associar os conhecimentos mais recentes (são vários os que nem existiam quando nos formámos), ao que de melhor nos deixou por exemplo Émile Mâle. Ou os que, sem perceber totalmente o seu antecessor, lhes acrescentou o outro grande vulto da Historiografia da Arte Francesa - que foi André Grabar

E neste caso, inclusivamente existe um descendente: Oleg Grabar que agarra em muitas das informações trabalhadas e disponibilizadas pelo pai, para os contextos cristãos  (e ainda os Moçárabes da Pens. Ibérica, em especial Toledo), e os desenvolve e explica no contexto da Cultura Islâmica. Cultura que também se «materializou», ou teve os mesmos processos de construção da Cultura Visual, à semelhança do Cristianismo.

Existe aliás aqui um imenso filão - mostrámos no estudo dedicado a Monserrate - que passa por exemplo pela Igreja do Cristo de La Luz de Toledo, e que pode bifurcar-se/dividir-se por diferentes direcções.   

Mas  há outros caminhos que o «nosso Monserrate» abre (para nós sem qualquer dúvida, merecedores de investigações sérias):

Se Carlos Magno é referido, insistentemente, como sendo o primeiro Imperador de origem Germânica - ele que introduziu o Filioque na fé Católica; depois é também essencial questionar a opção pelo Gótico*, que foi feita vários séculos mais tarde pelos mesmos povos Germânicos (descendentes dos primeiros invasores), no contexto das questionamentos colocados por Lutero**:

Quando as querelas religiosas entre Católicos e Protestantes já estavam muito avançadas, com fracturas irreversíveis - a coincidir com a IIIª e última sessão do Conc. de Trento (em 1563 - fase essencial para a definição das Imagens e do que veio a ser o Barroco). Nessa data os Protestantes já não compareceram em Trento, sendo impossível não associar este afastamento à procura de imagética alternativa e julgada «conveniente»***, para uma outra religiosidade, com diferentes e novas especificidades.

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*Referimo-nos à Arquitectura Gótica, que tem/teve na sua base um símbolo gótico que foi o Arco Quebrado. Esse símbolo gótico, a mandorla mística, terá sido desde o século V-VI (?) uma imagem interior resultante de um «Pensamento Imaginativo» que vários (muitos) autores abordam de  maneiras diferentes. Assim pergunta-se: Preferem seguir António Damásio, e o seu Livro da Consciência? Rudolph Arnheim (em várias obras); J.-P. Sartre em L'Imagination; Raymond Bayer e os Schematas da Kalocagatia grega? Ou preferem compreender o que Noam Chomsky tratou em torno da Gennerative Grammar, e muitos outros discutiram em torno de Ideias Inatas? Para ser sintética aconselho um livro, que é muito bom (mas só enquadra alguns destes temas): Sources of Architectural Form, a Critical History of Western Design Theory, de Mark Gelernter, Manchester University Press, 2000.

** O que se tem dito em História da Arte sobre o Revivalismo do Gótico (ver também M. Kemp como "A Arte das Nações, Regimes Visuais Europeus 1527-1710")  - seja Gótico Inglês ou dos Países Baixos... - é demasiado «fluído» e descontextualizado, face ao âmbito religioso e às várias querelas, que então (duraram vários séculos) ocorreram.  

***A noção de conveniência vinda de Vitrúvio. Fizemos referência a William Shaftesbury e à sua Letter concerning the Art, or Science of Design, em Monserrate: O Estranho e Requintado Orientalismo do Palacete Neogótico, Artis nº 4, IHA, FLUL, Lisboa 2005 (p. 371). Em William Shaftesbury e nas sua atitudes Neoplatónicas - incluindo o amor à natureza - estará o que depois originou o "Paisagismo inglês"?

Em http://iconoteologia.blogs.sapo.pt 

em breve haverá novidades sobre um outro neoplatónico, do séc. XII: Hugo de S. Victor.


13
Out 12
publicado por primaluce, às 11:30link do post | comentar

... da UCP no Porto, o volte-face que entendemos dever dar na divulgação de alguns materiais que vimos a recolher desde 2002.

 

Para os que podem estar sinceramente interessados nalguns dos resultados inesperados, e interessantíssimos, que nos têm dado os estudos do mestrado (e na sua sequência nas inúmeras descobertas de um doutoramento em Ciências da Arte), informamos que a atitude dos editores da Revista CITAR da Escola das Artes da UCP, no Porto, nos levou a mudar de procedimentos.

Em breve vão poder conhecer muitos materiais e descobertas que, por nossa vontade, têm estado silenciadas.  

Uma vontade que deixou de existir, face à Crise de Valores vigente.

Nos dias que correm apenas interessa o que é real e existe de facto! Não os títulos pomposos e mentirosos; os eufemismos, as designações académicas inventadas e arranjadas à pressa, para esconderem Conhecimentos e Informações, que não existem.

Se fossem consistentes, verdadeiramente, todos, normalmente, as deveriam querer atinjir,

... e DAR: sem medos e inseguranças...

Bem hajam na Escola das Artes, pela visão mais verdadeira que nos ajudaram a adqurir, desta realidade!

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/42024.html


12
Out 12
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

...Revista que, claro, se esperava a funcionar dentro de parâmetros minimamente correctos e honestos, como em geral supomos ser o Ensino Superior e a Investigação.

Mas, pobres de todos nós, ingénuos, que neste mundo às avessas e repleto de mentiras ...ainda temos a veleidade de supor que a correcção possa existir?!

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Claro que a Wikipedia não o diz** - como também não chegam a tirar todas as conclusões (que são possíveis) dos estudos desenvolvidos em torno da obra de Hugo de S. Victor - alguns dos autores que mais se têm dedicado a estudar essa mesma obra. Com destaque para Patrice Sicard, e toda a riqueza de detalhes que este autor dá sobre alguns dos Escritos produzidos por Maître Hugues (nos vários livros que já escreveu sobre este tema concreto). 

Somos nós que o dizemos, a partir das investigações que temos feito, e, claramente, também a partir da nossa própria experiência profissional: isto é, do conhecimento daquilo que é um projecto de arquitectura, e como o mesmo comanda a execução/construção da obra:

Para nós - e note-se que somos nós que defendemos esta ideia (não a encontrámos em nenhuma documentação) - foi Hugo de S. Victor que iniciou o que hoje se chama Arquitectura tica***.

Preconizou-a em duas peças escritas, comummente designadas como De archa Noe. Escritos que até agora têm sido vistos como simples Tratados de Teologia; mas que, como acreditamos, são muito mais do que isso. 

Quanto ao que normalmente se espera de uma Revista de Divulgação Científica, de uma qualquer Escola Superior, de um Centro de Estudos, de um Laboratório ou Unidade de Investigação, e dos respectivos Editores, vamos ter tempo para relatar os seus procedimentos: como tendo «a faca e o queijo na mão», em Portugal, neste ambiente mesquinho e paupérrimo feito de invejas, algumas dessas instituições não são independentes; não são dignas de confiança, ou até de qualquer crédito!   

Para que serve a Investigação Científica, para que serve a Publicação de Artigos, se à frente dessas instituições estão pessoas que não admitem que outros os superem; ou que haja resultados muito positivos em estudos planeados.

Pior do que isto: se o amor que esses têm ao conhecimento e à compreensão do passado não vai mais longe do que o seu umbigo; da cadeira em que se  sentam, das paredes que os fecham.

Que vivam nessas celas, na estreiteza dos seus «conceitos quadradões» e écrans de computador. Gente desse nível não merece nada: "They are frozen", quais trogloditas do Convento dos Capuchos, que nem a cortiça aquece...

 Como se prevê: Um dia - a terra não lhes será leve!    

~~~~~~~~~~ 

*Note-se que há Direitos Autorais que ficam totalmente desprotegidos perante instituições que não são dignas de crédito. Devassa, porque se confia em quem não é merecedor da menor confiança. 

**http://en.wikipedia.org/wiki/Hugh_of_Saint_Victor

***Como defendemos, o Abade Suger de Saint-Denis, considerado actualmente pela historiografia (E. Panofsky) como sendo o iniciador da Arquitectura Gótica, terá sido antes um dos primeiros seguidores de Hugo de S. Victor. Ver o que deixámos em Monserrate, uma nova história, op. cit., pp. 38, e nota nº 80, nas pp. 165 e 166.  

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt


11
Out 12
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Afinal há bibliografia que em Portugal outros estão a conhecer!

Porém, como temos percebido (e dito) não retiram todas as informações que a mesma contém!

Temos insistido das mais variadas formas, e apelado a que se avance na Historiografia.

Sabemos que estamos numa situação privilegiada, dada a nossa formação, o hábito dos trabalhos em equipa, e principalmente a transversalidade a que Arquitectura obriga os projectistas.

Dar aqui, neste blog, tudo..., mais do que estamos a dar? Não nos compete.

A Edição, como muito bem mostrou Rogério Mendes de Moura, da Livros Horizonte, não é inútil ou despiciente.

Pelo contrário, acrescenta muito à Ciência, especialmente quando esta está em mãos menos dotadas, ou até (é mais proprio), em mentes de irresponsáveis: porque incapazes de serem sensíveis, não aos conteúdos científicos de trabalhos inovadores - eles captam isso - mas mordem-se de inveja por não serem os seus autores.  

Digamo-lo com clareza, são insensíveis também aos avisos e apelos sucessivos, no sentido de serem explicados os verdadeiros valores contidos nos trabalhos que propositadamente estão a pôr de lado.

Não nos estendemos mais, aconselhamos a leitura do artigo cujo link se apresenta. Leiam e talvez possa acontecer, desejamos, que um brilho minúsculo comece a surgir nalgumas mentes?!   

http://www.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA7/medievalista-meirinhos7.htm


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