Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
24
Ago 12
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

... e a Ogiva: assunto que anda a ser revisto em Iconoteologia desde o dia 17.   

Para a ver e descobrir,  esse treino resultou, em parte, de meses (mais precisamente 24 meses ou  dois anos) a olhar para as patologias de alguns edifícios que tinham sido construídos, não de acordo com as boas normas da construção, mas à pressa, durante a Expo 98. Que passado pouco tempo ficaram em muito mau-estado.

A olhar à vista desarmada e com binóculos - quando se tratavam das zonas mais altas das fachadas - começámos a treinar a visão como nunca tínhamos feito.

Depois houve uma transição, deixando de procurar apenas os (des-) alinhamentos e as massas partidas, empoladas, rachadas; ou os betões com chochos aparentes, salitres, areias soltadiças.  E que mais?

Fissuras, escamações de pinturas, ferrugens em peças metálicas de grandes e pequenas dimensões, desde as grandes áreas de portões, às ferragens de dobradiças, puxadores, molas de pavimento...

Mais tarde houve a tal transição para outros aspectos da construção, pois passámos a perceber - logo à primeira vista - o desenho de arcos, de vergas, de modilhões, de tímpanos, de gabletes, etc., etc., etc., submetidos a regras geométricas de composição.

Não porque fosse nossa intenção conhecer as designações de cada peça que entra na construção (como uma anatomia, que também é), mas porque nos apercebemos, sem que os nomes importassem predominantemente, das suas funções.

É que na generalidade, alguns - os auto-intitulados «historiadores de arquitectura» - vão dando nomes (arcaicos?) às peças, mas depois, pouco chegam a perceber o que fazem no conjunto?

E algumas dessas peças, é E. Panofsky quem o explica, não estão lá a fazer nada*, a não ser a falar!

Isto é, aparentemente são elementos de suporte, mas, na verdade, como no Templo Grego, alguns dos verdadeiros suportes são grampos metálicos, chaves e cavilhas; peças que foram escondidas, por detrás e por dentro das juntas de pedra. Por isso a forma que ficou à vista era apenas falante! Tinha sido essa, desde sempre, a sua função.

 

E para o que importa expor, haverá obra mais falante do que esta**?

Em todos os sentidos...

Devemos a A.W. N. Pugin - faz este ano 200 anos que nasceu - devemos-lhe, talvez mais do que a Viollet-Le-Duc (?), o desenvolvimento da ideia de adequação e de adaptação

Noção, ou conceito, a que se seguiu (logo colada) - a ideia de Funcionalismo. 

E esta William Morris ampliou: e nós todos, na sua sequência, ampliámo-la ainda mais!

Depois, só com Robert Venturi e as noções de Complexidade e de Contradição, que enriquecem as obras e os seus significados, então é que o Funcionalismo começou a «arrefecer». 

Por isto, o nosso propósito de ensinar - jovens arquitectos e aprendizes de historiador da arte - os que querem perceber os significados das antigas formas plasmadas na arquitectura.

O costume: todos queremos ir bastante mais longe, fazer a diferença!

Se em certas áreas, o importante é ser seguidista, e não pensar por si; noutras áreas há os que continuam a ter curiosidade***. Que querem conhecer - caso dos arquitectos (nas obras da Cidade) - pois sabem o valor da inovação, ou... o da Renovação Urbana!

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*Um «nada» que é força de expressão, na medida em que fazem algum suporte. Mas em geral muito menos do que aquilo que se supõe e em geral é conhecido.

**Wilfried Koch, Comment Reconnaitre les Styles en Architecture. Solar, Paris, 2004. 

***Por outro lado, não vivemos numa ditadura, e o «Direito a ter curiosidade», ainda é válido e pode existir

 

Como o direito a férias!

Ver:

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


21
Ago 12
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

...anda-se a rever/revisitar a questão da Ogiva: sua origem e funções (em Iconoteologia).

Mas, enquanto não decidirmos o que fazer com os materiais do doutoramento, que outro objectivo vão cumprir (?), nesse entretanto há informações que não passaremos para os blogs.

Nem as melhores notas que recolhemos, nem as nossas próprias informações, organizadas de tal modo que perfazem os gaps em questão!

Há por aí muita «ladroagem», e há que ter cuidado com eles!

Entretanto também há por aí a maior desorganização, de que ninguém cuida. Nem a Concertação Social consegue!  

O Governo apresta-se a decidir a Tomada de Posse, Administrativa, ou chamem-lhe «nacionalização», dos nossos Subsídios de Férias e 13º Mês de 2013, porém nada faz em termos Económicos.

Economia significa, etimologicamente, organização (e não forçosamente dinheiro)...

Pergunta-se: sem organizar, e sem que se produza - por exemplo uma parte do sector da Construção Civil pode ser reconvertido para outras actividades, e para a produção de outros bens e serviços* - onde vai o Governo buscar os nossos valores que quer nacionalizar?  Bens que ainda não foram produzidos? E que nem há garantias que o possam ser?

 http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/38246.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/36849.html

 

Porto, Centro Histórico - obras de renovação urbana na R. das Flores 

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*Para além de cuidar do Património é possível produzir bens móveis; ou aproveitar carpinteiros e serralheiros para fabricar mobiliário e outros equipamentos... É que, ligado há indústria e (vice-versa) existe o Design. Que não é um fim, mas «almeja» intervir, para que a exportação cresça, e tenham mais qualidade os produtos.

Há tanto que fazer, e estes (des-) Governantes dormem na fila! Até a Iconologia haveria de render, se não a escondessem... 

É triste, na governação do Estado e nas Empresas só há «desgovernantes»? 


18
Ago 12
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

Dando continuidade às reflexões anteriores - que o Verão claramente permite - fica nítido que a indefinição é uma porta aberta para aquilo que são faltas de método e de planeamento...

Sem limites, e com dificuldades físicas bastante difíceis de gerir, naturalmente fomos prolongando, e dando continuidade, mas também dando respostas, à nossa própria curiosidade. 

Talvez como num brainstorm em que espontaneamente as respostas vão surgindo, quase sem limites, assim a curiosidade conseguiu ir encontrando mais respostas, mais dúvidas, e outra vez mais respostas, como normalmente estas se encadeiam.  

Com dificuldades crescentes, incompatibilizáveis com as posturas de enorme rigor que um doutoramento exige, e sem «parceiros» à altura; ou possuidores de metodologias claras, e positivas, que nem uns nem outros as apresentaram (havendo apenas a ideia vaga de um "Corpus sobre a Narratividade Visual"). Num ambiente de total indefinição e desorganização, encontrámos o terreno óptimo para aquilo que no nosso íntimo mais se impunha: a normal satisfação da curiosidade.

 Por isso, ironicamente, é aos que menos queriam os nossos progressos, que eles se devem!

E agora sem ironia - porque da vida de projectos sabemos que "o que tem que ser tem muita força!"; desta frase que ilustra bem as falhas do sistema e de todos nós. Bem como a desorganização que permite a entrada nos processos de factos e meios que lhes deviam ser estranhos. Assim, ontem como hoje, ainda bem que encontrámos o espaço para a satisfação da curiosidade.

A Universidade está a perder um Doutor? A mesma Universidade que está nas Ruas da Amargura? Claro! Seria mais grave se um doutor perdesse informações fabulosas, deixando-se enclausurar em metodologias mesquinhas de académicos*.

 Boas Férias!

Que voltem coerentes, lógicos e acordados para a vida!

(deseja-se)

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*O que é a "Narratividade Visual" para um Historiador da Arte? Ficámos a saber: "Clic! Clac! Gare... Quel tintamarre!"

O que pode ser "Narratividade Visual" para um arquitecto que lida com a imagem em termos profissionais, há cerca de 40 anos?

Alguém que habitualmente termina uma Memória Descritiva com: "As peças desenhadas que a seguir se apresentam (...) definem o que se pretende construir...". O que será "Narratividade Visual" neste contexto? Algo muito diferente da Vida (de olhos abertos)? Ou do Cinema?

Imagem de L'interjection - Lecture et Recitation, Grammaire Cours Supérieure, Librairie Larrousse Paris 

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


15
Ago 12
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

...a Arquitectura continua a ser transversal a muitos temas e assuntos: é portanto pluridisciplinar. Embora aconteça que alguns a tenham visto como uma Ciência

Isto é, ao longo da História são vários os casos em que foi considerada Ciência (no nosso estudo dedicado a Monserrate registámos alguns); porém, é uma Ciência cujo núcleo é bastante diversificado e plural...

O «ontem» do título acima, tanto é - para nós - desde a Idade Média, quanto é desde meados dos anos 70 do século XX, quando iniciámos a nossa aprendizagem, com «os estágios» e actividades profissionais mais específicas.   

Mas nesse ontem consta o que escrevemos em 2003/2004 (e mais tarde, por altura da publicação do nosso trabalho sobre Monserrate), ficou na contracapa uma descrição sumária do trabalho feito, e aquele que então se estava a desenvolver nos estudos do doutoramento.

Não falhámos nas previsões e no que planeámos. Ou, se temos razões para dizer que algo não correu como previsto, então foi por excesso: acertámos e encontrámos muito mais do que se podia imaginar!

Os apoios que tivemos, quer do nosso orientador, quer da Universidade Católica - com a indicação de bibliografia específica - quer ainda também dos nossos próprios conhecimentos, mais antigos (vindos sobretudo da Ciência rigorosa que é a Geometria) essas ajudas permitiram-nos chegar muito mais longe do que se podia esperar (e como definimos no texto abaixo).

A terminar este post pode-se acrescentar que o IADE, não tendo dado o ano de dispensa sabática que era esperado (pois em 2003/04 isso aconteceu, para um trabalho de mestrado); ao dar apenas um semestre para fechar um trabalho de doutoramento que já se tinha explicado ser especial, assim deu-nos muito mais! Na prática, razões para não fechar e para prosseguir. 

Pois ao deixar em suspenso, sem definir situação (sine die), fez com que continuássemos, quase indefinidamente, à espera dessa dispensa. Com isso as pesquisas prosseguiram naturalmente, e não pararam. Ainda bem? Ao certo não sabemos...

Claro que, como disse Umberto Eco, uma investigação não termina. Mas neste caso impunha-se delimitá-la, o que não tem sido possível na instabilidade criada. 

Foi propositada (talvez?), mas sem sabermos tirámos partido.

Sem conseguir fechar as investigações, fomos chegando a muitos mais temas, inesperados, como os «Mapas de Ideias» de António Damásio

Não os supunhamos associáveis à

Ciência Arquitectónica...


13
Ago 12
publicado por primaluce, às 17:30link do post | comentar

Muitos pensamos que o melhor de Portugal pode ajudar a sair da Crise.

E esse melhor, por vezes verifica-se, que não é numa única área (de negócios, como os pastéis de nata), mas são várias áreas concomitantes. 

Mais do que tudo é uma questão de atitude!

Ou seja, pensa-se que se todos derem o melhor naquilo que fazem, estarão a ajudar o país a progredir e a ser globalmente mais competitivo.

Nessa competição estão muitos dos produtos que se exportam, mas também estão produtos e serviços que se consomem no território nacional. Isto é, que não chegando a sair daqui, são pagos por rendimentos produzidos e criados fora de Portugal e trazidos para cá. Concretamente no porta-moedas dos estrangeiros, que nem portugueses são!

Numa palavra - nesta nossa tentativa de descrição, tanto quanto possível abrangente - quer-se lembrar o Turismo, mas também aquilo que o contextualiza, e que é muito.   

Turismo: não importa qual? Seja de que tipo for: sejam férias de descanso balnear e de restauração em geral. Ou férias de turismo total, com a imersão numa outra cultura, religiosa e antropológica. E até mesmo, não sendo férias, tratando-se das deslocações de estrangeiros ao nosso país, em curtas visitas de trabalho.

Por muito que queiramos inventar relativamente a novos serviços, originais, que se prestem aos turistas. Ou a oportunidades que se queiram oferecer aos visitantes, nunca se deve descurar aquilo que é básico. Melhor: aquilo que fazemos e temos para nós, e não apenas por mero provincianismo, para oferecer aos estrangeiros!

Talvez no intuito que recomendem o país a outros? Que assim virão depois, e sucessivamente se implementem as vindas de outros estrangeiros; que trazem o seu dinheiro para pagar o que vamos produzindo...

A nossa preocupação com toda esta explicação - que queremos ampla - prende-se com o facto de se verificar que, enquanto povo, frequentemente, falta-nos a mais normal auto-estima!

Por isso só vemos determinadas necessidades a partir dos que nos visitam... Esquecemo-nos de nós, e que no nosso quotidiano vamos suportando o que não deveríamos suportar!

Que vamos aguentando serviços deficientes e incrivelmente mal prestados. E só ao calçar «as tamanquinhas dos visitantes estrangeiros», então é que vemos quanto são vergonhosos!

Enfim, o último número do jornal SOL veio pôr a nu a vergonha que se passa na venda de Bilhetes, Passes, Assinaturas, Títulos de Viagem, válidos - chamem-lhes o que quiserem - na Estação de Comboios do C. do Sodré.

Que nós portugueses aguentamos tanta estupidez junta, é sabido! Que a capacidade de sofrer é imensa; ou é estoicismo em prol do nosso próprio comodismo e ignorância? Que é uma não inscrição do tema e do problema, como escreveu José Gil, também se percebe! Que não nos atrevemos a avançar com a denúncia das ilegalidades, como deveria ser feito, conformando-nos com a burrice  nacional e pessoal... Tudo isto é sabido.

Só não se sabendo até quando... 

Aceitar como normal não só esta questão de não haver bilheteiras para a grande afluência de passageiros - que querem, desejam, precisam, de um serviço, que lhes é «rateado»... - é compactuar com muito mais distorções! Porquê? Qual é o intuito*? Acabou-se a Democracia? Estamos nalgum país de Leste, tal como foram nos anos 60-80 (do século passado)? 

 

Será que só saímos desta crise (e de todas as outras), se pularmos das "tamanquinhas do nosso comodismo", para uma "cidadania séria, e de exigência", apresentada na Praça Pública? Ensinando aos políticos aquilo que eles, nas suas redomas de vidro, ignoram! 

Mostrando, por exemplo, que os comboios a funcionarem adequadamente, não são apenas uma necessidade provinciana, para turistas e "para inglês ver": são algo de básico que um Ministro da Economia - Álvaro ou não? - devia saber... 

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*Nessa coerência da estupidez, é aceitar como normal, que nas Universidades se escondam resultados de investigações...?

É aceitar que desapareçam elementos fundamentais das mais importantes compras que alguma vez o Estado fez?

É aceitar, normalmente, o desconhecimento pelo MEC, do que se passa no Ensino Superior? Ou está o MEC à espera de uma auto-regulação? Que vejam o caos instalado nas Bilheteiras da Estação do Cais de Sodré, e os resultados (que há semanas são inexistentes) duma auto-regulação que normalmente seria facílima implementar!

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=56977

Enfim, como projectistas sabemos o que são caudais ou fluxos de pessoas; como se resolve um problema desse tipo, aumentando o número de máquinas, e bilheteiras abertas. Não é auto-sustentável?

Não estará o desejo de austeridade a conduzir à estupidez própria dos regimes autoritários?

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt


10
Ago 12
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

"Being architect" foi o tema escolhido pela Edição do nº 245, relativo a ABR./MAI./JUN. 2012, para tratar nestes tempos que são os nossos: mais do que conturbados!

Mas se eles são de perturbação para a maioria das pessoas, connosco temos tido a imensa sorte de ter que reconhecer que são tempos de Sabedoria.

É um Saber nosso, praticamente sem ser conversado ou debatido - como devia suceder no caso de um estudante de doutoramento. Mas neste ponto outros deveres também se impunham, a outros:

Concretamente deveria ser proibido a um orientador ter mais do que 20 a 25 orientandos!

Mais: deveria ser proibido poder ser alguém que se vangloria de um facto como esse!

Explicadas as razões de uma tal «Sabedoria» que tem que se manter sã apesar de só, avançamos para alguns comentários que o último número do J.A. nos suscita.  

De entre todas as entrevistas sobressai a que foi feita a Nuno Teotónio Pereira. É espantosa a lucidez do entrevistado; mas é também admirável a prontidão com que responde de uma maneira muito pragmática àquilo que é ser arquitecto, e àquilo que entende dever ser a arquitectura.

De uma maneira que é totalmente diferente da conversa - quase um solilóquio - que decorreu entre Souto Moura e Siza Vieira. Pois não conversaram nem debateram ideias, apenas parecem acrescentar dados e informações um ao outro.

Que nos desculpem (se quiserem!), mas esta última entrevista, posta ao lado da primeira - a de Teotónio Pereira - parece a de dois meninos que falam dos seus "Gadgets" recém adquiridos. Os brinquedos de última moda que cada um conseguiu ter, ficando as pessoas, a sociedade, os grupos para os quais tentam dar respostas, colocados bem lá atrás nas suas preocupações...

Não dizemos que não tenham servido a sociedade, os ditos grupos que usufruem da arquitectura, mas sem dúvida que a postura é totalmente diferente! O compromisso, ou a ideia de missão que houve em Nuno Teotónio Pereira é algo que fica muito longe: bastante acima, claro!

Haveria ainda imenso a acrescentar sobre a Revista, em especial o facto de sabermos que nestas entrevistas há perguntas e respostas que passam ao lado da História: i. e., do que de facto aconteceu. Porque em geral se baseiam na ideia da futilidade e inutilidade dos ornamentos, e dos decorativismos, algo que vimos a perceber não ter sido exactamente assim.

Assistimos a debates que parecem empenhadíssimos na análise de uma realidade que teria acontecido; como se tivessido sido factual! Mas ocorrem sobre erros e mal-entendidos, básicos, como se pode confirmar por exemplo no Dictionnaire Critique D'Iconographie Occidental (dir. Xavier Barral i Altet, PUR. p. 637); quando o autor dessa entrada lembra «a sentença» de Adolf Loos sobre o Ornamento, e os enganos que desde logo continha.

No início do séc. XX os ornamentos poderiam estar esquecidos, assim como os seus significados, mas eles tinham sido durante centenas e milhares de anos, uma Linguagem. Imagens que foram bem menos superficiais do que as que aparecem na fotografia seguinte, que apresentámos há dias*.

Não queremos aqui explicar «o como?», mas sabemos que, muitas vezes, essa mesma imagem dos círculos moldados a massa colocados na fachada de um prédiozinho de Torres Vedras, esteve na base de inúmeras edificações da História da Arquitectura.

 Depois, repare-se que tal como detectamos os erros em que incorrem vários autores a partir da dita asserção de Adolf Loos - porque desconhecem esse «mal-entendido» do início do século XX - muitos outros erros se lhes seguiram, inclusive na actualidade**

*http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/34463.html

**Razão pela qual o facto de haver professores-orientadores de um grande número de teses, em simultâneo; e também conhecedores do nosso trabalho - que vão ajudando a que se mantenha em silêncio - esse comportamento é, parece-nos (?), muito ambíguo e quase desonesto. Porquê? Porque há teses que estão a ser desenvolvidas com base nestes mesmos equívocos que entretanto não se esclarecem. Há portanto teses que ainda não estando prontas, já estão erradas. O que a concretizar-se é profundamente injusto para os esforços imensos levados a cabo pelos estudantes, seus autores.

Ver sempre:

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


07
Ago 12
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Agora aqui - e não apenas em Iconoteologia* - voltamos à reunião de 5 círculos. Não são os círculos olímpicos que consideramos terem tido uma origem inconsciente em Iconografia antiga**, mas são os círculos que desenharam a Cruz Pátea.

Percorram os nossos blogs e posts  e verifiquem a quantidade de imagens que já publicámos de acordo com estas «regras» e processos de composição.

Observem o Arquivo que está a ser constituído: de momento já ultrapassámos, e muito, as poucas imagens que conseguimos incluir no trabalho dedicado a Monserrate. Já que nessa situação não era fácil ir mais longe, tendo ficado muitos materiais de fora.

Facto que exigiu da nossa parte uma selecção que fosse a mais representativa possível; numa situação em que, quer a quantidade quer a qualidade das imagens, permite evidenciar a pertinência das ideias que defendemos.  

Volta-se à pergunta, que não é uma dúvida metódica (e já houve muito tempo para duvidarmos das nossas próprias ideias). Hoje a pergunta é dirigida aos leitores: Porque será? Que razões podem ter estado na base destas associações de círculos?  

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/33982.html

**Supomos que deve ter sido inconsciente, mas só quem os concebeu e desenhou como logotipo a aludir aos 5 continentes poderia esclarecer este ponto.

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt


04
Ago 12
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

E perguntamos porque não ofende, mas a resposta, eventualmente, é provisória... 

Há alguma relação entre estas janelas? Que em geral têm sido designadas agimezes, mas que, aprendemos com N. Pevsner, são vãos bífores, de que a arquitectura italiana e europeia está repleta.

A pergunta não é dirigida à relação formal, pois são muito semelhantes. Mas, sobretudo, pergunta-se que «relação significante» existe entre elas: porque razão tendo entre si séculos de distância, ambas foram colocadas em obras emblemáticas*? 

No primeiro caso são do Palácio da Vila de Sintra, e no segundo caso, em 2000, foram colocadas por Foster no "court" do British Museum**.

 

Certo é que correspondem a uma das primeiras traduções visuais de uma ideia teológica que Clóvis (antes de todos os outros povos bárbaros), defendeu, e assim deu um exemplo que outros seguiram. Não apenas os «Godos do Oeste» ou Visigodos, instalados na Península Ibérica depois de 411***, mas também quem os antecedeu e quem lhes deu continuidade - i. e., outros povos e grupos de origem germânica - concretamente no centro da Europa: Carlos Magno. Ele que foi no Sacro-Império Romano Germânico, o primeiro imperador descendente dos invasores bárbaros.

É uma história longa, repleta de detalhes onde Imagens e Poder se entrelaçam permanentemente; uma história capaz de explicar mais dos que as sobrevivências estilísticas, os chamados Revivalismos: os quais se supunham totalmente desligados de crenças, ou de sentidos de nacionalidade, fundados na religião...

Ou seja, têm sido estudados e fundamentados muito mais por questões de Gosto - desligado de outras realidades que o influenciavam (quase ao nível da futilidade). Sem que se veja o papel essencial que as religiões tiveram nestes temas da Cultura Visual, como em Monserrate uma nova história já fizemos referência.    

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Segundo cremos, por razões religiosas e de eclesiologia, que em Inglaterra prevaleceram (e se debateram bastante) durante o século XIX, neste país o significado antigo de certas formas não estaria definitivamente perdido. Ver em Monserrate, uma nova história, onde esta questão já foi tratada: ver nota nº 39, p. 162, onde se explicam transições formais do Clássico para o Cristão, e vice-versa.  

** Onde também podem estar como alusão à Sala de Leitura do British Museum?

***Aconselha-se a leitura de L’épiscopat de Lusitanie pendant l’Antiquité tardive (IIIe-VIIe siècles), I.P.A., Lisboa 2002. Ana Maria C. M. JORGE

Ver ainda:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c5/British_Museum_Reading_Room_Panorama_Feb_2006.jpg http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


02
Ago 12
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

A ideia de que só no Porto é que se trabalha, nunca foi para nós muito simpática, por não nos parecer verdadeira. Mas desta vez recebemos localmente essa ideia ou algo de parecido. Será que a «baixa portuense», por estar em obras e repleta de turistas é a causa dessa nossa ideia? Da sensação que a vida continua e não pára por causa da crise? Estará o Porto mais virado para oportunidades do futuro, para o Turismo, para a recuperação do Património e assim menos deprimente? Ou será que no Porto nos sentimos em férias, e é essa a razão para nos sentirmos bem? Entusiasmados com o que nos rodeia? Alheados de motivos para se estar «desmotivado», ou sem se saber o que fazer à vida? No Porto as ideias chovem? Ou as oportunidades  parecem estar ao alcance da mão?

Talvez...Não temos uma resposta, já que as possiveis respostas parciais são várias... Como o resgate de memórias que se estão a perder

http://www.museudoresgate.org/

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Outro Assunto

Parabéns aos professores e aos alunos que concretizaram o trabalho cujo link se apresenta a seguir. É a prova de que muitas vezes é no Ensino Secundário que mais se progride. Havendo casos em que no Ensino Superior há percas de conhecimentos essenciais, que já se tinham trabalhado no Secundário, e que, naturalmente hão-de voltar a ser necessários em várias profissões; ou nalguns momentos específicos de certas profissões.

Cujas lincenciaturas, e formação dita superior, não contemplaram o reforço dessas competências e conhecimentos. E ao serem precisas vão-se buscar, de novo, ao que foi aprendido no Secundário.

Isso passou-se connosco, em tempos que já lá vão e hoje poucos relembram...

Portanto, também não se questiona esta ideia: faz sentido que em determinadas profissões e formações isto esteja a suceder? Que haja um intervalo de tempo em que determinados temas e assuntos, importantes na vida profissional (prática), não tenham sido revistos, enquadrados e balizados, para as especializações que o quotidiano profissional vai certamente exigir?

Neste caso estamos a falar com conhecimento de causa em Tecnologias de Materiais. Materiais, cujas solicitações em obra, desde a resistência a esforços mecânicos, ou a pequenos desgastes resultantes do uso, exigem conhecimentos muito práticos.

http://www.cienciaviva.pt/actividades2010/uploadFiles//Granito_do_Porto FINAL.pdf

É que, mais do que nunca a imagem que se capta da arquitectura não é constituída por desenhos vindos da natureza e da mente, mas resultantes do uso e aplicação de materiais novos. Ou de materiais antigos e tradicionais, trabalhados de novas maneiras.

Está-se, perante uma Estética e procura da Beleza, criada a partir da Técnica

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/33982.html


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