Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
23
Fev 17
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Outras e novas explicações sobre o Pensamento Visual gerador das formas arquitectónicas abstractas.
Um desafio de complexidade - típico, e para mentes que pensam com «rodas dentadas»... (mas que não mordem!)

A ler aqui


21
Fev 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Claro que isso nos dá para pensar! Até no Wally...

 

Ao longo dos anos – ou, connosco, talvez mais ao longo das décadas? -, deve confessar-se que a frase (ditatorial) de que “Gostos não se discutem”, nos primeiros anos a tomámos como certa. Mas que, com o tempo, se foi tornando, crescentemente, uma hiper-obsolescência. Sobretudo depois de estudar o Palácio de Monserrate, e de se ter então compreendido a importância de David Hume para as teorias do Gosto.

Este filósofo inglês, que aprofundou algumas ideias sobre o Gosto*, foi amigo pessoal de Horace Walpole. Ou seja, de quem fez Strawberry Hill: a Casa dos arredores de Londres, em geral considerada uma das primeiras obras neogóticas.

Em nossa opinião, foi também por interposta pessoa – através de Robert Walpole, embaixador inglês em Portugal, que era primo direito de Horace Walpole – que o Aqueduto de Lisboa se tornou ainda muito mais conhecido na Europa. E assim influenciou a casa de Strawberry Hill: fascinados que todos estavam, desde meados do século XVIII (1748), com a Arcaria do Vale de Alcântara, que em 1755, integrando os maiores arcos de pedra do mundo, resistiu ao (arrasador e celebérrimo) Terramoto de Lisboa.

Mas estas não são histórias directas, ou que se possam contar de uma forma linear (impróprias para o Facebook!). Pois como se lê há que ir acrescentando, sempre, novas informações: que aumentam a complexidade do tema (e exigem imensa atenção dos leitores).

Como por exemplo, que a Casa de Strawberry Hill passou por sucessivas campanhas de obras, durante várias décadas. E depois também, que veio a influenciar a 1ª versão da casa de Monserrate: a obra que Gérard De Visme (inglês de origem francesa) construiu em Sintra (c. 1790). Este era um destacado membro da British Factory, e, portanto, muito próximo do «embaixador» inglês**.

A primeira versão de Monserrate, como já se explicou, ainda hoje regista - estão lá (ver a seguir) - várias indecisões no desenho do Arco Quebrado; aquele que a maioria, erroneamente, designa por Ogiva, ou Arco Gótico***.

Monserrate-ZonaCozinhas-1987.JPG

 Mas em Strawberry Hill as indecisões foram mais de carácter historicista. Também porque queriam fazer os desenhos correctos, tal como eram os primeiros arcos quebrados, na Idade Media, e, sobretudo, também obras de maior dimensão. E isso levou a pesquisas arqueológicas (que depois se revelaram ricas e bastante importantes, do ponto de vista histórico).

E ainda também porque, num tempo em que se estavam a misturar (ou numa miscigenação sempre a crescer, em cada obra que se fazia) formas típicas da Índia, da China (as "Chinoiseries"), ou de Itália. E neste caso, quer das obras mais belas e melhor proporcionadas, como eram os trabalhos de Andrea Palladio (m.1580) - de raiz clássica; quer ainda de algumas obras da Antiguidade Tardia - que já tinham sido construidas por alguns dos primeiros descendentes dos povos germânicos (antigos bárbaros), que se tinham querido tornar, e afirmar, cristãos. Por tudo isto era essencial pesquisar (muito), e saber fazer várias «distinções».

É que no século XVIII, e dados os inúmeros novos conhecimentos que o enciclopedismo e a arqueologia estavam também nessa época a introduzir na (em grandes doses e bem para dentro de) cultura europeia. Por isso - e ainda com a Inglaterra a viver a 1ª fase da Revolução Industrial - percebe-se que Horace Walpole e os seus amigos, todos numa azáfama (consciente e deliberada, já aí em torno, e em busca de uma Nova Arquitectura) tenham recorrido a um Commitee of Taste.

Por fim, ainda sobre o "Gosto" e o "Não Gosto", estamos convictos – até que as Neurociências se debrucem sobre a Arte, e clarifiquem esta temática… - que os olhos (ou o nervo óptico), tal como as papilas gustativas, levam ao cérebro informações que, em geral, serão aceites de imediato. Daí o “gosto” e o “não gosto” logo expressos, quase automaticamente, e sem pensar.

Só que há outro nível de Gostar! Por exemplo, quando se começa a ver/ler uma obra (visual) e a compreender o esforço de quem a fez para comunicar uma mensagem. É então que um gôsto mais imediatista, ou, chamemos-lhe "sensível-afectivo", passa a ser substituído por um fascínio, que é curiosidade (muito mais intelectual).

O qual faz com as formas, que podem não ser de imediato as mais simpáticas (e aquelas a que estávamos habituados, e portanto as de que mais gostamos), passem a ser «gostadas» como novos vocábulos: i. e., pelos seus significados e pelas novas ideias que imprimem (ou plasmam) nas Obras de Arte.

Assim, aqui passámos também a dizer, que é na fase imediatamente anterior, e dependente do equipamento intelectual de cada um, que o “Não Gosto”, do que tinha sido antes uma primeira repulsa, se transforma depois em sucessivas descobertas, e num “Gosto imenso!” (positivo e afirmativo).

Por exemplo, muitos actuais apaixonados pelas obras de Paula Rego, numa 1ª fase, até entenderem o que estavam a ver, tinham reagido, quase naturalmente, com repulsa.

É complexo? Re: É!

Mas transforma as obras (de Arte e a Arquitectura) num imenso fascínio! Como se fossem mapas, onde há vários detalhes a descobrir, muitos porquês a colocar, e a tentar responder-lhes.

Lembra o Wally: o “Where’s Wally?”, imagens de livros que, por si, não diremos que são de uma grande beleza…? Mas que têm a maior graça, por um energizar da mente, que se torna bastante divertido!

Enfim, também no GOSTO, há quem seja muito preguiçoso

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Antes e depois de David Hume, muitos mais estudaram a questão. A História da Estética, de Raymond Bayer, explica o tema. Com tradução (fantástica) de José Saramago.

**Na altura a designação era outra. Estamos a resumir imenso a história que se pode ler no Iº capitulo de Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

*** O Pointed Arch inglês. Acontece que lamentavelmente, as Universidades – ao contrário dos arquitectos que trabalham para todos, e constroem para um qualquer cliente da sociedade (sem se esconderem); do que temos visto, já as instituições do Ensino (dito) Superior, fazem «guerrinhas» ridículas de protagonismos; fazem «muita caixinha» e têm muitos segredos, no que concerne à sua (suposta) sapiência.

Razão para se desconfiar da mesma, patente nas inseguranças de muitos doutores. Por aí se percebe o quanto lhes falta de convicção, ou de certezas?

Corolário lógico: não querendo cair do pedestal, não se batem para tentar trazer para fora (de si, e das suas instituições) os conhecimentos que não só são acessíveis a todos, mas sobretudo enriquecedores de todos.

E porque as Escolas de Arte raramente ajudam a Sociedade a entender-se, assim, para ser útil, vai «passar» no Facebook!


19
Fev 17
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

Do georgian para o victorian

 

No século XVIII novas teorias do Gosto (sobretudo inglesas) contribuíram para que se perdessem alguns dos vários sentidos, ancestrais, que a arquitectura desde sempre tinha integrado. Pois por detrás da arquitectura antiga e tradicional havia uma série de correspondências, significantes, que em prol do gosto e de proporções mais estudadas deixaram de ser prioritárias. Ou, aos poucos, deixando de ser consideradas foram esquecidas.

Assim, na actualidade são formas abstractas, e algumas dessas, consideradas por muito como «segredos»*!

MONSERRATE-PORTA-PRINCIPAL.jpg

(legenda)

A casa de Monserrate actual é uma obra victorian, estilo que foi precedido pelo georgian, em geral muito mais bonito

~~~~~~~~~~~~

*O que não deixa de ser cómico e irónico como Umberto Eco mostrava


18
Fev 17
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

fascinio-por-uma-nova-história.jpg

Quando Monserrate se tornou passado, e surgiu, imensa, uma nova história

Estamos a ampliar as nossas ideias com os melhores posts

Em breve com recursos vindos do Expresso de há 15 dias


17
Fev 17
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... que as bibliotecas das melhores universidades, internacionais, incluem nos seus catálogos.


16
Fev 17
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

… que depois geraram as formas arquitectónicas 3D

 

É difícil não ver na imagem abaixo uma das óptimas provas da tridimensionalidade que foi dada - e como foi dada (neste caso tão invulgar talvez exageradamente?) - às formas gráficas da chamada iconografia cristã.

Wells_Cathedral.jpg

(Legenda)

Ou ainda, na tentativa de que melhor se compreenda o que defendemos (e abre portas a toda uma nova visão da arquitectura antiga), por isso podemos designar a referida iconografia, e seus vocábulos formais, como caligrafias*. Pois podemos dizer que foi de uma caligrafia, não de caracteres alfabéticos mas de esquemas de ideias**, que essas formas nasceram.

Assim, vejam aqui, (concretamente este post e o seu anterior), como em geral a arquitectura faz muito mais sentido - neste caso a Arquitectura Barroca -, se devidamente explicada por um arquitecto.

Isto é, mostrando como construtivamente, e por detrás das «estruturas aparentes» foram colocados outros elementos, para fazerem o suporte estrutural. Esses sim necessários à concretização das imagens destinadas à 'contemplatio'. Imagens que se pretendia fossem dadas a ver, ou a contemplar (e portanto a fazer emocionar, pelo seu sentido cristão) aos fiéis de uma dada religião: no caso do Barroco, o Cristianismo de Roma, que vinha a ser atacado por Lutero e pelos adeptos da Reforma***.

~~~~~~~~~~~~~~~~

 *A palavra que é geralmente usada para explicar a Arte Islâmica

**Ideogramas, Organigramas, também 'Doodles'...

***Razão por que se vê, nos países que seguiram a Reforma, o re-enfatizar das imagens do Gótico (e da ideia do Filioque, a que Carlos Magno tinha dado a maior força). Aliás, os revivalismos do Gótico, é uma questão de olhar para geografia, coincidem com as regiões onde se instalaram os povos germânicos chegados à Europa desde a queda do Império Romano aprox. até ao fim do Iº milénio da Era cristã    

Andamos nisto há anos..., e é para continuar!


15
Fev 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... os tempos que vivemos, trouxeram novas condições de vida, não apenas para os mais velhos, mas para todos. Porque se houver um número significativo de pessoas que vivam até perto dos 100 (ou mais?) anos, claro que é toda a sociedade que muda.

EnvelhecimentoActivo.jpg

Para os Sociólogos, por exemplo, que estão habituados a retratar as Sociedades, os gráficos por faixas etárias, ou as pirâmides de idades, passam a ter novos contornos. Mas isto somo nós, sempre obcecados/fascinados com os desenhos... 

E mudando de «obsessão», as paisagens da cidade - townscapes - também mudam. Ou ainda as nossas casas (e o que se consome*), porque os passeios de bicicleta, a fotografia e as curtas metragens, como exemplos, passaram (e vão passar ainda mais) a estar ao alcance de muitos.

No nosso caso, há a Ciência, há novas temáticas, e todas as «pontas» que Maria João Neto depois de nos ter ensinado a investigar a alcançar um tema fabuloso, esse, ela não nos tirou (e não o quis compreender). Assim como não o quiseram entender os que poderiam vir a lucrar com as várias temáticas surgidas na periferia dos nossos estudos de mestrado, e depois do doutoramento - em que o Estado tanto investiu...

Enfim, se a nossa muito "maior-idade" vier a existir, a par com alguma razoável qualidade de vida, mais uma vez diremos Thanks God: Porque tem tudo para não ser vazia!

Monserrate-books

 Graças também a Sintra e a Monserrate, e ao imenso que nos têm dado

~~~~~~~~~~

*Mais os novos projectos de design que a indústria irá querer e requerer...


14
Fev 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... porque é deles o Reino dos Céus".

 

E o do sono, acrescentamos nós!

arcadas-entrelaçadas-EGAS MONIZ.bmp

Porque cada vez que vemos esta imagem ela é para nós uma das mais pacificadoras. Embora também nos lembre que Martin Kemp escreveu sobre a mesma, que é insignificante*.

Acontece que, considerando esse autor e a sua influência para a historiografia da Arte, vemos, como é nítido e necessário que uma Nova História da Arquitectura (de preferência com influência e contributos vindos de Dana Arnold) se venha a afirmar.

Ou seja, e como defende a arquitecta/historiadora inglesa (contrariando G. Vasari) pretende que os autores sejam vistos - incluídos e submetidos - às principais tendências da época em que viveram: i. e., de acordo com um Zeitgeist de que já escrevemos vários posts

Procurem-nos, para captar o que Dana Arnold defende, e as ideias com que se está de acordo...

~~~~~~~~~~~~

*Como é MOUCO um MEC que dorme 


11
Fev 17
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Pode parecer-vos uma provocação; parecerá uma enorme insensatez, mas é o que faz (muito mais) sentido!

 

Trata-se de uma alusão/representação do Deus Uno e Trino.

Leiam muitos dos nossos posts, se é que ainda não perceberam a ideia central do que se descobriu? Vejam o próximo que havemos de fazer, especial!

É que a malta só pensa com a sua cabecinha de hoje (a «infectar o passado»), desconhecendo muito do que está para traz: como por exemplo, que qualquer documento fazia sempre alusão ao "... Anno Domini", ou "ano da Graça". Invocando-se, muitas vezes, ao terminar uma carta ou um documento, o Santo do Dia, ou/e, fazendo como que necessárias (!) referências ao Espírito Santo e à Trindade, numa afirmação de fé (que hoje somos totalmente incapazes de compreender...)

Reis e rainhas, membros do clero, todos usavam os seus próprios emblemas e sêlos no fim das cartas. Ou, semelhante aos garatujos feitos ao lado:SímbolosDoInfinito(2).jpg

Desta maneira desenhavam  sucessivos entrelaçados e símbolos do infinito no fim das suas assinaturas*. 

E, para nós, é exactamente isto que está no círculo com 3 pontos: Nada de "smiles"!

Pois ainda nada ou ninguém podia prever que nos anos 60 do século XX essa forma da natureza (uma cara sorridente - "a smiley face") viesse a ser assim: i.e., tão extraordinariamente simplificada

Mais, tenham cuidado, muito cuidado com as confusões; com a pós-verdade e os factos alternativos que por aí andam: vindos das «noticias internéticas» totalmente desclassificadas. Faltará pouco para se pensar, e dizer, que nos anos 60 ou 70, já claramente todos falavam ao telemóvel!

~~~~~~~~~~~~~~

*Formas que hoje, por vezes, são chamadas arabescos


10
Fev 17
publicado por primaluce, às 09:00link do post | comentar

Mas os decisores, e interlocutores óbvios, terão começado a entender? Pouco importa. Farão como quiserem, compreendem ou não, na base das suas próprias capacidades (e responsabilidades...).

Pois são os que escondem o evidente, que assim se mostram, e apresentam!

E quem faz o melhor que pode...e sabe, faz o que lhe compete.


mais sobre mim
Fevereiro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9

12
13

20
22
24
25

26
27
28


arquivos
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO