Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
03
Dez 16
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Do primeiro saberão pouco, o Grande é bem mais conhecido

 

Ao estudar Monserrate e a questão que Maria João Neto lhe colou - sobre As Origens do Gótico - vieram ao de cima, para nós que as desconhecíamos, temáticas interessantíssimas. 

Elas explicam a grande maioria das composições visuais, artísticas da Arte do Ocidente, que (também) radicam na obra de Carlos Magno, e na vontade que teve de fazer renascer o antigo Império: no qual os povos germânicos entraram, e tanto contribuíram para o transformar.

Depois dessas descobertas inscrevemo-nos num doutoramento - que era total e absolutamente lógico face ao que se vinha a descobrir - mas que ficou bloqueado, e assim se mantém, às ordens de um carlos mínimo, muito mesquinho, autor de uma tese de doutoramento, que claramente, enobrece a ciência portuguesa. É lê-la...!

Sempre lhe prometemos (ao dito), desde 2008/10, que esta questão não haveria de cair no esquecimento, e tudo continuaremos a fazer, apesar dos contextos tão changeants e instáveis que, por esta mesma questão, continuamos a viver...       

Não é apenas por uma questão de Fé, mas sobretudo porque acreditamos na Ciência, quando feita com honestidade e dignidade. Como também acreditamos que a maioria das habilitações académicas, mais ou menos fraudulentas, terão/têm os dias contados.

E esta é apenas uma questão de tempo.

O que Jacques Le Goff escreveu sobre a Encarnação, tocou-nos há muito, e citámo-lo várias vezes, pelo que pressentiu (ou tão perto que esteve?, e o que informou) das questões da representação visual do Filioque. Incluindo a intervenção de Carlos Magno que veio a marcar linhas, ainda hoje visíveis e notórias na Cultura e na Arte Europeia.

Temas que, como é demasiado irónico, não interessam ao Ensino Superior português...


01
Dez 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... podem lembrar uma Árvore. 

 

Pois há quem queira falar (e até alardear) sobre valores que se vêem, como uma árvore se vê acima do solo; mas, esses mesmos (marketeers ou chicos-espertos?, que vivem de aparências e da superficialidade) acham que lhes podem - aos ditos valores - cortar as raízes.

Esquecem-se que as árvores dependem das raízes. Como hoje cada vez mais no ensino superior, se esquecem que conhecer história é um passo essencial para compreender o presente*.

Enfim, para a ignorância que vai cá «no burgo» - e para a nossa maior utilidade - tem vindo a UNESCO dar valor aos nossos valores. 

Dizem agora que passou a reconhecer novos valores imateriais. Só que, dizemos nós, os primeiros casos portugueses que passaram a integrar a Lista do Património Mundial, podem ser exemplos materiais, de pedra, muito duros e muito sólidos; muito tangíveis ou palpáveis, mas por detrás dos mesmos o que está é uma Cultura Imaterial, ou seja o Cristianismo, que lhes deu forma.

trifoil.jpg

 Assim, como na imagem acima**, os valores patrimoniais (europeus) que hoje são mais considerados, é difícil desligá-los da maioria dos outros patrimónios, desta mesma Europa...Porque o culto cristão (o Cristianismo) praticamente tudo interligou. Seja o barro negro de Bisalhães, os chocalhos de latão, ou a cultura do vinho na Ilha do Pico... Sendo o mesmo válido para datas como é a de hoje.

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*O mesmo presente que agora precisa do Turismo, como do pão para a boca (da Economia), ou precisa de indústrias criativas e culturais, como é também a edição e a publicação de livros, que pode dar trabalho a diferentes profissionais e é riqueza. Assim, para um próximo post, o que conversámos com Rogério Mendes de Moura, sobre o nosso estudo dedicado a Monserrate, e às Origens do Gótico - que Maria João Neto morria (!) se não integrássemos o tema no nosso estudo

**Poderíamos falar nos trajes característicos dos que treinam e ensinam as aves (falcões) do novo valor patrimonial da UNESCO, assim como também nos trajes dos reis, ou nos seus sinais e marcas pessoais. Idem para os emblemas postos na arquitectura religiosa, ou nos espaços palatinos; idem na tumulária, etc., etc. O arco trifoliado da imagem, cuja construção segue a mesma regra de todos os outros (aqui a partir da noção trinitária que S. Tomás de Aquino defendeu), como foi aplicado num sem fim de arcos e portais (ou edículas). Este é o mesmo arco que está nos túmulos de Pedro e Inês, antes no da Rainha Santa, depois no Mosteiro da Batalha. Também em inúmeros dos palácios de Veneza, e por isso, da Itália que fascinou os românticos ingleses, veio parar a Monserrate.

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30
Nov 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... intelectualmente (falando), também é quem não quer «mandar». No sentido do Poder, do Gerir e do Impor. Simplesmente, não quer! Deixa isso para outros.

 

Mais, nem sequer tem muita paciência para o que esses poderes implicam. Mas se há outros poderes que lhe interessem, esses são os de influenciar.

Poder influenciar para um mundo melhor. Poder mostrar que se pode ambicionar mais qualidade de vida. Poder ensinar como tornar várias das actividades humanas mais sustentáveis, equilibradas, harmoniosas...

Sim, são deste tipo os Poderes que ambicionam os que melhor se equipam em Saber e Conhecimento. O que esses desejam, verdadeiramente, é Poder espalhar o como agir, e o know how (mais adequado) sobre os processos que podem permitir aumentar a compreensão, a inteligência, e em geral o entendimento da sua envolvente.

Para depois, paulatinamente, e à sua maneira, chegarem ao seu modus faciendi ou modus vivendi.

Claro que perante isto (se estiver certo?), teremos que concluir que esses pretendentes a um "bom equipamento mental" não são nada, mas mesmo nada, rigorosamente nada, ambiciosos!

Só que, a dita ambição - ou o desejo de desenhar um caminho para a própria vida - nem sempre é claro na mente de cada um. É aliás mais fácil, em geral, olhar para trás e notar que houve um caminho, do que, em cada dia ter acordado e ter tido a noção que nesse dia se deveria percorrer um determinado traçado, que se tivesse desenhado, previamente, num qualquer mapa.

Porém, acontece a alguns, talvez porque já não estão no início das suas vidas (?), a partir de certa altura passarem a estar compenetrados de que, de facto, pode haver troços quotidianos a cumprir.

E isto passou a estar presente na nossa vida, não apenas depois de termos compreendido as Origens do Gótico - que Maria João Baptista Neto entendeu serem essenciais para entendermos Monserrate; mas, sobretudo, depois de termos percebido que a História da Arte do Ocidente Europeu é/foi uma Iconoteologia, e que as formas (mais) abstractas da Arquitectura e da Arte, quase todas, provêm da Teologia Cristã.

Porque traduziram Dogmas do Cristianismo: imagens que, uma-a-uma (per si), dentro da igreja ou da catedral, estavam associadas ao Símbolo de Niceia-Constantinopla; ou que, em conglomerados de formas, muitas vezes entrelaçadas, serviam para explicar (o conhecimento de...) a Trindade Cristã.    

Assim, acontece-nos agora achar que há passos que temos que dar, quotidianos. Porque se nos informarmos mais e depois ajudarmos os outros, todos, a entenderem a maioria das imagens que os (e nos) rodeiam, estaremos a esclarecer e a facilitar a vida de todos. E se esta é uma missão que o Ensino Superior não devia querer ignorar - mas de facto ignora com toda a pesporrência ... - no nosso caso, e estando no polo oposto, continuaremos a fazer exactamente o contrário do que eles fazem

Já que em nossa opinião, tornar claro, em vez de obscurecer e dificultar a compreensão, é um contributo para um mundo melhor. Por isso fizemos um blog chamado Iconoteologia. Por isso há 2 posts «mais especiais», que hoje se aconselham:

L’histoire d’une découverte (1ère partie)

  L’histoire d’une découverte (2ème partie)


29
Nov 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... não é quem manda!

 

Claro que aqui nos estamos a referir a um contexto de Ciência e Conhecimento, vulgarmente designado Ensino Superior. Ou seja, quem mais faz por estar à altura ou com um intelecto preparado e devidamente «equipado», não é quem está à frente das instituições. Esses são outros, são mandões, são capatazes, são até carrascos - onde, nas suas mentes, não há a mínima sensibilidade; mas, são gente cujas mãos é boa para segurar o chicote! Já que, por exemplo, eles são exímios em escravizar...

Sim é esta a sociedade em que estamos, e como se distinguem os que, intelectualmente, estão equipados, dos outros que têm mentes vazias.

Já se sabia, particularmente sabiamo-lo nós há muito, até que no passado dia 1 de Fev. (2016) alguém o disse com todas as letras, e ainda sustentado com todos os números: as pessoas (os que são dirigidos) não se reveem nas que, supostamente, seriam ou são as direcções. Ora mais claro do que isto, para quem sabe ouvir ou ler - e tem o dito equipamento intelectual - é difícil!

Só que, há os meias-tintas! Há quem seja hábil, o mais que suficiente para assobiar para o lado, e para fingir que não entendeu. Ou que, ainda por cima, consiga levantar uma salva de palmas ao «parabenizar» algum aluno que fez um brilharete. Porque sim, e impõe-o...

Porque, na sua cabeça (e os outros vão atrás), um aluno premiado é o retrato da escola que frequentou ou frequenta. Só que, no estado em que está o ensino, acontece, nem todos os alunos são tão estúpidos, ou tão incapazes, que não consigam ser bastante melhores do que muitos dos seus professores; ou dos que personificam os cargos e as estruturas que as escolas entregam ao «pessoal que têm». Pois qualificado ou não, nas empresas, muitos são como os móveis que foram embutidos nas paredes: fazem crer que são integrantes dessas paredes, ou os fazedores dessas mesmas obras! Puro engano. É, ou eles são como as ogivas, e o que delas escreveu António Castro Villalba*, Professor de Construção na Universitat Politècnica de Catalunya.

Sobre os alunos das escolas, há hoje que notar que alguns podem (e não é o caso de todos...) vir já de casa, do berço, de famílias e de outras instituições, onde foram muito bem equipados, com fantásticos "backgrounds" culturais. E há que notar este facto, sobretudo num tempo em que a cultura e o conhecimento andam tão à deriva. Ou seja, para o bem e para o mal, de tão repartido que está (com o lado muito positivo que isto também tem!), ninguém o possui, totalmente:

Quer na sua qualidade (intrínseca), quer ainda, nas próprias fontes de onde vêm esses conhecimentos e informações. Melhor dizendo, para quem tiver tido um bom ensino básico e secundário, hoje, um computador ou qualquer outra ferramenta que ligue à Internet, pode prover-lhe a máxima informação. É  que se houver lógica e curiosidade a investigar, é só pôr os motores de busca a funcionar e a procurar**, por ordem alfabética!

Claro que há sempre os gaps, dizemos nós, já que os temos (e muitos). E quem não os tem, geralmente é porque conviveu com colegas, conversou de tudo, de trás para a frente, conheceu e descobriu-se, percebendo das suas próprias lacunas, que devia ir preencher. E foi (autodidacta).

E, neste post tão «derivado e à deriva», talvez a melhor conclusão possa ser mesmo esta:

Hoje o Ensino Superior, tem como principal função o preencher de gaps. Criar debate de ideias, e só quando se detectarem as lacunas, aí sim, fornecer o equipamento intelectual, que até pode ser de base (?), para se poder pensar.

E nessa base, talvez lá estejam as matemáticas, as físicas, as línguas,... de maneira a constituírem uma "passadeira, uniforme" que todos pisem e onde todos se entendam. Como foi escrito no século XII, em que este tema do Saber (acumulado) e da leitura - que permite aceder a níveis mais altos do conhecimento - já foi tratado por Hugo de Saint-Victor. Leia-se

"Et Hugues conclui sagement :

il faut faire preuve de Ia plus grande modération : à force de se nourrir, on finirait par s'étouffer. Il y en a qui veulent tout lire. Ne te mesure pas à eux. Que cela te suffise. Qu'est-ce que cela peut te faire d'avoir lu ou non tous les livres? Le nombre des livres est infini, alors ne poursuis pas l'infini (V, 7; p. 201).

Cette opinion peut sembler contradictoire avec le précepte déjà cité : « Apprends tout, tu verras ensuite que rien n'est superflu. » C'est pourquoi Hugues s'explique :

Que personne n'aille croire, à cause de ce que j'ai évoqué plus haut, que je critique le zèle de ceux qui lisent, alors que mon intention est plutôt d'encourager ces lecteurs zélés à accomplir leur projet, et de montrer que ceux qui ont plaisir à apprendre sont dignes d'éloge. Je parlais alors aux gens formés, non à ceux qui sont appelés à 1'être, et qui commencent l'apprentissage constituant Ia base du savoir (V, 8; p. 202).

Bref, selon qu'on est commençant ou avancé, on ne se nourrit pas de la même façon :

ceux qui sont avancés et qui promettent n'ont pas le même dessein que les commençants. A ces derniers on accorde três légitimement ce que les premiers ne sauraient faire sans commettre une faute, tout comme on peut leur demander ce qui n'est pas encore une obligation pour les débutants (V, 10; p. 206)."

Ver Didascalicon, Sagesses Chrétiennes, Cerf, Introdução por Michel Lemoine, Paris 1991, p. 31.

~~~~~~~~~~

*Citámo-lo em Monserrate uma nova história

**Em dicionários e enciclopédias. Aliás, não nos esqueceremos, nunca, como os dois livros que levaríamos para uma ilha deserta nos permitiram escrever o trabalho (invejável) que hoje é fonte de questiúnculas. Aquele cuja aparência enche «o olho da invídia», mas, que o saibamos, ainda não foi olhado de frente: com a imagem a formar-se na fóvea, e a ser directamente transmitida a um cérebro que esteja equipado para o avaliar? É notícia que ainda não tivemos. Porquê? Será como se escreveu neste post, porque as pessoas já nem ler sabem? E, assim sendo, mandam os outros ler?

Só que, e como sempre fizemos para espaços antigos, que, com os nossos clientes, tivessemos contratado restaurá-los e renová-los, assim, para os conhecer bem, o respectivo levantamento arquitectónico era nosso (ou, feito por alguém da nossa equipa, sem margem onde pudessem surgir enganos)

Ou, dito de outras maneiras: serão casos de distopia, de diacronia, de diabolização; i. e., de divisão da personalidade, e de uma «não-reunião», em quem manda (ou de ter em simultâneo) - o Saber e a Capacidade de dirigir?


28
Nov 16
publicado por primaluce, às 17:50link do post | comentar

...mais vale tarde do que nunca.

 

Dizemos nós, com fama de ser mais «papista» do que os bebedores de café. E sabem lá eles o que é a sustentabilidade do planeta, ou para que serve isso?


26
Nov 16
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... percorrer para diferenciar e qualificar? Ou, surpresa das surpresas, e, inesperadamente (?), encontrar alguma qualidade?

 

E, depois disso, procurando ainda mais, perceber que há estudos que até foram premiados!?

É faro..., sim, muito que o temos, e também serve para nos divertirmos...

Perceber que há mestrados melhores do que muitos doutoramentos, que serviram para conferir graus a doutores hiper-incompetentes, e portanto obviamente hiper-contestados.

Já sabíamos, por isso o imenso prazer de ver que certos assuntos ao virem ao de cima, fazem lembrar as pedras nos charcos (ao contrário): pedradas que de baixo para cima provocam ondas.  

É sempre assim, há de tudo - muito mau e bom - como na botica: desde que se procure... 

  ...e quem procura encontra, também do melhor: como nos provam todas as descobertas desencadeadas pelos nossos estudos feitos a propósito de Monserrate

IADE-02.jun.2008.png

 Aliás, para a maldade de esconder o melhor que os outros fizeram, nada melhor do que deixar mudos na estante, e ao lado de todos os outros, sem diferenciar...


24
Nov 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... de bem mais de meia centena de estudos de mestrado e lembrarmo-nos de Maria Alice Beaumont:

 

Concretamente do que escreveu num preâmbulo a propósito do Arcanjo S. Miguel (obra do séc. XV) do MNAA, proveniente da Colecção Vilhena. Enfim, é mais uma daquelas traições que a memória nos prega: porque é lembrarmo-nos de frases e ideias muitíssimo eloquentes, aplicáveis a mais um conjuntos díspar de objectos que se reúnem (ou encontram), por razões quase inexplicáveis ou até incrivelmente aleatórias*.

E apesar de previamente termos algumas/várias ideias dessas colecções ou conjuntos, pode-nos suceder que ao contactar tal junção, então, ainda mais outras e novas ideias, venham a nascer? E isto pela muito simples razão de que temos confiança nas nossas próprias ideias... Ou, mais simples ainda, por termos sido treinados - terá sido dos 12 aos 22 anos (ou bem mais cedo?), em actividades que ajudando a superar crises de asma foram depois também treinos para o desenvolver de outras capacidades. Importa pouco como aconteceu, certo é que resultou no que se constata: educados a ter ideias originais, a tentar olhar (e a ver) o mundo com olhos e ângulos diferentes do que é mais habitual. Em contemplação de paisagens, a ver a planície e os meandros dos rios; nas densidades diferentes de azul a ver surgir os planos das montanhas, ao fundo, a rematarem as vistas.

O muito que já se agradeceu, devemo-lo primeiro às pessoas da família, mas também a alguns de fora, com quem cedo contactámos. E para este caso, e para as ideias sobre «os coleccionismos», concretamente à própria Maria Alice Beaumont.       

Claro que sobre colecções também nos ocorrem autores que não conhecemos (a não ser pelas obras), como Helena Vieira da Silva, particularmente flashs de imagens que produziu e reuniu; objectos cuja singularidade (características, formas) a levaram a registar, enfaticamente, essas reuniões que fazia ou encontrava...

Idem, para a Vertigem das Listas, em que está Umberto Eco. Tão longe, mas que - para quem ainda se lembra - foi cedo que contactámos a sua Obra Aberta: um marco essencial da nossa formação, quando (só) em aulas de arquitectura se começava a falar deste autor.

Enfim, certo e sabido seria impossível conseguir ficar igual e «alheada» depois de dar um mergulho numa pequeníssima amostra de estudos, que alguns (supõe-se), terão sido feitos a querer dar o melhor de si? Mas entre o querer e o conseguir, sabe-se bem, pode sempre haver distâncias, as mais variadas...

Pois cada objecto de uma colecção, é, ou foi-o na sua concepção e produção, primeiro desejo, depois projecto, depois concretização e por fim obra feita. Que desde então cada um passa a ver (se minimamente a olhar, e depois a conseguir ver/compreender), segundo U. Eco, de acordo com as suas próprias circunstâncias, interpretações, capacidades de leitura...

Assim voltamos à Colecção Vilhena de que Maria Alice Beaumont se limitou a destacar uma obra: o Arcanjo S. Miguel, para a pôr a par de outras obras que iriam integrar um livro seu, de uma outra colecção (a que chama série) que o editor Chaves Ferreira quis publicar sob o titulo de "A minha escolha". 

Repare-se pois (abaixo) nas palavras da autora, e como ela viu aquilo a que também nós nunca seremos indiferentes: como sendo o mundo feito de variedade, de séries, de ideias, de temas, de saberes, de acções, de escolhas, de vontades e de inércias; do amorfo e do vibrante, do bom e do mau, etc., etc. - tal como em "... les semailles et les moissons...", muitas dessas realidades estão/estarão sempre em movimento, resultante do seu próprio dinamismo (ou da sua força, como é o caso do S. Miguel).

Deste modo (e tendo presente que as livrarias e bibliotecas também podem ser os melhores lugares para se «perderem livros»), veja-se como a um «bolo global» - que também andou em bolandas - M. A. Beaumont foi buscar o que entendia ser o melhor. Notem-se as palavras que usou para mostrar aos leitores como há que fazer distinções: 

"O coleccionismo é um fenómeno psicológico que, inocente em princí­pio, adquire por vezes facetas muito peculiares. As suas motivações também são diversas, embora radiquem sempre no gosto de possuir. Possuir porque se tem amor aos objectos, possuir por competição de ter melhor ou o maior número; especializar-se no conhecimento daquelas espécies, confiar no saber alheio para a escolha; mostrar com orgulho ou generosidade, escon­der com temor ou avareza; entrar no jogo da descoberta e da troca; finalmente, procurar a continuidade na família, deixar com abnegação e modéstia ou perpetuar-se com alguma vaidade e orgulho nas condições de um legado — eis, em resumo, algumas facetas variadas do coleccionismo.

Introduzo estas palavras para se entender o quase vazio da ficha de inventário desta peça que pertenceu ao coleccionador comandante Ernesto de Vilhena. Mais de um milhar e meio de esculturas, medievais e renascen­tistas na sua maioria, deram entrada no Museu Nacional de Arte Antiga em 1980, tendo sido legadas ao Estado. Poucas são, porém, as que têm indi­cação de proveniência.

Qual seria o critério que as reuniu? Muitas estão próximas no assunto, época e tipologia. Dado o seu elevado número e as deslocações a que as obras no Museu as. submeteram, recordo-me de as ver agrupadas em pequenas multidões, como um exército de Virgens e santos a que presidiam também Santíssimas Trindades, aguardando um espaço essencial para se acomodarem ou um especial para se exporem.

O S. Miguel de que aqui falo é uma das melhores destas esculturas..."

mnaa-col.Vilhena-EscolhaMªA.BEAUMONT.jpg

(clic para legenda)

Como para conseguir ensinar é preciso recolher exemplos que se classificam, ordenam, e sobretudo qualificam:

Porque a quantificação vale quase zero face à qualificação

~~~~~~~~~~

*Encontram juntos, muito embora ainda atomizados, pois cada continua um mantendo a sua autonomia: por não se ter formado, nessa sua junção, alguma nova realidade: ou um sintagma! Que fosse científico, ciência, saber, amanhã, utilidade!..

Acrescentando hoje (25.11.2016), nada que não se saiba, e vá encontrando, infelizmente. Nos muitos que nos vão dizendo que está tudo bem, quando se vê é exactamente o oposto

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21
Nov 16
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Seja nos exteriores, nos designs escolhidos para os arbustos, ou nos pavimentos e nos lagos dos claustros. Ou seja nos interiores, nos desenhos dos ornamentos nos tectos, e/ou nos desenhos aplicados em paredes e outros suportes: permanentemente, deparamo-nos com uma série de invariantes. Verifica-se como os estilos mudaram ao longo do tempo, mas, como no «fundo do tacho» estão sempre os mesmos ingredientes.

Isto é as mesmas formas (iconteológicas) sempre «cozinhadas» de diferentes maneiras  

cvtºmafra.jpg

E sobre trifólios e quadrifólios, ver em PRIBERAM e em http://comentararquitetura.blogspot.pt/

Fazemos esta divulgação, sem percas de tempo, já que é melhor pôr tudo isto a mexer, e por fora das universidades - sobretudo na Internet - de modo a que um dia, vindos de fora, então as universidades tenham que aceitar estes mesmos temas.

Que a sua letargia (ou ignorância?) tem querido esconder . Mas que hão-de, levar, obviamente, à necessidade de serem estudados com a devida atenção, e de lhe reconhecer toda a importância. Inclusive desde as mnemotécnicas e das neurociências, à linguística, à psicologia, antropologia, historia, teologia..., Geometria

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19
Nov 16
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"Património e Identidade

A nossa identidade coletiva assenta num conjunto de tradições culturais e de edifícios emblemáticos. As festas de S. João ou a ponte Luís I são elementos facilmente associados a essa mesma identidade.

0 poeta Fernando Pessoa, ou melhor, o seu heterónimo Alberto Caeiro, escreveu que “o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia”. Esta verdade poética traduz algo que todos sentimos dentro de nós. A nossa escola primária, o adro da igreja da nossa terra, têm para nós uma importância enorme que nos acompanha ao longo da vida e nos ajuda a construir a nossa identidade.

Portugal tem sentido, ao longo das últimas décadas, a tentação de abandonar o património, deixando-o entregue à degradação e ao descuido, com consequências bem visíveis na desqualificação do espaço público e na destruição dos fatores identitários e culturais locais. Felizmente, nos últimos anos, acordámos para a importância deste património e começámos a apostar na sua reabilitação e manutenção. É o que temos feito em Vila Nova de Gaia, por exemplo, com um programa vasto de reabilitação de escolas básicas que, nos últimos dois anos, já permitiu intervir em cerca de metade das mais de cem escolas do concelho. As escolas básicas são elementos vitais da nossa identidade coletiva e um suporte essencial de uma educação pública de qualidade e de proximidade. 0 ensino básico é o pilar de todo o sistema educativo e a escola pública é, por sua vez, um dos patrimónios mais importantes que temos obrigação de defender e de preservar."

Resta acrescentar o que pensamos há muito tempo, e está escrito desde 2004, que não apenas o Ensino Básico, mas sobretudo o Superior (se o fosse de facto...) deviam estar na linha da frente numa preservação dos valores do país.

Os quais se no ensino básico se tentam incutir nas crianças, já nos níveis mais elevados se espera que sejam analisados e compreendidos - ou estudados e investigados - de modo a que não restem dúvidas sobre a importância da sua preservação. Por integrarem afirmações e proclamações, em sistemas linguísticos que hoje já não dominamos (mas que ainda interessa tentar desvendar). 

Depois também há-de interessar, um dia, conseguir desvendar o que é "Espaço Espositivo"? Será um «Património Linguístico» derrogado? Para alguma metáfora? Ou o que se chamam simplesmente erros de ortografia?

A ver vamos, como diz o cego!


15
Nov 16
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Ou ainda aquilo em que António Quadros trabalhou quando se chamavam Indústrias da Cultura, e houve uma Exposição na antiga FIL (em 1988*1).

 

E agora, neste contexto, coloquem-se as nossas descobertas e o que elas não têm que interessar.  Porque se está perante pessoas e instituições que nunca trabalharam nestas temáticas, e as mesmas nada lhes dizem.

Nem sequer como Responsabilidade Social, ou Memória Especifica, a guardar, porque a tivessem herdado!

Agora o importante (como Responsabilidade Social), sim, é ir lavrar o Pinhal de Leiria. Levando os «lavradores» da cidade em camionetas, para que à saída das mesmas se perceba – e para isso lá estará a comunicação social (a sublinhar o social da responsabilidade) - o quanto é meritória a acção em que se estão a envolver: Como lhes faz bem respirar ar puro, contactarem o campo; ou, como valor cientifico, poderem enfim conhecer in loco, nos respectivos habitats algumas espécies*2...

Mais, tudo isto acontece quando a Economia Criativa é deixada só para a Economia, já que nas escolas (as de uma certa «cultura visual»…) essa vertente não tem que ser entendida.

Pelo que, quem sabe, talvez os excertos de uma entrevista (a Augusto Mateus) em que sublinha o valor das lógicas do que é e está “fora da caixa” ajudem ao entendimento daquilo que desde 2008 nós passámos a defender (TG), de uma maneira cada vez mais enérgica:   

Mas, afinal o que é a economia criativa? Augusto Mateus explica que é como “fazer vinho não apenas porque tem uvas, mas é fazer vinho diferenciado, porque conhece melhor do que os outros os processos de vinificação e os gostos dos consumidores a que se dirige”.

E acrescenta o mesmo Augusto Mateus:

"As sociedades mais desenvolvidas são as que baseiam os factores competitivos mais naquilo que é escasso: a cultura, a criatividade e o conhecimento. A economia criativa é aquela em que se comece não nos recursos”, explica Augusto Mateus.”*3

Conclusão:

Porque sabemos da “energea” que as imagens comunicavam à arquitectura, e a todas as obras em que apareciam como explicado por Mary Carruthers em The Craft Of Thought, Meditation, Rhetoric, And The Makinf Of Images 400-1200*4; assim como também sabemos que hoje, cada vez mais, essa Retórica (visual) está longe de ser compreendida, dada a enorme diferença entre aquilo que hoje se chama Arte, e o que esta mesma palavra significava no passado:

Daí as confusões contemporâneas entre Arte (ars) e Técnica (technê)*5, e o muito mais que seria necessário (original e útil) introduzir, explicando, ensinando e disseminando Saber, que se venderia. Ou seja, seria economicamente rentável, para as instituições de ensino superior que têm esta visão: buscar riqueza (money) em troca de informação e ensino...

~~~~~~~~

*11988 - Faz parte da Comissão de Organização da 1ª Feira das Indústrias da Cultura na FIL”. Conforme consta em: http://antonioquadros.blogspot.pt/p/biografia-de-antonio-quadros_28.html

Note-se que desde 1988 (até hoje) já ninguém se lembra ou pode recordar estas informações. O passado morreu, é para enterrar! Até que haja algum muito original, investigador que o resolva ir buscar. Então dir-se-á, como foram interessantíssimos esses tempos. Como eram criativos! Etc., etc.: em híper-ululantes e excitantes pesquisas, mas para serem feitas daqui a 5 anos. Porque agora é, ainda, cedo demais!

*2 As espécies que só viram mortas, já cozinhadas e no prato, sem poderem adivinhar a beleza das penas de uma perdiz ou faisão…

*3 Vindo de: http://rr.sapo.pt/noticia/68507/antigo_ministro_da_economia_polemica_na_caixa_nao_tem_sentido?utm_source=rss . A ler ainda: http://culturascopio.com/jornalismo-cultural/o-que-sao-industrias-criativas/

*4 Trabalho que lemos em francês com um título (Machina memorialis - Méditation, rhétorique et fabrication des images au Moyen Âge) porventura bem mais apelativo? Por exprimir melhor a correspondência que era necessária conseguir estabelecer, entre IDEAS – a Cultura que hoje se diz ser Imaterial, e as Obras Materiais como são a Arquitectura, a Pintura, a Escultura, a Ourivesaria, os Vitrais, etc. Assim como todos os trabalhos de Carpintarias, que por isso se vestiam das formas que tinham a capacidade de enfatizar (visualmente, e, portanto, retoricamente) tudo o que estava expresso por letras – i. e., alfabeticamente – nos livros litúrgicos. É todo o Simbolismo medieval, como síntese/sintagma/reunião de ideias que se reforçam mutuamente. Só que, pelo que temos visto, estes não são tempos em que os doutorados ou profs. universitários (correntes) tenham capacidades (mentais) para conseguir entender os processos de elaboração (mental) desse mesmo simbolismo.

*5 Assunto em que se ocupariam páginas e páginas (para o conseguir esclarecer minimamente), quer para este exemplo quer para outros em que as palavras se continuam a empregar; embora hoje tenham sentidos completamente diferentes do que tinham no passado.


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