Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
21
Fev 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Ou seja, uns dias depois do "Rewarding Disobedience", e tendo nas mãos mais um álbum dedicado a Monserrate - que nos lembra os vários álbuns que foram feitos no meio-fim do século XX (enquanto lá em Sintra o edifício se ia desfazendo...). Por aqui vamos vendo, cada vez melhor, o que os desenhos e as imagens sempre ensinam*:

 

"Drawings that were (& still are) a reward"

E decidimos brincar com elas. Que é como quem diz, vê-las ainda melhor, estabelecendo métricas e marcas (o traço verde) para ajudar na comparação dos desenhos.

owen 002-blog.jpg

Acima imagem vinda da versão francesa do trabalho de Owen Jones - arquitecto e decorador inglês (na actualidade seria o verdadeiro designer) que reuniu ornamentos dos principais monumentos da Europas Ocidental, mais especificamente, daqueles que eram visitados no Grand Tour. Imagem (vinda da versão francesa La Grammaire de l'Ornement, ed. L'Aventurine, com os textos da tradução de 1865) que parece estar na origem do desenho que foi aplicado em grandes áreas do Palácio de Sintra.

Abaixo a imagem das paredes de Monserrate (fotografada em 1987 e passada agora a desenho) deixando para os leitores a curiosidade de procurarem as diferenças e as semelhanças**.Padrões-estuquesMonserrate-blog.jpg

Por fim, e apesar de se saber que Owen Jones fez este trabalho aproveitando os conhecimentos que vinha a adquirir, entusiasmado com as possibilidades da cromolitografia (que então estava a nascer). Na verdade, e apesar desse seu interesse - mais técnico - por um processo de reprodução que permitia imprimir a cores, é forçoso destacar que este trabalho de Owen Jones é também de uma enorme qualidade literária (histórica e informativa***):

Assim, na Grammar of Ornament encontram-se óptimas informações que completam outras - em geral mais conhecidas, ou mais acessíveis, vindas de autores mais recentes, e da bibliografia contemporânea (mas não tão rigorosa). Como são exemplo as dos Dicionários de Símbolos, ou de trabalhos valiosíssimos, como é o caso do Dictionnaire Critique D'Iconographie Occidentale 

owen 003-b.jpg

Por isso a escolha do excerto acima (de Owen Jones), relativo às imagens que designa "Mauresques". Como se pode ler é incrivelmente preciso e informativo, fazendo lembrar o que vemos (e lemos) em sinais tão diferentes, mas que são igualmente, muito falantes. Ou seja, nos sinais nascidos no contexto da Arte Cristã, e que se destinavam a exprimir ideias do cristianismo.

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*Isto é, há (ou devia haver, e praticar-se) um carácter muito mais experimental adequado para a investigação em artes visuais. Já que, sempre que se põe a mão num qualquer desenho, pode receber-se em troca «um dilúvio de informação»!

**Não me esquecendo nunca da  Visita Guiada a Monserrate, da RTP, e da grande lata da Maria João Neto a dizer que tinha sido facílimo encontrar nos desenhos de Owen Jones os padrões do Alhambra que foram transpostos para os estuques de Monserrate. Percebe-se! Ela lá sabe (aliás melhor que todos!), como plagiar é mesmo facílimo...

***Porque, lá atrás (no tempo), mais perto dos acontecimentos, há autores que transmitem informações muitíssimo mais completas. Bem diferente daquilo que hoje os nossos contemporâneos, andam tão longe de (as) perceber, quanto mais consegui-las nas investigações que fazem. Passa-lhes ao lado...


19
Fev 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Este nosso blog foi criado para os assuntos sobrantes de um mestrado que a FLUL decidiu esconder...*

 

No entanto, e muito antes que a FLUL (para nós) existisse, e depois disso, houve e há muito mais vida, e muitos mais assuntos, nos quais sempre estivemos implicados. E este é um deles.

Aliás, a nossa entrada para o IADE relacionou-se com a necessidade de divulgação dos temas da poluição e da preocupação com a sustentabilidade, junto, e para, os estudantes de design.

Para que incorporassem esses temas nos seus projectos, quando a referida preocupação se via mais ao longe, e pareciam evitáveis muitos dos problemas que, de agora em diante, já não se sabe como se vão conseguir estancar?

Mas, até que nos fartámos nós de tanta parvoíce, desligámos. Sim, desligámos, de uma sociedade surda e apostada em ser disparatada. Nada prudente; com todos a portarem-se como verdadeiros adolescentes...

Só que, e começo (felizmente) a colocar esta questão assim - a da certeza de que quando partirmos deste mundo, vamos daqui com a consciência (a moral e a científica, ou melhor, vice-versa) mais do que descansada! Por tudo o que ensinámos e o muito que avisámos...*

E hoje é outro aviso, porém, como os anteriores, também nada simpático... Ou talvez bem pior?

Se na África do Sul, dadas as alterações infligidas ao planeta - que reagiu modificando-se em aspectos que lhe conhecíamos como estáveis e adquiridos (o clima); se nesse país a falta de chuva obriga a 25l água/pax/dia, imagine-se que no futuro (próximo) um dia nós teremos o mesmo!?

Visto que se tratam de regiões geográficas equivalentes, no hemisfério Norte e no hemisfério Sul, com condições climáticas análogas.

É preocupação porque os governos não podem fazer tudo, e principalmente porque nem reagem a tempo. Dava/daria muito jeito que os vários aspectos que aqui estão implicados (Higiene e Saúde Pública) começassem a ser vistos por quem tenha capacidade para o fazer, nas áreas da Engenharia da Saúde e do Ambiente.

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*E Thanks God ou Deo Gratias pelo que aprendi na FLUL. Mas não pelas "membranas" de que, na sua imensa ânsia de plagiar, Maria João Baptista Neto anda agora a escrever. Mas claro, é com ela (pois membrana é hoje coisa de Osmose, e de ETAR, suja, como se sabe...). Ver em Glória Azevedo Coutinho, Monserrate uma Nova História. Livros Horizonte, Lisboa, Fev. 2008.


18
Fev 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

frco-em monserrate.jpg

Ou, um outro provérbio: "De pequenino se torce o pepino..."

 


16
Fev 18
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

É Esta


15
Fev 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

SEI BEM DE MAIS AQUILO QUE ENSINEI, DESDE 1976, NO IADE.

 

E hoje sei até, muito melhor, das guerrinhas ridículas que foram feitas... Não pela nossa competência - a de quem não sendo «doutorado em materiais», sempre foi, apenas e somente isto: uma utilizadora dos mesmos; transmitindo depois esses saberes - de utilizador experiente.

Porém, ao contrário, a incompetência (alheia, do início do século XXI) entendeu tudo de modo diferente: ou seja, entendeu de um modo típico deste tempo, que é o dos hiper-especializados. Ou, o tempo dos que também são, nas suas práricas, os mais fantásticos ignorantes da generalidade.

Com comportamentos de quem não aceitando que pudesse haver professores, e ensino, transdisciplinares - como acontecia nas antigas escolas técnicas, dos meados do século passado (em que o IADE se inspirara). Então, esses benfeitores de vistas larguíssimas decidiram portanto guerrear e incomodar quem (JÁ) estava no seu posto há décadas...   

Mas enfim, deixá-los, porque sei sobretudo quem tem vivido com a consciência (i. e., Com a Scientia) muito tranquila de ter feito o melhor que podia e sabia.

Sei os livros que comprei, e as Sebentas de Estudo que fiz para os (meus alunos) poderem estudar. Sei, ainda por cima, que chegaram aos alunos de outras escolas, como a FAUTL...

A.QUARMBY 001.jpg

E, particularmente, hoje lembro-me do que disse sobre os plásticos..., e sobre a sua história interessantíssima; bem como sobre as facilidades de moldagem destes materiais, e o melhor emprego, mais adequado para os termo-estáveis, e para os termo-plásticos.

[Nestes blogs, corro até o risco de repetição, pois parece que ainda há dias se escreveu isto?]

O tanto que se disse naquelas aulas que os termo-plásticos  eram mais fáceis de destruir e os termo-estáveis - mais estabilizados quimicamente -, por isso muito mais duráveis: embora nenhuns se devessem usar no fabrico de consumíveis! Deveria preferir-se usar o plástico para objectos de maior durabilidade, em que os processos de moldagem, por exemplo por injecção, fossem os mais adequados para a produção de objectos com geometrias mais difíceis de obter em qualquer outro material (impossível de injectar em moldes).

PLASTICS 001.jpg

Mas "bem prega frei Tomás...", e num mundo a praticar cada vez mais o contrário (do que se ia dizendo nas aulas*), que sentido fazia estar a falar para peixes surdos, imersos em águas incrivelmente profundas? Falar às cabeças dos que não queriam emergir, nunca?

Assim, cerca do ano 2000 - mas sem que saiba precisar a data exacta... - passámos a estar dedicados à disciplina de Projectos de Design de Interiores, ou Ambientes. Quer dizer, à disciplina que é a cúpula normal, de todas as diferentes bases que antes vínhamos a lançar e a construir (que é como quem diz - a ensinar).

Foi porque desistimos que mudámos? Não! Não se desistiu de nada! Só que não vale a pena teimar, e hoje cada vez mais se vê que "vozes de burro não chegam ao céu". Em especial neste mundo que anda infestado de sábios

Uma coisa é certa, no espaço da nossa geração - a do baby boom do pós-guerra - e é horrível dizer isto (por tanto que se fez para que não acontecesse assim...!) o planeta foi quase completamente destruído. Por isso o título -

Será que ainda vamos A TEMPO?

Irá Isabel II a Rainha de Inglaterra a tempo?

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*E com vários políticos (PMs & Companhia), de que não temos saudades, a fazerem exactamente o contrário daquilo que se ensinava no Ensino Superior. Dando assim péssimos exemplos e insuflando teorias opostas ao que se devia estar a praticar.


14
Fev 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

..., ou lindo, lindo, lindo - no dia de S. Valentim - seria explicar como as mandorlas se transformaram em corações que a Arte Portuguesa tanto valoriza:

hearts-4.jpg

hearts-3.jpg

Que aqui se dedicam aos obscurantistas:

Doutores fátuos, autores das teses que lhes deram o poder (nas instituições onde m'andam...), mas não a clareza do seu saber!

Uma clareza que, por acaso ou não, recebemos com grande simplicidade

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12
Fev 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Já há dias se apresentou esta página de um livro de J.-A. França. Mas agora os sublinhados mostram que o assunto do post de hoje são os telhados altos:

j.a-frança-telhados-chalets.jpg

Ramalho escreveu sobre um "Horto Psiquiátrico" instalado nos Estoris; "Chinfrim" que como ele próprio pôde ver se espalhou, de Cascais em direcção a Lisboa. Num processo que - leiam acima - "de linguagem culta passou a linguagem corrente"... 

É verdade que não sabemos muito bem - nem fomos mais longe para indagar -, onde acaba a descrição de Ramalho Ortigão e começa a de J.-A. França. A simbiose parece perfeita, e assim, melhor ou pior (?) aceitamo-la*.

Até porque no texto acima, no parágrafo que começa em "Os «chalets» anglo-suíços marcaram..." pode parecer um diálogo em que também esteve presente A.W.N. Pugin. Com Pugin - o arquitecto, a lembrar o problema do peso da neve e do gelo (e já há dias se adiantou esta questão**) sobre as estruturas construídas. De uma página sua, aqui fica a prova com uma pergunta:

Dada a importância do que escreveu, e como esses seus escritos contrubuíram (talvez mais do que a obra realizada?) para mudar a arquitectura; será que foi ele o primeiro a introduzir a ideia de que os telhados altos eram para a neve poder escorregar? 

pugin-roofs 002-b.jpg

Pois, seja como for (não sabemos?), mas quando se lêem alguns excertos do Libellus formatione arche de Hugo de S. Victor, por essa obra conclui-se da importância da Arca de Noé para a imagem da igreja (e da arquitectura) gótica. Mas, primeiramente, porque foi essa a ordem, para a igreja tardo-românica (ou proto-gótica), e depois para a igreja gótica.

Enfim, e concluindo, quando se fazem essas leituras e nos apercebemos dos muitos questionamentos (tão erróneos) em torno das "origens do estilo gótico"; então, esta justificação da forma íngreme dos telhados - de serem assim por causa da neve -, francamente, «não cola»!

E mesmo que vinda do consideradíssimo A.W.N. Pugin, não deixa de ser para nós (como aliás já se escreveu) - uma "boutade arquitectónica". 

Mais: vale a pena ler o original, e indo assim direitos ao assunto - no Livro do Génesis. E neste ler a descrição dos preparativos de Noé, que devia construir uma arca como Deus lhe disse***.

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*Lamentando que não tenham conhecido (ou pelo menos referido...) a ideia Enciclopédica que existiu e se fez em Kew Gardens? Pois talvez vissem melhor - com «mais bondade» - a colecção arquitectónica que existe no Concelho de Cascais. Talvez a precisar de roteiro turístico, exactamente com esse espírito. Mas, lá estamos nós a dar ideias...

**Como podem verificar já se aludiu ao assunto mais do que uma vez:

http://primaluce.blogs.sapo.pt/tecnicas-laboratoriais-ao-servico-de-396759

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/ainda-em-torno-da-obra-de-hugo-de-s-44496

***Como é sabido, a monarquia e a nobreza sempre consideraram que o seu poder (e autoridade), são de origem divina. E alguns também sabem que uma das preocupações dos arquitectos oitocentistas, face às variedades arquitectónicas que então passaram a existir; nesse século XIX continuou a haver - ainda antes da preocupação com a funcionalidade -, uma preocupação com a conveniência.

Portanto, fosse em Cascais ou Sintra (cuja arquitectura dita "de veraneio" está repleta de telhados altos), ou em qualquer outro ponto - e o mesmo na maioria dos países ocidentais; os arquitectos e os construtores questionaram-se sempre sobre qual deveria ser o estilo, e as formas mais convenientes para marcar/distiguir casa do rei, e as dos nobres que o companhavam? Como vemos (por aqui, hoje), a resposta predominante encontraram-na nos telhados altos das igrejas e catedrais...


09
Fev 18
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

... sobre como se estuda em Portugal, e não se deixa inovar. Aliás típico da FLUL*

 

Como as instituições e os seus caminhos são inconsistentes, aleatórios ou à vontade de cada novo freguês - arrivista -, ou acabado de chegar. Sempre indiferentes aos passos já dados, às novas explorações e às novas hipóteses colocadas.

Diz a OCDE

E por aqui seguimo-los, aos relatores, não deixando que nos silenciem!

 

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*Não aceitando que se retirem todas as conclusões, sobretudo as melhores e os avanços feitos nas áreas científicas em que eles próprios impingiram temas e ideias que obrigaram os alunos a investigar. Mas em que no fim, esclarecidos os enigmas, à boca cheia, os próprios responsáveis repetem: "Esconda, esconda, esconda, ponha para trás!"


07
Fev 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...para a historiografia e para uma melhor compreensão do que se passou. Ideias formuladas por quem estudou e conheceu bem a evolução da arquitectura: dos primórdios até meados de oitocentos.

Aqui um excerto escolhido de - On The Revival, by A.W.N. PUGIN:

 

“Styles are now adopted instead of generated (…)”*. Frase que sintetiza, em tão poucas palavras, a escolha por vezes muito variada - e a parecer tão aleatória - das tipologias arquitectónicas, da que é chamada agora (especialmente por aqui), em Cascais, "Arquitectura de Veraneio".

Principalmente explica, o que se passou no século XIX: quando os «arquitectos» se aperceberam da existência de uma enorme variedade de estilos; vindos da História (em geral, e da Arte em particular) que se estava a organizar. E vindos também de uma noção de Conveniência (ou Décor), que levou a que se pensasse que cada estilo seria mais apropriado para esta, ou para aquela outra, utilização funcional.

Se «disparam», em número, as tipologias dos edificios, já que passaram a existir Estações Ferroviárias (que alojavam magnificamente as gares dos comboios) - para servir um grande número de pessoas e prestar serviços até então inexistentes; novos (e enormes) Hotéis, grandes Espaços de Espectáculos (tendo estes buscado o modelo do Coliseu de Roma, por exemplo); ou ainda as Feiras Industriais, Museus, como munca antes tinham concebidos... Grandes Estufas - com a criação artificial de diferentes climas, etc. etc. Enfim, todos estes novos projectos, que se começaram a especializar em utilizações diferentes, os respectivos autores questionavam-se (e muito frequentemente foram buscar ao passado) sobre as formas estilisticas que seriam as mais adequadas para as novas funções e actividades. Por isso a palavra adoptar usada por Pugin.

Mas ainda a mesma frase - “Styles are now adopted..." também explica várias reacções (furiosas) vindas de Ramalho Ortigão. Quem sabe (?), conhecedor do que se estaria a fazer noutros países, concretamente em Inglaterra. Onde, desde o século XVIII até meados do século XIX, por razões históricas - que foram também religiosas, se tinha incentivado (imenso) o emprego do Estilo Gótico.

De José-Augusto França e A ARTE EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX, retiram-se comentários ao que se fez em Cascais e no Estoril:

j.a-frança 001-b.jpg

(ampliar)

Ramalho chamou "Horto Psiquiátrico" aos Estoris, clamou por uma Arquitectura que se assemelhasse à casa do Conde de Arnoso - agora à entrada da Marina de Cascais, e vista com uma imensidão de mastros atrás (em vez do mar e da linha do horizonte). E assim colocando, para um futuro próximo, a questão da «casa portuguesa»**.

A. W. N. Pugin - que viveu entre 1812 e 1852, era filho de A. C. Pugin, também ele desenhador de arquitectura (ou um Amateur, como foram chamados em Inglaterra). E apesar de A. W. N. Pugin ter vivido apenas 40 anos, como se sabe impulsionou fortemente o Revivalismo Gótico.

Em geral, tudo o que se escreveu acima, incluindo o último parágrafo (o anterior), está de acordo com o que pesquisámos, concluímos e ficou escrito em Monserrate uma Nova História - cuja redacção ficou terminada em 30 de Setembro de 2004. Só que dessa data para a frente, lemos muito mais e pudemos interligar e compreender ainda mais. Concretamente, a citada frase de Pugin - “Styles are now adopted..." (e mais o que vem a seguir).

Pois com muito mais tempo, e toda a maturação de ideias que pudemos fazer de 2004 até agora, passou a ser muito mais clara e uma óptima prova de que os Estilos não eram algo já pronto e definitivo, destinado a vestir os edifícios.Como em geral a Historiografia da Arte, pelo menos aqui em Portugal tem feito (e nas universidades ensina a fazer).

Contrariamente, deduz-se, e como Pugin escreveu, que cada edificação (antes de 1800 seria assim claramente): uma nova associação de detalhes e elementos construtivos; também de ornamentos. Uma reunião ou associação nunca antes vista. O que em Semiologia é chamada um Sintagma. 

Porém, mais tarde - e esta é uma dinâmica que percorre toda a História da Arte (já que houve períodos e há exemplos, em que a repetição de um paradigma era quase infindável). Mais tarde, repete-se, se essa obra fosse monumental, memorial, ou especialmente harmónica e bonita (ou até que tivesse sido um enorme sucesso...), depois era muito provável que se viesse a tornar num modelo. E algumas partes ou o todo desse novo modelo - ou seja o referido paradigma - o mesmo passaria a ser repetido. Interminavelmente, ou um enjoo como há muitos anos nos aconteceu (1971?) na região de Paris, Chartes, etc.

Por fim, sobre A.W.N. Pugin e os seus contributos para a História da Arquitectura, lembre-se que um dos mais conhecidos foi a colaboração com Charles Barry na obra das Houses of Parliament. Sendo também autor de várias obras escritas, as quais, entre nós (como demonstra a frase que deu origem a este post) são ainda razoavelmente desconhecidas...*** 

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*http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/pugin-as-formas-arquitectonicas-e-os-92847

**Ver José-Augusto França, op. cit., segundo volume, p. 166.

***Como por exemplo a ideia de que os telhados altos, com grandes declives, seriam assim para fazer deslizar a neve: sabemos que Pugin a refere. Mas terá sido ele o primeiro autor desta "boutade arquitectónica"? Quem sabe? Quem nos responde, já que tantas vezes se ouve, ...mas parece não fazer nenhum sentido!


04
Fev 18
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Estamos de acordo, ainda bem que há quem coloque a questão - cientificamente muito útil - que é a da desobediência.

Outros chamam-lhe pensar «fora da caixa». Ver os links 1 e 2 (também no fim deste post)

 

Não me esqueço, e já aqui escrevi várias vezes, sobre a escolinha da FLUL onde aos 50 fui fazer um mestrado para progredir na CD (i.e. na carreira docente - algo que tem estatuto legal*).

Até à publicação do livro (sobre Monserrate) fui vendo, predominantemente, e quase só os aspectos positivos; mas nunca deixaram de estar, e de existirem ao mesmo tempo, vários aspectos negativos.

Com o tempo a progressão passou a estagnação, e a regressão. E hoje até já falamos que afinal vim de lá, dos estudos do Mestrado na FLUL, roubada, e com um imenso atraso de vida! Qual progressão? A da Maria João Baptista Neto?

Mas o foco deste post é a desobediência. O que pode ser uma alegria (?), e ter até aspectos muito positivos. Gratificantes!

Não me esqueço de uma colega, mais nova, que também ela tinha ambições profissionais, normais, mas cuja família, apesar dela ser solteira, ainda pesou mais (do que a minha), limitando-a na sua situação, e nas decisões pessoais que os cursos e outras vertentes das nossas vidas profissionais sempre implicam,  É que mesmo que não haja leis escritas, há todo um peso que funciona como lei, e regras inerentes aos hábitos de vida de família tradicional, a que é preciso desobedecer...

Então, ficou já aqui registada uma 1ª desobediência (a protagonizar).

Depois, e em estudos de mestrado (iniciados em 2001, ainda não «de Bolonha») que não correspondem apenas a uma aprendizagem de nível científico, daquilo que já é sabido, e onde é preciso aplicar o Saber que é conhecido a casos ainda não estudados. Então, nesses estudos pode acontecer que na recolha de elementos, normalmente considerada investigação, surjam novos dados que vêm acrescentar Saber, àquilo que até então era conhecido.

É nessa fase que os novos dados são submetidos às regras e às leis da Ciência existente. Já que a imaginação de quem está a compilar dados, a estudar situações semelhantes, e a conhecer as regras a que normalmente cada caso obedece... É nessa fase que o estudioso começa a desobedecer, quando na sua cabeça, ao admitir (outras hipóteses), começa, curiosíssimo, a questionar e a imaginar que sejam outras as leis de funcionamento, ou as que regem, por exemplo a Vida, o Universo.

Ou até as questões muito mais pequenas, como actualmente sucede - e se estudam nos mini-mestrados e mini-doutoramentos, de Bolonha - para enfim o país apresentar melhores rankings a nível internacional. Acrescentado em 9.02.2018

Ora voltando às ditas desobediências, vê-se que vão funcionando, talvez não de repente (?), mas etapa a etapa. Sendo a segunda desobediência - a de uma mulher da sociedade tradicional portuguesa (pior ainda se tiver emprego, e chefes muito mais novos, mas com imensa ambição, e pressa a mais...) - o facto de ter começado a Imaginar**. 

Depois, se entender que está certa nas hipóteses que vai colocando, tenderá a formular e a propor novas regras: Começando a inventá-las, por vezes cada uma das novas ideias, depois as excepções à regra, também as palavras em que se exprimem, etc., etc. E desta maneira, prodigiosamente, ou de prodígio em prodígio e de sorte em sorte, novas desobediências, do, ou aqui da dita estudiosa, não vão parar de crescer.

Connosco passou-se, na dita escolinha (dos meus 50 - na FLUL), estando um dia toda a gente da aula a pensar nas «Ogivas das Origens do Gótico»; as mesmas que então tanto ocupavam e preocupavam a Maria João Baptista Neto - imagine-se só o que me saiu boca fora, nesse dia, a dado momento: "Mas afinal digam lá o que é uma ogiva, onde começa e onde acaba?"

Foi o disparate completo, momentâneo, um silêncio total. E logo me apeteceu ter um buraco para me enfiar! Vendo o que podia parecer asneira, e muito ilógico, acrescentei: "Mas a ogiva começa no chão, na base da coluna, ou no capitel?"

Para quem não percebe nada de cargas das estruturas - cujos pesos têm que chegar ao solo, e que este deve responder resistindo (e não deixando que o edifício vá descendo, e se vá enterrando) - a nova pergunta que se acrescentou, foi técnica, e foi pertinente. De quem considerando que ao tratar-se de uma peça estrutural, queria saber da correspondência entre essa peça e a designação que lhe é dada. A que elementos visíveis corresponde a palavra Ogiva? O objecto que naquele momento pairava na mente de todos, e que, tão aflitivamente, estava a alimentar uma discussão que parecia imparável***.

Assim, também «meio-aflita», no fim saí da aula a pedir desculpa pelo atrevimento: ou seja, pela desobediência mental. O que tinha sido o ultrapassar de uma linha (a do senso comum, quiçá, para todos os outros já perto da loucura?), como acabara de fazer.

Mas a sra. profª. (a dita e redita Maria João Baptista Neto) respondeu nessa altura com verdadeira sageza: "Não peça desculpa. Porque a sua pergunta, quando a faz, vem mais informada, é feita com mais conhecimento..." 

Então lá fui à vida, mas o assunto durante uns bons anos continuou muito vivo na minha cabeça.

Hoje sei que tudo isto nasce de um imenso disparate, em parte ancorado nas ideias de Viollet-Le-Duc, mas também nas dos historiadores que viram semelhanças a mais (exageradamente), por exemplo com a Biologia e os organismos vivos. E se a Arte, neste caso particular a Arquitectura das Igrejas e das Catedrais, foi vista como um ser (quase vivo) e constituído, organicamente, por partes, no entanto há um ponto em que as analogias terminam.

Claro que as analogias são óptimas para ajudar a pensar e para compreender. Todos os profs. as fazem ao ensinar. Mas o âmago, ou a essência, de alguns objectos é essa: São objectos e não são seres vivos! Porque uma igreja ou catedral, tal como uma cadeira ou o ambão de onde se fazem as leituras da liturgia, são objectos. E como tal, essas enormes edificações, estruturalmente precisaram, como uma cadeira também precisa (sempre), de peças onde se concentram as linhas de força: isto é, peças onde o peso próprio (da cadeira), mais o peso de quem se senta, e a resposta resistente (vinda do pavimento), se vão «localizar».  

Portanto quando perguntei o que é uma Ogiva, estava a reviver, plenamente, e a pensar de acordo com a lógica errada que tinha aprendido, e que todos temos usado; sem ninguém desobedecer ou denunciar, com voz forte, este erro imenso que todos fazemos. Eu estava a querer saber, como se fosse no corpo humano, por exemplo do fémur: "Digam lá desse osso da perna, onde é que começa e onde é que acaba"?

Prova-se aliás como são várias as lógicas que temos que passar a colocar, exactamente ao contrário. Porque a Ogiva ganhou o nome na palavra Auge, vinda do latim, em que o verbo augere significa ir mais alto, ou subir. Chamou-se Augive.  E a ideia de chegar ao Auge está bem explicitada em desenhos (muito) esquemáticos dos tratados De archa de Hugo de S. Victor que já colocámos em Iconoteologia.

Como está a seguir ampliado, em que a Ogiva foi desenhada como se fosse uma escada. Vendo-se que as pequenas figuras humanas estão a subir degraus; mesmo que muito altos e a custo. Numa ascensão feita vista de baixo, com o olhar, que era contemplativa, ou mística (designada augere).

E em que a cada degrau, ou pedra - na «faixa da ogiva» no desenho (ver abaixo) - surge também indicada a correspondência com um livro da Bíblia: concretamente do Antigo Testamento 

fotos.sapo.pt-ogivasHSV-1.02.2018.jpg

(Pelo link acima ampliem, rodem o écrã e leiam: está lá muito. Vindo de um tratado que tem sido considerado apenas de Teologia )

Notem por fim, que Ogivas e Arcos Quebrados (ou Arco Ogival, como erroneamente tem sido designado), são diferentes. Mesmo que nos tenham ensinado de outro modo, ou que as imagens de uns e outros se aproximem (mas é raro serem semelhantes). Portanto insistimos, porque esta é, já há muito tempo, uma regra a que muitos têm desobedecido: notem, definitivamente, que Ogivas e Arcos Quebrados  são realidades, ou objectos, bastante diferentes!

As designadas Ogivas (e repete-se, não estamos a referir os arcos quebrados) foram o equivalente a Ornamentos, tendo uma forma em geral próxima da que é chamada Cruz em Aspa. Têm uma extensão considerável, parecendo nervuras (de pedra) sob a face inferior (dos tramos) das abóbadas...

E muito mais diremos algum dia, próximo, em Iconoteologia.

Lembrando que sobre esta questão - em que há uma imensa avidez de conhecimentos e de informação, como aconteceu na tal «aulinha da FLUL» (algures entre Outubro de 2001 e o fim de 2002?) - já escrevemos várias vezes. Só que o assunto é imenso: dir-se-ía de uma grandeza que é proporcional, ao desinteresse que é também geral. 

Assim, se estiverem interessados, para já ver os links: 3 , 45. e neste último, ler nas notas uma ideia de S. Paulo que influenciou, como nos parece, a História da Arquitectura (antiga). Porque o edificado - como G. Hersey referiu -, "...foi esgotado da sua capacidade significante, em prol da Filologia". 

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*Enquanto que se saiba, apesar de até agora as mulheres serem comummente «empurradas» por todos, nas mais variadas situações (a começar na família), e postas em segundo ou terceiro lugar. Porque está «sempre à perna», um qualquer homem cuja vontade tem que passar à frente.  E isto se tem estatuto legal (?) é ao contrário. Porque a tradição privilegia o masculino, mas o «estatuto da igualdade de género», legal ou formalmente, estipula isso mesmo: A Igualdade.

**Não é por acaso que um romance (alusivo à imaginação) de uma autora madrilena - de uma cidade e país onde as semelhanças com a sociedade portuguesa não são pequenas - se intitula A Louca da Casa   Apesar de não o termos lido, o título e as sinopses são elucidativas.

***Claro que hoje considero impressionante, é mesmo aflitivo, ver as pessoas a quererem ultrapassar barreiras, que não têm lógica nenhuma (ou são absolutamente ilógicas), mas que estão lá. Continuam, postas há anos ou há séculos, nas mentes de todos, e são como verdadeiros bloqueadores dos raciocínios...

1. https://www.media.mit.edu/posts/disobedience-award/

 2. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/isabel-stilwell/detalhe/premio-da-desobediencia

3. http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/vindo-de-primaluce-43991

4. http://primaluce.blogs.sapo.pt/coragem-portugueses-so-vos-faltam-364467

5. http://primaluce.blogs.sapo.pt/muitos-factos-recentes-229704


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