Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Nov 12
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

… para estudar e investigar porque não houve uma substituição geracional (de pessoas responsáveis)? Como ao lado dos adolescentes de bullying estão ex-Ministros da Tanga, da Treta e da Mentira; Banqueiros do Aguenta, Aguenta?! Enfim, a choldraboldra de incompetência que sabemos:

 

De pessoas que vêm de famílias que, supostamente, lhes deram o melhor: e por isso deveriam mostrar ser os mais bem nascidos, os mais bem-educados*, pessoas completas, etc.

Não há futuro que não seja necessariamente forjado, decidido, executado, desejado, a partir do passado.

Como por exemplo um dia se inaugura uma Grande Exposição, o futuro pode inaugurar-se todos os dias (como nova realidade do presente) sem pompas, porque no passado, dia-a-dia, tinha sido criado e inventado.

Os Boys deste país, os que já vão da faixa dos 38 aos 68, em geral não fizeram tropa e por alguma razão (de privilégio elitista) foram dispensados.   

Como explica Elisabeth Badinter**, ao longo dos séculos, ao homem (mais do que à mulher) a sociedade tem exigido que saiba fazer transições: que um dia saia do ambiente feminino em que foi gerado e criado, se dispute agressivamente, desenvolvendo os músculos e a mente, num ambiente diferente do primeiro, ao qual um dia regressará.

Voltará não só mais forte, mas mais conhecedor, inclusivamente da sua experiência, que também incluiu, forçosamente, o regresso à «paz do lar». Paz (e transição/passagem) que o tornará compreensivo e o fará passar de Guerreiro a Senhor***.

A Cultura Ocidental consagrou os mais velhos da Grécia – onde pontificavam os «Amigos do Saber» – como Gerontes Admiráveis: Sábios que incutiriam o Conhecimento e a Sabedoria nas gerações mais novas.

A divisão a que hoje se assiste em Portugal, e em que parece que ninguém ouve ninguém (nem os mais novos sabem ouvir…) levou a que ontem se reunissem na FCGulbenkiam, em torno do General Ramalho Eanes, do Cardeal Patriarca e outros – muitas (mas mesmo muitas) cabeças brancas, que enchiam a plateia.

Pelo relance rápido das câmaras de vídeo, eram exactamente os Gerontes Sábios, que os Boys das Tangas, das Tretas e das Troikas não sabem nem querem ouvir.        

Para estes últimos Manuela Ferreira Leite foi a «Bruxa» que não deixaram chegar a Primeiro-Ministro, preferindo – como se vê agora – a imagem duma Puppet: a sua Mestra Merkel que sem ser Barbie é muito mais bonequinha, aproximando-se do conceito do Action Man: o brinquedo marca de uma geração que alguns dos ditos Boys já tiveram. Ao qual bastava mudar o blazer, acessórios como pistolas e espingardas, e assim – “just pretending” (e enfiados nos espaços limitados de quartos de dormir e de brincar...) – lá libertavam alguma, pouca, agressividade! Pouquíssima imaginação!

Foram as aprendizagens de meninos que nem chegam a ser de côro, e que, aguenta, agueeeeeeeenta (eles aguentarão toda uma vida, sim!), sem que uma luzinha mínima, um só pirilampo, acenda em tão fracas mentes.

Irão para a cova sem perceberem que a sua sede de Poder e de Protagonismo só foi ruidosa e destruidora, e também incapaz de criar! Que os jogos e os exercícios bélicos que não fizeram, num qualquer Ring de Box, como deviam ter feito na idade própria, os levou a estragos demolidores!

Como não pegaram os touros do Marialvismo - que subjaz quase intacto nos seus comportamentos - e voluntariamente não foram  ajudar ninguém, só lhes ocorreu tomar o Poder a qualquer preço, e ao mais alto nível: o da Nação!

Depois, imaginativos como são, e porque o número de «cadeiras do poder» é limitado, viraram-se para as Empresas, Grandes ou PMEs, algumas mesmo muito pequenas como as crianças, frágeis como o país (e o actual sistema político) ainda é. Aí não ajudaram a consolidá-las, nem a colá-las, limitaram-se a tomar o poder, a macaquear os exemplos do nível nacional, que ainda desejam atingir!

É com os fracos e com os idosos – a que não deram apoio - que se treinam a fazer e a organizar: tirando-lhes tudo!

A todos estes, os Boys – aqui dificilmente chegarão a ser Senhores – tiram agora a dignidade que vinha a ser construída, depois de décadas de pobreza e miséria…

Os Boys que pouco fazem, algum dia gastaram energias a fazer desporto, em competições formativas? Eles sabem nadar? Iam às aulas de Educação Física? Chegam a saber ler? Eles conhecem a História da Europa e do país, para trás de 1980? A sua Geografia Física e Humana; conhecem, leram, Orlando Ribeiro? Eça de Queirós? Camões, Bernardim Ribeiro, dizem-lhes alguma coisa...?   

Há no nosso post um excesso de moralismo?

Há! É o tropo da construção: que a Sociologia e o Ministério da Educação retirem as lições que urge reter e analisar, porque qualquer país precisa de produzir/construir Trabalhadores que saibam pensar e trabalhar, como precisa de construir/produzir Elites que saibam pensar e dirigir…           

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*Razão teve Saramago para falar dos “meninos nascidos à sombra”. Porque não havendo receitas para produzir/educar um homem ou uma mulher, completos, pareceu-lhe que as faltas (em vez do excesso que houvesse «alguma pobreza» e a inteligência para as compreender e justificar), também poderiam estar na base do que depois leva à formação de alguém mais completo, «radioso», ou de sucesso, como se diz.

** Elisabeth Badinter, filósofa francesa nascida em 1944, autora de: X Y – A Identidade Masculina. Ver edições Asa.

***Apesar da faixa etária definida acima, não esquecemos os traumas para a sociedade portuguesa, toda, originados pela Guerra Colonial.

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/


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